As sociedades na cultura do turismo

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A expansão das atividades relacionadas ao turismo tem sido grande no Brasil e no mundo. Novos destinos são continuamente descobertos e aproveitados como locais de potencial turístico, gerando novas atividades, oportunidades de trabalho e o desenvolvimento local. Da mesma forma, pólos receptores já consagrados continuam se desenvolvendo e incrementando-se para melhor atender às necessidades e expectativas dos visitantes. 

Novas tendências, originadas da segmentação das modalidades do turismo, também têm contribuído significativamente para o crescimento do setor, abrindo um leque de atividades interdependentes. Desse modo, as dimensões do turismo tornam-se cada vez mais amplas, abrangendo diversas destinações e envolvendo mais comunidades, e, locais até aparentemente inexpressivos adquirem, às vezes, grande importância turística pelas suas peculiaridades e atrativos. 

No entanto, não podemos considerar essas comunidades como um todo, pois cada uma delas possui seus próprios hábitos, sua cultura e identidade. Lembrando que uma sociedade não se faz superior ou inferior às outras, mas sim distinta delas. Neste sentido, o turista, ao visitar um local, deve estar preparado para respeitar o modo de vida da comunidade alí existente, adequando-se aos seus costumes e tradições, e não promovendo, de modo algum, a descaracterização dessa sociedade. Afinal, a riqueza cultural e o encanto das nações encontram-se justamente na singularidade dos povos e de suas culturas. E é através disto que temos oportunidade de conhecer, aprender e admirar toda essa diferenciação.

O próprio turismo está diretamente vinculado a este contexto. Ele ultrapassa fronteiras, aproxima povos e possibilita o contato entre as diferentes culturas. Os resultados deste intercâmbio são muito interessantes, tanto para as pessoas que viajam como para aquelas receptoras, quer seja envolvendo-as enquanto indivíduos singulares ou como componentes de uma nação. Todavia, não podemos ignorar os estágios de desenvolvimento entre as nações e o fato de que quando povos de classificação distintas se encontram no mesmo local, podem ocorrer impactos culturais e conflitos étnicos. Em virtude disso, o turismo se descaracteriza e perde seu valor.

Portanto, as próprias empresas envolvidas com a realização de atividades turísticas (operadoras, agências de viagens e outros) precisam estar conscientes de que, acima de visarem apenas o lucro com a venda de viagens e comodidades, é necessário desenvolver meios para que isto seja feito de forma responsável, de modo a não ameaçar as sociedades participantes deste processo.

É evidente que o mundo capitalista no qual estamos inseridos dificulta a formação dessa consciência, mas, ao mesmo tempo, é a preservação dos locais turísticos e das suas peculiaridades que asseguram a sua continuidade como atrativos para os viajantes. Assim, torna-se inadmissível que hábitos e costumes de uma população sejam sacrificados em função da presença do turista. Não é o local que tem de se adaptar ao visitante, mas sim o contrário. A postura de que o turista exerce superioridade no lugar em que está visitando é completamente equivocada e precisa ser revista. E não pode ser confundida com a cortesia e atenção que o visitante merece. Ele, ao inserir-se numa sociedade, deve estar apto a respeitá-la como um todo, tendo a consciência, além do mais, de que ele como indivíduo representa a imagem de seu país ou região de origem.

Autor:
Christiane Barlera
Graduanda do 4º ano de Turismo e Hotelaria da Universidade Norte do Paraná - UNOPAR

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