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Desafios da Economia - Out/02

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A atual situação política e econômica brasileira faz com que o turismo nacional enfrente problemas com a diminuição de viagens ao exterior e com a infra-estrutura interna.

Dólar

Em agosto o Banco Central publicou dados onde constatou que houve queda de cerca de US$ 26 milhões com gastos em passagens aéreas. Empresas aéreas tem obtido perdas de até 70% sobre as precisões de venda, como foi o exemplo da operadora Queensberry que transporta passageiros para os cinco continentes. Os problemas foram intensificados desde agosto quando a moeda começou a ter um forte crescimento.

Já a Stella Barros teve uma receita de R$ 1 milhão por mês do que está acostumada a receber. O que tem coberto as perdas da operadora são as viagens-prêmio pois as viagens domésticas não tem sido satisfatórias.

Cada vez mais os brasileiros estão optando por viajar internamente e preferir destinos internos aos do exterior. Se em 1998 os pacotes vendidos eram de 50% internacionais e 50% nacionais, a situação mudou nos anos seguintes. Em 1999 esta diferença passou para 60% nacionais, 40% estrangeiros. Em 2001 para 70% nacionais, 30% estrangeiros.

A perspectiva era de que em 2002 o setor recuperasse a queda que estava tendo nos últimos anos, mas o clima depois de 11 de setembro e problemas com o baixo crescimento mundial deram prosseguimento a queda.

Desde metade deste ano de 2002, tem caído as viagens ao exterior devido ao alto crescimento do valor do dólar. O BC informou que em agosto o país obteve uma receita líquida de US$ 11 milhões. Entraram mais divisas de estrangeiros do que saíram recursos dos brasileiros. No mesmo período de 2001 onde o país obteve uma despesa líquida de US$ 103 milhões. Houve um saldo de US$ 4 milhões de recita com o turismo estrangeiro sobre as despesas de brasileiros no exterior. Caso o dólar volte ao patamar de R$ 3,00, talvez seja possível a manutenção de 25% de viagens internacionais e 75% nacionais.

As únicas empresas aéreas que não reduziram suas viagens ao exterior foram a Air France e a TAP que realiza viagens a Lisboa. Já as outras empresas cortaram o número de viagens realizadas.  A TAM diminuiu de 13 para 6 Vôos diários realizados para a Europa e os EUA, assim como outras empresas.

Já a emissão de passagens aéreas nacionais saltou de 1.732.728, em 2001 para 1.918.884 este ano de acordo com a Favec. Um crescimento de 10,74%. No âmbito doméstico, a TAM deteve 46,58% do mercado, seguida pela Varig (25,47%), Rio Sul e Nordeste (19,89%), Vasp (5,67% e Gol (1,21%). Nas emissões para o Exterior, a Varig ficou com 40,83%, seguida pela American (8,92%), United (7,97%), TAM (6,02%) e Air France (4,77%).

Novos investimentos em Turismo.

Com vista na entrada de divisas ao país através de investimentos no setor de turismo, o presidente Fernando Henrique Cardoso lançou no dia 02/10 um novo pacote. Com um empréstimo do BID e o Banco do Nordeste ele pretende por em execução a segunda fase do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur II).

Um dos objetivos do programa é melhorar o apoio à iniciativa privada através da criação de um banco eletrônico de projetos de infra-estrutura turística onde empresários interessados em investir no setor poderão consultar as empresas cadastradas. Este projeto é uma parceria da Agência Investe Brasil e a Embratur que deve estar disponível a partir de novembro de 2002.

Terá uma divulgação da regulamentação do uso dos lagos e represas artificiais para fins do turismo para a conservação dos recursos naturais. O governo investira em marketing no exterior, curso de línguas e portos brasileiros para cruzeiros marítimos.

Uma parceria da Associação Brasileira da Indústria e Hotéis (ABIH) com a Embratur providenciará um novo Sistema de Classificação de Hotéis.

Para a segurança o governo criou o plano de instalação de máquinas de leitura ótica de passaportes nos aeroportos, e da instalação dos Núcleos Especiais de Polícia Marítima (Nepom) nos portos turísticos, criados para reprimir os crimes de pirataria e roubo em terminais portuários brasileiros. Hoje já existem três núcleos funcionando nos portos de Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Rio Grande (RS).

Portanto é bom estar preparado para as mudanças da economia e do governo. As novas classificações em relação ao setor de hotelaria e os investimentos em novas áreas do nordeste podem nos proporcionar um crescimento em serviços e na vinda de novos turistas estrangeiros. Estaremos prontos ?

Reportagem: Ulisses Nunes Sodré

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