Compare Produtos, Lojas e Preços
Negócios

A Pesca Fisga o Turismo - Ago/04

Voltar

O turismo brasileiro atraiu mais de 4 milhões de estrangeiros em 2003. Apesar do número aparentemente expressivo, o país ocupa a 34º posição no ranking do turismo internacional. A Embratur deseja aumentar esse número para 9 milhões de visitantes dentro de três anos e atingir 8 bilhões de dólares gastos por estrangeiros – foram US$ 3,4 bilhões no ano passado.

Apostando nesse crescimento, a Caixa Econômica Federal pretende investir R$ 400 milhões no setor ainda este ano. Entre as propostas da instituição, está um pacote de produtos diferenciados com linhas de crédito para empresas e profissionais da área, municípios com potencial turístico e pessoas que planejam viajar.

Uma das saídas para incrementar o turismo no país é focar segmentos pouco aproveitados, como a pesca esportiva, por exemplo. Também conhecida como pesque-e-solte, a prática vem crescendo no mundo. O pescador brasileiro, tanto quanto o estrangeiro, encontra aqui tudo o que sonha: rios cercados por florestas, lagos, corredeiras, e mais de 8.000km de litoral, além de manguezais, costões e 100 milhas náuticas para a pesca em mar profundo.

Com a maior rede hidrográfica (1.500.000 cursos d´água) e a maior diversidade de peixes de água doce do planeta (10% de toda a diversidade de fauna aquática do mundo, cerca de 2.500 espécies), temos possibilidade de tornar a pesca esportiva um turismo rentável:

“Em vários lugares do mundo, a pesca transformou-se em uma atividade recreativa que envolve um relevante número de pessoas e altas cifras. Ao contrário de outros países, o Brasil possui uma matéria-prima riquíssima variedade, tanto em mar como em rios. Mas, trata-se de um mercado que ainda está engatinhando”, afirma Wilson Katakura, coordenador interino do Bureau Brasileiro da Pesca Esportiva.

Nos Estados Unidos, quase 35 milhões de praticantes da pesca gastam por volta de US$ 40 bilhões na modalidade por ano. Só o Estado da Flórida movimenta cerca de 9 bilhões/ano - mesmo valor faturado pelo Canadá na atividade. Nossos vizinhos argentinos chegam a US$ 3 bilhões/ano.

Já no Brasil, a pesca esportiva é praticamente inexplorada. De acordo com a operadora de turismo Interfishing, estima-se que o negócio da pesca em rios gire em torno de R$ 2 a R$ 3 bilhões por ano. Segundo o Programa Nacional de Desenvolvimento da Pesca Amadora (PNDPA), do Ibama, existem cerca de 3 milhões de pescadores esportistas brasileiros. Destes, apenas 200 mil são licenciados.

A agência estatal de turismo Amazonastur afirma que 40% dos turistas estrangeiros que visitam o Amazonas anualmente são americanos. O Estado obtém do negócio perto de US$ 10 milhões por ano. Os valores poderiam ser maiores levando-se em conta os mais de 5 milhões de quilômetros quadrados de beleza natural e a grande concentração de tucunaré, um dos peixes mais disputados pelos praticantes do esporte.

Além do Pantanal mato-grossense, outro destino tradicional dos turistas, a Bahia tem procurado ampliar as áreas de pesca esportiva e trabalhado para que a iniciativa se desenvolva de modo planejado e controlado. O objetivo é ser reconhecido como o primeiro Estado brasileiro a ter um programa regionalizado e tornar-se o mais novo pólo de pesca esportiva do país.

A pesca não só contribui para o desenvolvimento socioeconômico de regiões que dependem do turismo, mas atinge direta ou indiretamente outros segmentos. Os fabricantes de equipamentos e barcos, o setor hoteleiro, os bares e restaurantes, as companhias aéreas e de viagem e os guias turísticos são beneficiados com os investimentos na área.

Wilson Katakura lembra que a atividade também colabora para a conservação dos recursos ambientais: “A pesca esportiva é uma prática sustentável e como tal exige a preservação de rios e espécies e a renda gerada por ela pode substituir aquela proveniente da pesca predatória. Os pescadores se tornam aliados dos ambientalistas nessa tarefa”, declara.

De olho nos potenciais turístico e econômico da pesca, em agosto, durante a Brazil Fishing Show 2004, será oficializado o Bureau Brasileiro de Pesca Esportiva, um órgão conveniado à Embratur que tem por finalidade desenvolver a pesca esportiva de forma organizada, tornando o país rota definitiva dos turistas internacionais e praticantes dessa atividade em todo o mundo.

“Secretarias de Turismo e Governadores de vários Estados já confirmaram presença. Nossa preocupação é mostrar que a pesca esportiva pode se tornar uma importante fonte de renda de impostos para o país, pois movimenta inúmeros setores de comércio e serviços das regiões em que é implementada”, conclui Katakura.

Mais informações
Adriana Lacchia e Alessandra Garcia
Parlatorium Comunicação e Marketing

Voltar