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Se a Espanha passa por um processo de desenvolvimento,
isso se deve ao turismo - Fev/06

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Por muito importante que o turismo seja do ponto de vista econômico, e sem dúvida o é, a sua maior importância é sócio cultural - lembrava o professor José Fernandes Álvarez em aulas de que participei no Instituto de Estudos Turísticos de Madri. No Brasil, claro, melhorou muito a conscientização turística nos últimos 30 anos, contudo, ainda não são suficientemente consabidas as virtudes essenciais do turismo, nem mesmo do ponto de vista econômico.

Virtudes, na verdade, prioritárias num país como o nosso de dimensões continentais e continente exuberante de variadas e belas atrações para o turismo interno e internacional. (Não podemos continuar importando até paisagem num país pleno de praias e sertões, rios e florestas, ilhas, montanhas e cachoeiras). Virtudes, na verdade, tanto mais prioritárias para o desenvolvimento de uma região, como a nossa, presa ainda à gravidade patológica de desequilíbrios sociais.

Nesse sentido, portanto, vem se posicionando (com algum êxito( todo um grande e persistente esforço dos órgãos estaduais, regionais e nacionais para situar o turismo como atividade produtiva, na primeira linha das prioridades brasileiras, e para situar o Nordeste , com justeza, estrategicamente, na primeira linha dessas prioridades. É realmente extraordinária a presença do turismo como força indutora dos demais setores da economia. "Se a Espanha passa por processo de desenvolvimento, isso se deve ao turismo", observava taxativamente o professor Manoel Figueiroa Palomo, "a Itália e a França, depois da primeira guerra mundial se salvaram da bancarrota pelo turismo", acrescentava o professor Luiz Fernandes Fuster, em 1974, naquelas aulas de Madri.

E se insisto nos exemplos da Espanha é não apenas pelo notável/notório êxito da sua experiência no setor, mas também pelo fato dessa experiência se ter realizado num espaço e num tempo que guardam similitudes expressivas com o tempo e o espaço de Pernambuco. Não devemos esquecer, inclusive, que o boom turístico da Espanha teve início num quadro de acentuado subdesenvolvimento relativo, em termos de Europa, e que decorreu da vontade do seu povo, da sua posição geopolítica, do preço do seu sol e do seu mar, do substratum e do esplendor ainda vivos de uma história, de uma arte, de uma cultura características.

DE certa forma, isso é Pernambuco: uma cultura marcante, grande área de pobreza e muito sol. Somos um Estado em que o mar de águas tranqüilas e tépidas, a história de ondas inquietas, o açúcar e o sertão, a arte e o folclore - criaram uma síntese cultural cujas cores diferenciais definem nitidamente uma grande destinação para o turismo. A longo termo, aliás, aceitamos as perspectivas abertas na frase do técnico espanhol, Domingo Hernandez Peña: "O Nordeste é a maior reserva turística do mundo". Frase, já se vê, da maior significação para nós pelo fato de Pernambuco estar situado estrategicamente, vis a vis da África e da Europa, no centro mesmo da costa nordestina e brasileira, estar situado (sem retórica) como uma espécie de coração do próprio Nordeste.

Sua privilegiada posição geopolítica, por isso mesmo, propiciou que se tornasse, através dos séculos, uma espécie de pólo atrativo e irradiador, de imã econômico e cultural (e, portanto turístico) de toda uma região. Nesse pano de fundo é que se inserem as prioridades alocadas ao turismo por alguns governos estaduais, o que vem permitindo uma extraordinária ampliação de equipamentos - como aqui em Pernambuco, o Centro de Convenções, o Aeroporto dos Guararapes, o Parque das Esculturas, a Nova Jerusalém, a expansão do parque hoteleiro, a abertura de estradas, o crescente número de restaurantes e agências de viagens, a realização de feiras e congressos, a vitalização do calendário turístico, a reimplantação de vôos internacionais etc.

Francisco Bandeira de Mello
Jornalista, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras e
ex-Secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Pernambuco
PUBLICADO NO JORNAL DO COMMÉRCIO

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