Turista não se importa muito com economia do país que vai visitar

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Você acha que alguma vez, o turista estrangeiro se preocupou de como esta a situação da nossa economia, quando vai fazer uma viagem para o Brasil? Como está a inflação de la´? E o câmbio ? Ou ficam só naquela conversa de: - é caro la´ou - é barato, como nós, quando vamos viajar para o exterior?

Quando um turista estrangeiro visitava o Brasil na época dos altos índices de inflação, tinha aumentos de poder aquisitivo diariamente. O dólar que detinha, valorizava diariamente. Se ele comprasse uma camiseta escrita Copacabana que custava 8 cruzeiros em um determinado dia, para ele significava um dólar. No dia seguinte, o preço da mesma camisa continuava o mesmo, mas seu dólar era convertido em 10 cruzeiros.. A camiseta então passava de 1 dólar (8 cruzeiros = 1 dólar), para 80 centavos de dólar (8/10). Conclusão: aumento do seu poder aquisitivo.

Mas e a inflação aqui no Brasil? Se houve inflação, claro, ocorreu queda de poder aquisitivo do nosso turista estrangeiro. Se, por exemplo, as diárias de um hotel em Copacabana passarem de 100 para 130 cruzeiros de um mês para o outro, acompanhando a inflação de 30%, e o dólar passar de 1 para 1,20 cruzeiros, reajuste no câmbio de 20%, significa que um turista estrangeiro pagaria US$ 100 (100 cruzeiros / 1 Cruzeiro) e depois US$108,33 (130 cruzeiros / 1,20 cruzeiros). Então o preço do hotel subiu 8,33 % para o turista estrangeiro, logo queda de seu poder aquisitivo.

Será que existe relação direta entre o poder aquisitivo e o fluxo dos turistas estrangeiros no Brasil? Muitos dizem que esse fenômeno faz aumentar ou diminuir a recepção de turistas, o que no meu ponto de vista,
pelos estudos que faço, não tem correlação. Tem sim para o turista brasileiro que quer ir para o exterior. O conceito que está por trás disso é o de taxa de câmbio real.

Se um turista baseado em dólar, é observado pelo IPATE (Indicador de Poder Aquisitivo do Turista Externo), que consiste na variação do câmbio (dólar comercial venda) sobre a variação do IGP-DI, ou Renda/Preços.

O IPATE mostrou somente no mês de novembro de 2001, houve uma queda do poder aquisitivo do turista de 7,29% , com aumento de 17,34% acumulado no ano 2001, não temos ainda dados da visitação.

O IPATE deu queda de 7,85% no poder aquisitivo dos turistas estrangeiros em 1992 contra um aumento de 37,77% em numeros de turistas que vieram para o Brasil, e um aumento de 0,53 % no gasto médio destes, ao dia, que foi de US$ 66,4 para US$ 66,8 ao dia. Ocorreu uma queda de 20,73% no poder aquisitivo do turista no ano do começo do Real, em 1994, contra um aumento de 12,93% em numeros de turistas e uma queda de 10,76 % no gasto médio ao dia, que foi de US$ 67,8 para US$ 60,53 em 1994.

Mesmo em 1999 com a instabilidade cambial, que o governo permitiu uma desvalorização acelerada do real. Ficou mais barato para os estrangeiros visitarem o Brasil, que levou o dólar aumentar 48,01%, levando o IPATE acumulado para 23,35%, mesmo assim ocorreu apenas um aumento de 6 % nos visitantes de outras terras.

Esse fenômeno, nos faz observar que essa mudança não é automática. Pois se trata de um consumo planejado, no que diz respeito a fazer uma viagem, que leva de 6 meses a 1 ano para que os turistas estrangeiros viessem ao Brasil em maior volume, mas no Brasil, mas aqui, os indicadores macroeconômicos não tem uma regularidade, como em outros países., dificultando esse planejamento.

O que mais uma vez não ocorre, no período curto, veja os dados acima. Mas se pegarmos um período grande, vemos que pode existir uma correlação, pois a média do IPATE acumulado antes do Plano Real, de 1988 até 1994, foi de 8,8% negativo, e o Brasil recebeu uma média de 1.521,6 mil turistas/ano, contra 5,3 % positivos após o Plano Real, de 1995 a 2000. E o numero de turistas/ano foi em média 3.790,8 mil. Aumento de 149,1 %. 

Conclusão: Aparentemente, não existe relação direta entre o poder aquisitivo e o fluxo dos turistas estrangeiros no Brasil.

O turismo & entretenimento sendo recentes seus estudos, ainda sem peso significativo como estudo científico, não constituem campos prioritários de pesquisa em nenhuma instituição de ensino. Na verdade, configura-se como pequena área de estudo dentro de departamentos de geografia, administração,
economia etc. ou, então, figura em departamentos com vários cursos.

Autor:
Sergio Luiz Santos do Valle 
Está cursando um MBA de Turismo & Entretenimento na UCAM, RJ - Brasil

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