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Desenvolvimento Regional e Ambiental com Base
no Turismo em Goiás - Ago/05

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O objetivo deste artigo é discutir o desenvolvimento regional do estado de Goiás, tendo como base as potencialidade turísticas e o turismo em si. Demonstrando a atual economia e ressaltando a necessidade de um planejamento turístico rigoroso, que invista e explore estas potencialidades para o desenvolvimento local deste estado, norteando a atuação econômica para obter maior lucro e o objetivo ecológico de preservar e fazer uso do conceito de turismo sustentável.

O homem pratica e vem praticando o turismo, talvez desde o início de sua existência, quando buscava lugares diferentes a fim de encontrar alimentos e impor domínios territoriais. A busca, ou seja, a curiosidade pelo novo é fato histórico na humanidade, porém atualmente esta busca por lugares diferentes vem alicerçada em nossos padrões capitalista, onde o aumento do tempo livre com as leis trabalhistas fazem com que uma parcela considerável das divisas se direcionam para o lazer. Tornando então uma fonte de lucros para a economia mundial, pois é fato nítido que a sociedade está buscando ocupar o tempo ocioso com atividades de lazer, entre elas os deslocamentos de suas residências e locais de rotina, com finalidade de descanso, praticando assim o turismo.

Trataremos então deste turismo atual, que segundo a OMT (Organização Mundial do Turismo) gera anualmente cerca de US$ 4 trilhões, responde por 10% do PIB mundial e emprega 200 milhões de pessoas direta ou indiretamente e segundo o ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia é o maior negócio do mundo e uma forma de “tirar o país do buraco” , tendo um crescimento de 17,5% isto se planejarmos e utilizarmos sustentávelmente nossas potencialidades turísticas naturais, culturais e históricas.

Além de seus visíveis efeitos econômicos e a forte influência e debates sobre a preservação do meio ambiente e patrimônios histórico, o governo possui outra razão para o investimento massivo em planejamentos que desenvolvam o turismo nacional, que vão além dos atrativos turísticos, mas a busca do capital fazendo com que as horas de lazer sejam o motor da produtividade. Criando assim, em várias cidades brasileiras atrativos turísticos artificiais (shoppings, parques temáticos e aquáticos, resorts, hotéis de luxo com paisagens artificiais, etc) que não diminuem o fluxo dos moradores locais mais intensificam os gastos das horas ociosas gastando na própria cidade, quando não possuem tempo e condições financeiras para um deslocamento maior. E neste mesmo ensejo o mercado turístico econômico faz crescer a demanda e consequentemente as ofertas turísticas com as facilidades para viagens que tornaram o mundo inteiro mais acessível aos viajantes ávidos por novas e emocionantes experiências em regiões com recursos naturais e culturais consideráveis.

Lembrando que a antiga crença de que as inovações tecnológicas, por si sós, seriam suficientes para a melhoria das condições materiais de vida, já não subsiste. É necessário que a industria da hospitalidade esteja preparada para as novas mudanças do milênio, pois o sistema já está fazendo uso desta chamada “industria do turismo” para intensificar a busca pelo lucro, queremos ainda ressaltar, que este não se trata de um discurso socialista crítico, contudo temos a visão de que o turismo alicerçado com o planejamento está trazendo desenvolvimento econômico para diversas cidades, quando citamos o termo regional estamos tratando de pequenos municípios e seus atrativos turísticos já existentes. Será nessa mesma ótica que daremos continuidade ao referido assunto explanando sobre a importância do planejamento para o desenvolvimento regional no estado de Goiás.

Desenvolvimento Regional
É fato que existem projetos e leis que incentivam o desenvolvimento regional e ambiental com base no turismo, isto em escala nacional e local, buscando sempre novas abordagens do desenvolvimento em sua múltiplas faces: a questão da pobreza, a conservação ambiental, a problemática de patrimônio. Hoje, existe um tendência , não dó no Brasil mas mundialmente, de entender o turismo segundo uma nova visão estratégica de desenvolvimento que vem se trabalhando na direção de se buscar todas as potencialidades locais, através de estudos dos fatores internos à região, capazes de transformar um impulso interno de crescimento econômico para toda a sociedade. É o que a ciência geográfica trata de ações locais que afetam o global.

“O desenvolvimento deve ser encarado como um processo complexo de mudanças e transformações de ordem econômica, política e, principalmente humana e social. Desenvolvimento nada mais é que o crescimento (incrementos positivos no produto e na renda) transformado para satisfazer as mais diversificadas necessidades do ser humano, tais como: saúde, educação, habitação, transporte, alimentação, lazer, dentre outras.” (OLIVEIRA, 2002, p.40)

Segundo Lima & Oliveira (2003:03) pensar em desenvolvimento regional é, antes de qualquer coisa, pensar na participação da sociedade local no planejamento contínuo da ocupação do espaço e na distribuição dos frutos do processo de crescimento. Se existe o distanciamento entre a vontade popular e vontade política dos governantes fica explicitado em áreas de ocupação irregulares, principalmente em áreas de proteção ambiental. Nestes cenários, o interesse tradicional dos governos coincide com os interesses das elites: expulsar os intrusos por meio da urbanização. A crença é de que os moradores do local, sem ser ouvidos, estão “naturalmente” dispostos a aceitar a urbanização da área porque “querem progredir”. Acredita-se também que a urbanização proporcionará desenvolvimento e felicidade para os moradores do local. Este é um exemplo claro da cidade de Pirenópolis - GO, onde moradores saem de suas casas para a construção de bares e lojas que atendem aos turistas, e acreditam estarem participando do desenvolvimento da cidade e criando novas oportunidades de empregos.

O estado de Goiás possui um desenvolvimento econômico considerável, e vem se destacando em vários setores, isto deve-se ao planejamento que os governantes colocaram em prática, quando aproveitaram dos recursos naturais desta região como solo, hidrografia e dinâmica climática para desenvolverem atividades que ganharam destaques na agricultura e agropecuária, juntamente com números crescentes de exportações (carne bovina, soja, arroz). Portanto Goiás está se desenvolvendo bastante na área do turismo, em alguns municípios com planejamentos que estão dando certo como Pirenópolis, Cidade de Goiás, Caldas Novas, Alto Paraíso e outros que se destacam com os potenciais turísticos naturais como: Rio Quente, Formosa, Corumbá, e mais de oito municípios às margens do Lago de Serra da Mesa e do Rio Araguaia. Isto demonstra que o estado possui infra-estrutura necessária para receber investimentos e direcioná-los da melhor maneira para o desenvolvimento local destes municípios que estão com um economia estagnada e vendo anualmente a população saindo em busca de melhores condições de vida em cidades de maior porte, como Goiânia, Anápolis e Rio Verde.

Observamos então que há muito o que fazer nesses municípios que apresentam um potencial turístico considerável, necessitando assim de um planejamento sério capaz de suprir as necessidades locais, muitos dos governantes apontam o turismo como a salvação da economia local, e não se voltam ao planejamento colocando no papel os pós e contras da questão de como usar de forma correta para obter desenvolvimento da economia local os atrativos turísticos já existentes.

Dentre o conceitos de planejamento turístico, temos que é uma atividade que envolve a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos propostos. Ele tem por objetivo o aprovisionamento de facilidades e serviços para que uma comunidade atenda seus desejos e necessidades ou, então, o desenvolvimento de estratégias que permitam a uma organização comercial. O planejamento do turismo deve envolver a população local, o governo, as agências de turismo, respeitar a cultura e os recursos naturais da área. Ao iniciar um projeto há necessidade de realizar análise integrada do meio ambiente, da sociedade, da economia, dando enfoque distintos aos diferentes tipos de turismo (ecológico, esportivo, religioso, negócios, aventuras, GLS, pesca, gastronômico, cultural, melhor idade, rural, medicinal etc.).

Quando o turismo é planejado, levando-se em conta o meio ambiente (recursos naturais) e a população local ele pode ser um fator na conservação do meio ambiente. Isto se deve a uma paisagem “maravilhosa” com atributos próprios, vegetação, vida animal, e sem poluição atmosférica ou hidrográfica, oferecem a maioria dos recursos que atraem os turistas, e ainda que estes diferem do cotidiano, por isso a busca pelo verde (ecoturismo) está em alta mundialmente. Igualmente importantes são os planejamentos e o desenvolvimento do turismo para conservar a herança cultural de uma região. Sítios arqueológicos e históricos, estilo arquitetônicos, danças, músicas, costumes e valores. Essa herança cultural oferece atrativos para os turistas e podem também ser seletivamente conservados e realçados pelos turistas ou degradados por eles, dependendo de como seja o perfil destes turistas. Estando nesta citação a idéia da educação ao turista, que pode ser feita primeiramente por moradores locais, podendo assim posteriormente repassar aos turistas nos postos de atendimento aos mesmos.

“O homem é a um só tempo obra e artífice do meio que o rodeia, o qual lhe dá sustento material e a oportunidade de desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. Na longa e tortuosa evolução da raça humana neste planeta, chegou-se a uma etapa em que, graças à rápida aceleração da ciência e tecnologia, o homem adquiriu poder de transformar, de inumeráveis maneiras e numa escala sem precedentes, tudo quanto o rodeia. Os dois aspectos do meio ambiente, o natural e o artificial, são essências para o bem estar do homem e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, incluído o direito a própria vida .” (MENDONÇA 1993: 48).

Considerações Finais
As exigências de planejamento turístico e intervenção do governo são respostas aos efeitos indesejados do desenvolvimento no setor. E termo citado na Lei Federal n.8181 de 28 de março de 1991, propondo analisar o mercado turístico e planejar o seu desenvolvimento, definindo as áreas, empreendimentos e ações prioritárias a serem estimuladas e incentivadas. E estas ações gradativamente promoverão o desenvolvimento regional, embasados nos planos e metas de uso e preservação dos recursos naturais, culturais e históricos, ou seja o desenvolvimento sustentável.

Bibliografia
CORNER, Dolores Martin. Introdução ao Turismo. 1º edição pela Organização Mundial Del Turismo – Copyright 2001, 1º edição pela Editora Roca Ltda.
EMBRATUR, Diretrizes para o Turismo Brasileiro. Editora DF. Brasília –DF. 1999.
LIMA & OLIVEIRA. Elementos endógenos do desenvolvimento regional: considerações sobre o papel da sociedade local no processo de desenvolvimento. Revista FAE, Curitiba, v.6, n.2, maio/dez. 2003.
MENDONÇA, Francisco. Geografia e Meio Ambiente, Editora Contexto, São Paulo - SP p. 48 , 1993.
OLIVEIRA In LIMA & OLIVEIRA. Elementos endógenos do desenvolvimento regional: considerações sobre o papel da sociedade local no processo de desenvolvimento. Revista FAE, Curitiba, v.6, n.2, maio/dez. 2003.

Autoras:
Maria Elisabeth Alves Mesquita, Evelin Evangelista Raisky e Cleide Silva da Costa
Artigo solicitado para a conclusão da disciplina: Desenvolvimento Regional e Ambiental com Base no Turismo, ministrada pela Profª. Maria Idelma do curso de especialização: Geografia, Meio Ambiente e Turismo – UEG. (2004)

 

 

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