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Pneumonia Asiática e suas Repercussões no Setor Turístico - Mai/03

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O turismo é fruto de uma série de fatores. Diferentemente de outros ramos do conhecimento humano que (erroneamente) se isolam do restante e se fecham em seu microuniverso para tentar responder as suas questões fundamentais, o turismo não aceita este tipo de comportamento. O profissional da área deve estar atento a tudo o que está acontecendo, isto em nível global!

Para ilustrar esta afirmação, cito o exemplo da Pneumonia Asiática, que ganhou destaque nestas últimas semanas e tem obtido cada vez mais atenção mundial, depois da Guerra do Iraque.

A Síndrome Respiratória Aguda Severa, mais conhecida como pneumonia asiática, depois de uma primeira eclosão no sul da China em novembro de 2002 e de um surto inicial em fevereiro, manifestou-se em meados de março em Hong Kong, de onde se alastrou internacionalmente tendo contaminado mais de 4 mil pessoas e vitimando cerca de 200 em 22 países. A origem da doença continua um mistério para os médicos. Na última quarta-feira (16 de abril), os cientistas confirmaram que a síndrome é provocada por uma variação do coronavírus, responsável também por casos de gripe comum.

Analisando como um fato isolado, esta epidemia não diz respeito ao setor de Turismo da China e sim aos setores de Saúde, Vigilância Sanitária e Poder Público. Mas o que se verifica não é bem isso. O medo da pneumonia já afeta o turismo, principalmente na Ásia, onde foi registrada a maioria dos casos. Com medo da contaminação em aviões, passageiros estão cancelando as reservas e as companhias áreas já começaram a suspender vôos. Em terra firma, o governo de Pequim ordenou no último dia 27 de abril, o fechamento de todos os teatros, cinemas, cafés e cybercafés da cidade, além de outros locais de entretenimento, com o intuito de conter a propagação da pneumonia atípica. A doença já matou pelo menos 42 pessoas e contagiou 988 só em Pequim.

A comunidade internacional já está preocupada e começa a tomar medidas de contingência para que a pneumonia não se alastre. O aumento do número de casos na Ásia e no Canadá fez a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar as pessoas à não viajarem, pelo menos nas próximas três semanas, a Pequim e à Província de Shanzi (China) e a Toronto (Canadá). Da mesma forma que o representante do Órgão na China, Henk Bekegam, reconheceu que o pior da pneumonia atípica está ainda por vir e diante desta perspectiva o mais prudente seria recomendar o cancelamento de todas as viagens para Pequim.

Pra quem achava que uma doença na China não afetava o setor do turismo no mundo acho que já deve estar convencido do contrario. Não!? Pois bem, vou citar mais um exemplo, desta vez mais amplo. Apesar de não ter sido registrado nenhum caso de pneumonia em Macau, o surto da doença em Hong Kong já afeta o turismo da zona, com cancelamentos de 15 a 20 vôos por dia no aeroporto local. Na própria Hong Kong as notícias não são melhores, o setor do turismo está sofrendo muito com uma diminuição do número de visitantes, tendo o aeroporto registrado quedas significativas no tráfego de passageiros e as companhias aéreas locais também estão sendo forçadas a operar com constantes cancelamentos e reduções de freqüência de vôos por falta de procura. E alguém tem dúvidas que esta crise atravesse o mundo e seus reflexos venham a ser sentidos no Brasil?

A pneumonia asiática provocou o cancelamento de duas apresentações internacionais, programadas para o 6º Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas (que ocorreu nos dias 8, 9 e 10 de abril, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo). Para este evento, Al Ries, um dos mais respeitados consultores de marketing do mundo, suspendeu sua participação no Congresso e também na Amcham/SP (Câmara Americana de Comércio / São Paulo) onde participaria de um encontro com cerca de 400 empresários. Motivo: o especialista encontra-se acamado, com suspeita de haver contraído a doença e também pelo mesmo motivo cancelou participações em conferências na Argentina e no México.

Outra vítima foi Leendert Bikker, CEO (Chief Executive Officer) da Euro RSCG Corporate Communications, que cancelou sua participação no Congresso, por orientação da própria companhia, que proibiu seus executivos de viajarem até que se tenha um quadro mais definido sobre a evolução da gripe asiática.
Creio que os exemplos acima são provas de que o turismo é uma atividade muito delicada, que deve ser tratada de forma bastante profissional e ponderando sempre sobre as diversas variáveis que estão constantemente influenciando-a.

Reportagem: Itamar Dias e Cordeiro

Itamar Dias e Cordeiro é Técnico em turismo pelo CEFET –PE, Bacharel em turismo pela UFPE, e atualmente está concluindo o Curso Tecnológico em Sistemas de Gestão Ambiental no CEFET-PE e acaba de iniciar a Pós-graduação em Gestão e Política Ambiental pela UFRPE.

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