Vanuatu e os Homens Voadores de Pentecoste

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Prezados amigos e leitores da REVISTA TURISMO, somos do veleiro GUARDIAN, que desde 96 está fazendo sua viagem de cruzeiro ao redor do mundo.

No momento, estamos na costa leste da Austrália, após 4 anos velejando pelo Pacifico, onde aguardamos o passar da temporada de furacões para demandarmos a BALI, o portal de entrada do GUARDIAN no oriente, após explorarmos a Grande Barreira de Corais Australiana, o maior santuário marinho do mundo.

Estamos com esta matéria de abertura na REVISTA TURISMO, iniciando uma série de relatos sobre nosso cruzeiro repleto de aventuras e fatos extraordinários, como este que se segue, que objeta o vivenciar de um inesquecível momento de nossa viagem quando conhecemos os "HOMENS VOADORES DE PENTECOSTE".

A Ilha de Pentecoste situa-se ao norte do arquipélago que forma o país VANUATU, antiga NOVAS HEBRIDAS, hoje uma nação independente e, no momento, uma das maiores  destinos turísticos do Pacifico Sul. O mundo começa a conhecer as paradisíacas ILHAS VANUATU.

Com temperatura amena e repleta de indescritíveis belezas naturais, VANUATU foi um dos países da Melanésia visitado pelo GUARDIAN na temporada de 99,de maio a outubro.
Estivemos em sítios onde nunca antes se fizera presente um veleiro de bandeira brasileira e, até mesmo em alguns locais, onde nenhum cidadão de nosso país tenha estado.

Em PENTECOSTE há um fato que vem chamando a atenção do mundo por sua excepcional  atipicidade: trata-se dos HOMENS VOADORES. Os Nativos locais desta ilha, e só dela, fazem saltos de cima de torres rústicas construídas com galhos toscos de árvores e muito altas, com cipós amarrados aos tornozelos.
Estes saltos são feitos há mais de mil anos e acreditamos de onde tenha se originado o "Jumple Cable"  moderno, face a sua similaridade.

Estes cipós são especiais e tratados por um processo de hidratação que nos meses de maio e junho se tornam elásticos, e só nestes meses. Há alguma influência da umidade do ar que os torna muito elásticos.

O proceder dos saltos obedece a um ritual místico e os homens vêm sendo treinados desde a adolescência  para estes saltos.
 

Não há necessidade de se colocar que, face à precariedade dos meios para se proceder este Jumple Cable nativo, se trata de algo muito perigoso e não rara as vezes, um se projeta literalmente no plano do solo, em verdadeira grandeza.

O fato mais comentado até os dias atuais é a narração quando da visita da Rainha da Inglaterra, há muitos anos ocorrida no mês de agosto, portando, fora da temporada dos saltos, e por tal 3 mortes ocorreram deixando a todos a confirmação de que os saltos só podem ocorrer nos meses de maio e junho.

Hoje, estes saltos tornaram-se um espetáculo em demasia concorrido, com a presença de turistas e estudiosos de todo o mundo. Na temporada em que o GUARDIAN visitou Pentecoste, cerca de mil pessoas assistiram a este inusitado espetáculo, tendo  entre os presentes, botânicos ingleses que faziam pesquisas sobre a elasticidade incrível desses cipós que chegam a destender-se cerca de 4 metros.

O arquipélago e país VANUATU é composto de diversas ilhas, sendo que em algumas ainda existem vulcões em atividade, o que torna muito visitado, inclusive por cientistas.
Em termos de infra-estrutura turística, a ilha EFATE, onde se situa a capital PORTO VILA, dispõe de um potencial hoteleiro excelente, com diversos hotéis 5 estrelas e com apoio de desportos náuticos excelente.As demais ilhas são muito nativas, locais de indescritível beleza, onde ainda pode-se observar a fauna e a flora intactas.

Existem vôos regulares diários de EFATE para as ilhas vizinhas, que são muito visitadas por amantes da natureza, estudiosos e turistas de um modo geral.
Ao norte, ainda existem ilhas como os arquipélagos de BANKS e TORRES, onde é quase nenhuma a população, podendo-se até viver em locais, durante meses, sem que ninguém apareça. Em tudo e por tudo, VANUATU acabou por se tornar um dos pontos altos do cruzeiro do GUARDIAN pela  Melanésia, no Pacifico Sul. Boas  pescarias, mergulhos em água de rara cristalinidade, ambientes de incrível e majestosa beleza.

Existem vôos regulares da Nova Zelândia e Austrália para VANUATU.Os idiomas falados são: inglês,  francês, bem como, o local "pidgrin".

De VANUATU, o GUARDIAN rumou às ILHAS SALOMÃO, onde se encontra o maior cemitério de naufrágios do mundo ocasionado pela Segunda Grande Guerra no Pacifico Sul, onde se mergulha em locais inacreditáveis. Bem, isto e outra estória para a narração no próximo mês.

Deixamos nosso forte abraço aos amigos e leitores da REVISTA TURISMO, com o convite de que visitem nossas páginas e compartilhem das viagens do GUARDIAN.

Reportagem : João de Albuquerque (O Sombra)

João Francisco Sombra de Albuquerque (O Sombra) viaja com sua família pelo mundo a bordo do veleiro Guardian. Mensalmente ele escreve matérias de suas aventuras para a Revista Turismo. Acompanhe sua Saga!