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Turismo de Aventura:
A experiência do Município de Paulo Afonso-BA - Ago/05

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O turismo é uma atividade econômica que traz possibilidades e alternativas de crescimento nacional, regional e local. No âmbito local especificamente, a realidade brasileira começa a identificar o potencial de municípios ainda pouco explorados, mas, que na atualidade, despontam como atrativos para grupos turísticos. Comenta-se que o litoral, as praias estão passíveis de saturação, em virtude de historicamente serem pontos turísticos. Daí determinados turistas buscarem novos ambientes que preservem a cultura regional e possibilitem maior contato com as belezas naturais e com a própria comunidade local.

Inserido na perspectiva mencionada, o Turismo de Aventura merece destaque, em virtude da imbricada relação entre o turista e a natureza. Segundo Swarbrooke (2003), o Turismo de Aventura, vem sendo utilizado como uma espécie de válvula de escape por indivíduos que possuem atividades intensas e necessitam dispersar o grau de estresse acumulado com este cotidiano diário. Deste modo, é cada vez mais comum, por exemplo, a prática do Turismo de Aventura por empresas na expectativa de integrar funcionários e despertar o espírito de liderança nos colaboradores. Além disso, o Turismo de Aventura tem atraído pessoas com espírito aventureiro, intrínseco a sua personalidade, e que apresentam o desejo permanente de ultrapassar limites.

O Turismo de Aventura no Brasil tem crescido, principalmente, em estados que apresentam condições favoráveis à prática de Esportes de Aventura, como o rapel, treking, tirolesa, pára-quedismo e bungee jump.

O Estado da Bahia, por exemplo, pode ser considerado território atraente e desafiador para os praticantes dos Esportes de Aventura. Na maioria das regiões do estado pode-se encontrar condições favoráveis para a prática deste tipo de atividade. Pelo fato de estar inserida na região Nordeste do país, que compreende o clima semi-árido e quente, com pouca chuva durante o ano e possuindo um relevo acidentado, a Bahia vem se tornando palco para a prática de diversas modalidades dos Esportes de Aventura.
Na Bahia, destacam-se como destinos para a prática do Turismo de Aventura: a Chapada Diamantina, onde se pratica o rappel, trekking, tirolesa, mergulho, atividades assim ligadas à natureza; a Ilha de Itaparica, inserida na Baía de Todos os Santos, onde é possível praticar uma diversidade de esportes náuticos, além do pára-quedismo; Morro de São Paulo, que sempre teve destaque através do turismo de lazer devido principalmente às suas praias, mas que atualmente também vem se destacando no cenário de aventura, com relevância às atividades de mergulho e de tirolesa; e, por fim, o município de Paulo Afonso, inserido no sertão baiano que vem se constituindo num referencial para o Turismo de Aventura, com a possibilidade da prática de modalidades como bungee jump, base jump, tirolesa, rapel, trekking, pára-quedismo.

O Município de Paulo Afonso desponta para o cenário nacional e internacional pela prática dos Esportes de Aventura. Vale ressaltar que a evolução do turismo em Paulo Afonso é marcada pela forte relação do município com a construção das usinas hidrelétricas da CHESF, com seus aspectos pitorescos, dos atrativos proporcionados pelas belezas naturais do Rio São Francisco e pelo potencial paisagístico da caatinga.

Paulo Afonso apresenta características e belezas naturais que podem propiciar o desenvolvimento do Turismo de Aventura na região. Atualmente, a reserva ecológica do Raso da Catarina, o cânion do São Francisco, as usinas hidrelétricas e a ponte metálica são os locais que têm atraído os turistas e que também têm propiciado a prática do Turismo de Aventura.

A reserva ecológica do Raso da Catarina é considerada a maior reserva de caatinga do mundo, além de ser área de preservação da Ararinha Azul, animal ameaçado de extinção. No local podem ser praticados o rappel e o trekking.

No Cânion do Velho Chico, considerado o maior cânion navegável do mundo, podem ser praticados os esportes náuticos e aéreos. As rochas que compõem as margens do cânion também podem ser utilizadas para a prática do rapel e da tirolesa. Dentro do complexo hidrelétrico da CHESF, também, existe o teleférico, situado sobre o cânion do São Francisco, que é utilizado como base de sustentação para os saltos de bungee-jump.

Outro atrativo para a prática dos Esportes de Aventura em Paulo Afonso é a ponte metálica, denominada de D.Pedro II. Esse é um dos pontos mais conhecidos em Paulo Afonso, sendo considerada a ponte mais alta do Brasil com 86 metros de altura, estando acima do Rio São Francisco. A ponte, na divisa dos estados de Alagoas e Bahia, une as duas margens do cânion e é o ponto de partida para pelo menos duas atividades de esportes de aventura, o bungee-jump e o rapel (ANDRADE, 2004).

O perfil dos aventureiros e turistas que visitam Paulo Afonso é em sua maioria mulheres, oriundas do Sul e Sudeste do país, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, além de estrangeiros e pessoas vindas de regiões e de capitais mais próximas, Aracaju, Recife, Salvador e Maceió.

No entanto, embora o município apresente potencialidades naturais para a prática dos Esportes de Aventura, esta não parece ser a visão dos órgãos públicos. Conforme Serginho, recordista brasileiro e sul americano de bungee jump, a Prefeitura e o Governo do Estado não têm promovido eventos para a prática dos Esportes de Aventura. Para o recordista de bungee jump, não há incentivos por parte da Bahiatursa, do Governo do Estado da Bahia, ou da própria Prefeitura Municipal, através da secretaria de Turismo em promover eventos com este perfil. Desta maneira, o Turismo de Aventura, bem como a própria atividade turística, não consegue se desenvolver no município, principalmente, devido à falta de atenção do poder público, governo federal, estadual. Evidencia-se que o Turismo de Aventura em Paulo Afonso, em virtude das potencialidades naturais, deva ser divulgado e desenvolvido. Contudo, esses órgãos, além da própria Prefeitura de Paulo Afonso, não parecem identificar o turismo como uma alternativa econômica para tentar amenizar o desemprego no município, visto que 53,6% da população economicamente ativa de Paulo Afonso não têm ocupação. Levando-se em consideração que o turismo pode gerar emprego e renda, é passível de críticas e de questionamentos, que os governantes ignorem o potencial do município.

Por fim, ressalta-se também a necessidade de divulgação do Município, concomitante, a conscientização nos praticantes da importância da preservação do ambiente para a própria existência do Esporte de Aventura e, conseqüentemente, do Turismo de Aventura. Pois, sem o Rio São Francisco, e seu cânion, sem a Caatinga e sem o homem nordestino nativo, Paulo Afonso perde suas peculiaridades históricas, em termos culturais, sociais, econômicos, geográficos, e também turísticos.

Autoras: Cristiane do N. Guimarães e Gleide Carvalho Fraga - Bacharéis em Turismo pela Faculdade Visconde de Cairu e alunas do Curso de Pós-Graduação em Planejamento Turístico na Faculdade Olga Mettig
Este trabalho é fruto da monografia de graduação apresentada ao curso de Turismo da Faculdade Visconde de Cairu em dezembro de 2004.

 

 

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