Perfil, preferências e motivações da terceira idade em relação a viagens de lazer - Abr/04

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4 MÉTODO DE PESQUISA

Parte 2

Este trabalho foi elaborado tendo por base pesquisa bibliográfica voltada para o tema marketing, com enfoque em segmentação de mercado, além da ajuda de um professor orientador ligado à área.

A primeira etapa deste trabalho consistiu na decisão de quem se iria pesquisar. Contatou-se pessoalmente o diretor da Agência Um de Viagens e Turismo, em Santa Cruz do Sul, para propor a obtenção de informações sobre clientes potenciais da agência. Decidiu-se identificar o perfil, as preferências e as motivações da terceira idade em relação a viagens de lazer.

Em grandes populações torna-se interessante a realização de uma amostragem, ou seja, a seleção de uma parte da população para ser observada. Amostragem significa extrair do todo (população) uma parte (amostra), com o propósito de avaliar características de toda a população.

O tamanho da amostra definida foi de 70 pessoas. O instrumento de coleta de dados foi um questionário com questões fechadas e com perguntas dicotômicas ou de múltipla escolha, algumas de escala e abertas para outras respostas.

Foi definido no início do questionário, que nas perguntas de 7 a 13, todas as respostas deveriam ser de acordo com o nível de renda individual de cada entrevistado, com exceção das questões números 14 e 15.

Para haver concordância nas respostas, o questionário foi estruturado de forma padrão, para que todos entrevistados respondessem as mesmas perguntas.

Após elaborado, o questionário foi submetido a um pré-teste para avaliar as respostas dadas e se o mesmo estava adequado aos objetivos do estudo no que se refere à clareza de entendimento pelo entrevistado. O pré-teste foi aplicado em 10% do total de casos a serem estudados, ou seja, em 7 pessoas da terceira idade.

Segundo Mattar (1997, p. 234), “o pré-teste é tão importante para o aprimoramento de um instrumento de coleta de dados que nenhuma pesquisa deveria iniciar sem que o instrumento utilizado tivesse sido convenientemente testado”.

Após esta experiência prévia, as questões que apresentavam certas dificuldades para os entrevistados foram reformuladas e aprimoradas. Constatou-se que cada questionário levaria de 6 a 7 minutos para ser respondido.

O questionário elaborado conteve 15 perguntas, relacionadas ao perfil, às preferências e às motivações do público de terceira idade em relação a viagens de lazer.

“Nas pesquisas científicas em que se quer conhecer algumas características de uma população, também é muito comum se observar apenas uma amostra de seus elementos e, a partir dos resultados dessa amostra, obter valores aproximados, ou estimativas, para as características populacionais de interesse. Este tipo de pesquisa é usualmente chamado de levantamento de amostragem” (Barbetta, p. 37).

Para definir a amostragem, optou-se por entrevistar pessoas que freqüentam determinados grupos de terceira idade como o Grupo Mundo Alegre do Sesi, 25 de Julho, Grupo Novo Horizonte, Grupo Tempo de Viver, Grupo Algo Por Que Viver e o grupo de hidroginástica da piscina da Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, todos localizados em Santa Cruz do Sul.

Para a análise do nível de renda individual da amostra, utilizou-se o critério de estratificação econômica da ABA/ANEP/ABIPEME:

Classes

Salários Mínimos por mês

Percentual população brasileira

 

A1

 Acima de 45

(R$ 9.001,00)

 

0,8%

 

A2

    Entre 25 e 45

   (R$ 5.001,00 a R$ 9.000,00)

 

4,0%

 

B1

  Entre 15 e 25

   (R$ 3.001,00 a R$ 5.000,00)

 

6,6%

 

B2

   Entre 10 e 15

    (R$ 2.001,00 a R$ 3.000,00)

 

11,7%

 

C

 Entre 4 e 10

      (R$ 801,00 a R$ 2.000)

 

31,4%

 

D

     Entre 2 e 4

       (R$ 401,00 a R$ 800,00)

 

33,3%

 

E

         Até 2

            (Ate R$ 400,00)

 

12,2%

Fonte: Brasil em foco – índice de potencial de consumo.
Nota: Valor do salário mínimo nacional em jun/2002 era de R$ 200,00.

As entrevistas foram feitas de forma estruturada, ou seja, o entrevistado recebia uma cópia do questionário para a visualização das perguntas, enquanto o entrevistador transcrevia para o seu questionário as respostas das questões que pronunciara verbalmente. Este procedimento tornou-se indispensável, pois muitas pessoas que tinham problemas de visão não portavam seus óculos no momento da entrevista e precisavam de ajuda para responder o questionário.

 

Esta técnica permitiu ao entrevistador esclarecer dúvidas sobre alguns itens indagados e anotar aspectos que julgava relevantes, sem nunca ter interferido nas respostas dos entrevistados.

 

A coleta de dados propriamente dita ocorreu no mês de junho do mesmo ano. No decorrer destas entrevistas, realizaram-se contatos com a professora orientadora para o esclarecimento de eventuais dúvidas.

 

Cabe destacar que algumas entrevistas ocuparam um tempo maior, cerca de 10 minutos, pois alguns entrevistados apresentavam dificuldades em entender certas perguntas e necessitavam de explicações mais detalhadas. Em outros casos, as entrevistas prolongaram-se pelo fato de os entrevistados contarem alguns episódios ocorridos em suas viagens.

 

Após a aplicação dos questionários, os dados coletados foram tabulados e analisados. Também foram elaboradas tabelas que fazem parte da interpretação dos resultados da pesquisa.

 

A seguir trata-se da empresa e ambiente.

 

5 EMPRESA E AMBIENTE

 

A Agência Um de Viagem e Turismo Ltda., fundada em meados de 1988, possui um conceito dinâmico de prestação de serviços e se mantém no mercado através de investimento em tecnologia de ponta para aprimorar e personalizar seus serviços. Está situada na Rua Galvão Costa, n° 240, no município de Santa Cruz do Sul.

 

            Ela conta hoje com 5 funcionários, que são responsáveis por todos os serviços da agência, como entrega de bilhetes e vouchers de serviços, planejamento de viagens de grupo, planejamento de viagens de lazer, planejamento de viagens de incentivo, reservas de excursões aéreas e rodoviárias (pacotes turísticos nacionais e internacionais), bem como reservas de cruzeiros marítimos, locação de veículos, no Brasil e no exterior, reservas de hotéis, fretamento de jatos e passes de trem.

 

            As reservas de vôos, hotéis e carros no mundo todo, assim como a emissão de passagens aéreas nacionais e internacionais, podem ser feitas na hora através de ligação via satélite a mais de 200 mil terminais pelo sistema Galileu.

 

            Como o sistema contábil é também informatizado e diretamente ligado às vendas, a Agência Um está apta a ceder relatórios mensais por centro de custo e ranking de movimentos aéreos e terrestres por fornecedor, o que facilita o controle da empresa junto a todos os seus departamentos, bem como o estudo de maiores benefícios que a Agência Um pode dar à empresa (bonificações, prêmios ou planejamentos de programas de incentivo) de acordo com os patamares de assiduidade alcançados. Os relatórios podem ser direcionados e planejados conforme  as necessidades e ajustes de cada cliente.

 

            A Agência Um é filiada aos quatro principais órgãos de regulamentação no turismo, o que traduz a seriedade e grau de especialização nesta área. São eles:

 

            ABAV: Associação Brasileira de Agências de Viagens: normaliza a atitude ética das agências de viagens.

 

            EMBRATUR: Empresa Brasileira de Turismo: é o órgão oficial que autoriza a abertura de uma agência de viagens.

 

            SNEA: Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias: é o órgão oficial que habilita a agência a ter crédito direto com as Companhias Aéreas.

 

            IATA: International Air Transport Association. A IATA controla a atividade de venda do serviço aéreo ao público, verifica a correta aplicação da tarifa, recolhe o total dos recebimentos dos revendedores e os distribui entre os transportadores que prestam o serviço.

 

            A Agência Um mantém acordos com hotéis, operadoras companhias aéreas e outros serviços ligados ao turismo, com maiores descontos e benefícios e dispõe de um sistema on line (Galileu) com diversos serviços no Brasil e exterior.

 

            Seu principal objetivo é desenvolver uma política de oferecer serviços compatíveis com as exigências de seus clientes, primando sempre pela qualidade total.

 

            Na próxima seção tem-se, portanto, a análise dos dados coletados.

 

6 ANÁLISE DOS DADOS

 

Nesta etapa são apresentados e analisados o dados coletados por meio de questionários aplicados por entrevista pessoal, junto a 70 pessoas da terceira idade no município de Santa Cruz do Sul.

 

6.1 Análise do perfil da terceira idade (objetivo específico 1):

 

            Nesta parte do trabalho foi analisado o  perfil da terceira idade em relação às seguintes variáveis: localização domiciliar, faixa etária, sexo, grau de instrução, ocupação principal e nível de renda individual.

 

TABELA 6.1.1 – Nível de Renda individual

 

Renda individual

Freqüência

Percentual

Até R$ 400, 00

31

44,3

De R$ 401,00 a R$ 800,00

19

27,1

De R$ 801,00 a R$ 2.000,00

13

18,6

De R$ 2.001,00 a R$ 3.000,00

5

7,1

De R$ 3.001,00 a R$ 5.000,00

2

2,9

De R$ 5.001,00 a R$ 9.000,00

0

0,0

Acima de R$ 9.001,00

0

0,0

TOTAL

70

100,0

Fonte: Dados da Pesquisa

 

 

Nota: As classes sociais foram determinadas conforme o critério de classificação econômica, em termos de faixa de rendimento mensal (quadro 1 – metodologia).

 

Em relação à renda mensal, percebe-se que 44,3% das pessoas entrevistadas pertencem a classe econômica E, 27,1% pertencem a classe econômica D, 18,6% à classe C, 7,1% à classe B2 e 2,9% pertencem à classe B1.

 

De modo geral, percebe-se que o perfil dos entrevistados é composto por pessoas do sexo feminino, residentes em Santa Cruz do Sul. Estão na faixa etária de 66 a 70 anos, possuem o primeiro grau completo, sendo em sua grande maioria aposentados, de classe econômica E (quadro 1), pois 44,3% dos entrevistados recebem até R$ 400,00 por mês.

 

6.2 Análise das preferências da terceira idade em relação a viagens de lazer (objetivo específico 2):

 

Nesta parte do estudo foram analisadas as preferências da terceira idade com relação aos  seguintes itens: acompanhante ideal para viajar, meios de transporte e de hospedagem ideais, época do ano ideal para viajar, local e tempo de permanência preferidos.

 

TABELA 6.2.1 – Locais de preferência

Locais de preferência

Freqüência

Percentual

Praias em geral

44

38,6

Nordeste especificamente

13

11,4

Áreas rurais / Hotéis fazenda

6

5,3

Reservas ambientais / ecológicas

2

1,8

Europa

8

7,0

Cidades culturais / históricas

1

0,9

Lugares com neve

1

0,9

Cataratas de Foz de Iguaçu

3

2,6

Estâncias hidrominerais / terapêuticas

15

13,2

Fernando de Noronha

3

2,6

Balneário Camboriú

6

5,3

Pantanal

9

7,9

Outros

3

2,6

TOTAL de entrevistados

70

-

TOTAL de respostas

114

100,0

Fonte: Dados da pesquisa

 

 

 

No que diz respeito aos locais preferidos para viajar, 38,6% da amostra pesquisada prefere viajar para praias em geral, 13,2% para estâncias hidrominerais, termais ou climáticas com finalidades terapêuticas, enquanto que 11,4% gostaria de viajar para o Nordeste especificamente. Quanto ao Pantanal, 7,9% dos entrevistados gostaria de viajar para lá, 7,0% para a Europa e 5,3% para áreas rurais e hotéis fazendas. Segue-se ainda, 2,6% optaram por Fernando de Noronha, pelas Cataratas de Foz do Iguaçu e pela opção outros lugares e 1,8% para reservas ambientais e ecológicas. Por fim, 0,9% dos entrevistados gostaria de viajar para cidades culturais ou históricas.

 

Cabe ressaltar que o número de respostas é maior que o de entrevistados, pois muitas pessoas assinalaram mais de uma alternativa nesta questão.

 

Analisando-se as tabelas referentes às preferências da terceira idade em relação a viagens de lazer, conclui-se que a maioria dos entrevistados prefere hospedar-se em hotéis, viajar de ônibus e com os amigos (pode-se afirmar, através dos comentários durante as entrevistas, que estes amigos são, muitas vezes, os próprios colegas dos grupos de terceira idade). Eles preferem viajar no verão para praias em geral, permanecendo lá de 4 a 7 dias.

 

6.3 Análise de quanto a terceira idade está disposta a pagar por suas viagens de lazer (objetivo específico 3):

 

Nesta etapa foi analisado quanto a terceira idade está disposta a pagar por suas viagens de lazer, conforme o seu nível de renda individual e de acordo com tempo de permanência ideal nesta viagem.

 

TABELA 6.3.1 – Disposição a pagar por uma viagem de 4 a 7 dias

Disposição a pagar/de 4 a 7 dias

Freqüência

Percentual

Até R$ 200, 00

5

20,0

De R$ 201, 00 a R$ 400,00

4

16,0

De R$ 401,00 a R$ 800,00

7

28,0

De R$ 801,00 a R$ 2.000,00

9

36,0

De R$ 2.001,00 a R$ 3.000,00

0

0,0

De R$ 3.001,00 a R$ 5.000,00

0

0,0

De R$ 5.001,00 a R$ 9.000,00

0

0,0

Acima de R$ 9.001,00

0

0,0

TOTAL de respostas

25

35,7

TOTAL de entrevistados

70

 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

 

Analisando-se o item 6.3, conclui-se que os entrevistados que preferem viajar de 1 a 3 dias, estão dispostos a pagar até R$ 200,00 por suas viagens. Quem optou por uma viagem de 4 a 7 dias está disposto a pagar de R$ 801,00 a R$ 2.000,00, assim como quem optou por uma viagem de 8 a 15 dias e de mais de 16 dias.

 

Conclui-se, portanto, que o máximo que as pessoas entrevistadas da terceira idade estão dispostas a pagar por suas viagens, independente dos dias destas viagens, é R$ 2.000,00.

 

6.4 Análise dos fatores que motivam a terceira idade a viajar (objetivo específico 4):

 

Nesta parte, analisaram-se os fatores que motivam a terceira idade a viajar.

 

TABELA 6.4.1 - Fatores que motivam a viajar/bailes de salão ou folclóricos

Bailes de salão ou folclóricos

Freqüência

Percentual

Muito motivante

25

35,7

Motivante

11

15,7

Indiferente

6

8,6

Pouco Motivante

8

11,4

Nada Motivante

20

28,6

TOTAL

70

100,0

Fonte: Dados da Pesquisa

 

 

A análise dos dados coletados demonstram que os fatores que motivam as pessoas da terceira idade a viajar são: recreação e entretenimento, bailes de salão ou folclóricos, lazer ou férias, convívio social e fazer amizades durante a viagem.

 

6.5 Análise do grau de importância de determinados serviços a serem prestados por uma agência de viagens (objetivo específico 5):

 

Nesta parte do projeto experimental, analisou-se o grau de importância dado pela terceira idade em relação a determinados serviços a serem prestados por uma agência de viagens.

 

Não foi mencionado o nome da Agência Um de Viagens e Turismo nesta questão para não influenciar as respostas dos entrevistados.

 

TABELA 6.5.1 – Serviços a serem prestados/acompanhamento médico durante a viagem

Acompanhamento médico

Freqüência

Percentual

Muito importante

45

64,3

Indiferente

6

8,6

Nada importante

19

27,1

TOTAL

70

100,0

Fonte: Dados da Pesquisa

 

 

 

Conforme as respostas dos entrevistados, os serviços a serem prestados por uma agência de viagens devem incluir o acompanhamento de um médico, de um segurança particular ou de um animador turístico durante uma viagem de lazer. Grande parte da amostra considerou muito importante também que a agência de viagens propicie seguros contra roubos, extravios ou acidentes.

 

Na próxima seção tem-se, portanto, a conclusão e as sugestões.

 

 CONCLUSÃO E SUGESTÕES

 

É evidente que um bom projeto de pesquisa de marketing para as agências de viagens vale o tempo investido nele, pois reduz a possibilidade de se deixar de pesquisar pontos importantes e evita desperdício de recursos.

 

Com a execução deste trabalho, pode-se concluir que o objetivo específico número um foi alcançado, pois conseguiu-se definir o perfil da terceira idade.

 

Em relação ao objetivo específico número dois - identificar as preferências da terceira idade em relação a viagens de lazer - verificou-se que a amostra pesquisada prefere viajar com os amigos (muitas vezes a maioria de seus amigos encontra-se no próprio grupo de terceira idade). Preferem viajar de ônibus, hospedarem-se em hotéis e viajar no verão para praias em geral, permanecendo lá de 4 a 7 dias.

 

No objetivo específico número três, conseguiu-se identificar quanto a terceira idade está disposta a pagar por suas viagens de lazer. Os entrevistados que preferem viajar de 1 a 3 dias estão dispostos a pagar até R$ 200,00 por sua viagem. Quem optou por uma viagem de 4 a 7 dias, de 8 a 15 dias e de mais de 16 dias, está disposto a pagar de R$ 801,00 a R$ 2.000,00.

 

Conclui-se portanto, que o máximo que as pessoas entrevistadas da terceira idade estão dispostas a pagar por suas viagens, independente dos dias desta viagem, é R$ 2.000,00.

 

Com relação ao objetivo específico número quatro - identificar os fatores que motivam a terceira idade a viajar – a análise dos dados coletados comprova que os principais motivos de viagens para a terceira idade são: recreação e entretenimento, bailes de salão ou folclóricos, lazer ou férias, convívio social e fazer amizades durante a viagem.

 

Quanto ao objetivo específico número cinco - verificar o grau de importância de determinados serviços a serem prestados por uma agência de viagens – os entrevistados demonstraram ser muito importante fatores como acompanhamento de um médico, de um segurança particular ou de um animador turístico durante a viagem e que a agência de viagens forneça seguros contra roubos, extravios ou acidentes.

 

Durante algumas entrevistas, descobriu-se, através de depoimentos dos entrevistados, que certas viagens alteram a pressão dos turistas de terceira idade, seja pela diferença de alimentação, quebra de rotina ou pela diferença de ambiente ou de clima da cidade. Esta mudança no cotidiano destas pessoas pode causar enjôos, resfriados ou dores de cabeça.

 

Em um episódio relatado por uma entrevistada, tomou-se conhecimento que, em uma viagem de um grupo de terceira idade, uma turista teve uma alteração brusca de pressão e teve que permanecer em um plantão médico das 14 horas às 22 horas, por falta de um médico que acompanhasse o grupo de viagem.

           

Algumas responsáveis pelos grupos de terceira idade aconselharam a levar junto nas viagens, alguns medicamentos para dores no fígado e nos rins, assim como sedativos e analgésicos. Alertaram também para se ter cuidado com emoções fortes ao reencontrar parentes, amigos ou filhos.

 

Alcançando-se todos os objetivos específicos deste trabalho, pôde-se chegar ao objetivo específico número seis, que se tratava em propor, para a Agência Um de Viagens e Turismo, programas turísticos específicos para a terceira idade. Sugere-se a elaboração de pacotes turísticos no verão, envolvendo todos os participantes dos grupos de terceira idade, para praias em geral, com duração de 4 a 7 dias. Estes pacotes devem incluir transporte de ônibus e hospedagem em hotel e propiciar recreações e entretenimentos, como bailes de salão ou folclóricos, lazer e convívio social.

 

Cabe ressaltar que para o desenvolvimento do turismo para a terceira idade, os agentes de viagens devem considerar a qualidade de vida dessas pessoas, seu bem estar psicológico, suas realizações pessoais e sua saúde, assim como suas limitações.

 

À medida do possível, devem ter oportunidade de participar da escolha e organização dos roteiros, inclusive o tempo destinado às atividades deverá ser por eles determinado, pois, afinal, viveram cumprindo horários e prazos e agora têm todo o direito de decidir como usarão o tempo livre.

 

Sugere-se que um médico, um segurança particular ou um animador turístico acompanhe o grupo durante a viagem. Constatou-se também, através da análise dos dados coletados, que é importante que a agência de viagens propicie seguros contra roubos, extravios ou acidentes.

 

Outra proposta relevante é a contratação de guias de turismo capacitados para o acompanhamento de grupos de terceira idade em viagens. O Serviço Social do Comércio no Estado do Rio Grande do Sul – SESC/RS, através do Centro de Referência do Envelhecimento – CRE, promove cursos de qualificação profissional, cabendo destacar o Curso Viajando com Idosos. O objetivo é proporcionar uma integração dinâmica e agradável do grupo de viajantes, estimulando a autonomia e os contatos interpessoais da terceira idade (Araujo, 2001). 

 

Se estimulados, desenvolvem sua auto-estima, interpretando a velhice como mais uma fase a ser bem vivida, o que gera um comportamento ativo e participativo.

 

O valor deste pacote turístico específico para a terceira idade deve variar de R$ 801,00 a R$ 2.000,00, dependendo da duração desta viagem, do local visitado e dos serviços oferecidos pela Agência Um de Viagens e Turismo.

 

O presente trabalho teve como objetivo geral identificar o perfil, as preferências e as motivações da terceira idade em relação a viagens de lazer.

 

Os dados coletados revelaram que a grande maioria dos entrevistados pertence ao sexo feminino. Isto se deve ao fato de as entrevistas terem ocorrido em grupos de terceira idade.

 

Conversando com as responsáveis por estes grupos, constatou-se que a maioria destas mulheres freqüentadoras dos grupos de terceira idade, já são viúvas e que muitos homens não freqüentam estes tipos de grupos por sentirem vergonha de realizar algumas atividades, como danças, brincadeiras, jogos de memória, estafeta, danças do ventre e dinâmicas gerais.

 

Algumas responsáveis por estes grupos de terceira idade reclamaram da dificuldade em conseguir homens para formarem par com as mulheres nas atividades de danças. Em razão desta dificuldade, as mulheres têm que formar par com outras mulheres.

 

Ainda com relação ao perfil da terceira idade, constatou-se que estas pessoas residem em Santa Cruz do Sul, encontram-se na faixa etária de 66 a 70 anos, sendo que possuem o primeiro grau completo, são aposentadas e pertencem à classe econômica E (quadro 1), pois suas faixas salariais variam até R$ 400,00 por mês.

 

No que se refere às preferências da terceira idade em relação a viagens de lazer, verificou-se que a amostra pesquisada prefere viajar com os amigos (muitas vezes a maioria de seus amigos encontra-se no próprio grupo de terceira idade). Preferem viajar de ônibus, hospedarem-se em hotéis e viajar no verão para praias em geral, permanecendo lá de 4 a 7 dias.

 

Analisando-se os dados coletados, percebe-se que os fatores que motivam a terceira idade a viajar são: recreação e entretenimento, bailes de salão ou folclóricos, lazer ou férias, convívio social e fazer amizades durante a viagem.

 

O conhecimento das características do público de terceira idade, como idade, disponibilidade de renda, preferências por meios de transportes e de hospedagens, disposição a pagar por suas viagens aos locais preferidos, preferências e motivações em relação a viagens de lazer, permite otimizar os investimentos em desenvolvimento e promoção dos produtos turísticos, além de conhecer as condições de consumo destes clientes potenciais da Agência Um de Viagens e Turismo e a melhor forma de atendimento e de venda.

 

As agências de viagens precisam tomar decisões sobre as atividades de marketing e essas decisões devem se apoiar em informações, que devem ser precisas, de fácil acesso e adequadas ao problema decisório do momento.   

 

Portanto, com os dados adquiridos através da aplicação dos questionários, a Agência Um de Viagens e Turismo tem condições de fazer uso dessas informações e direcionar suas ações mercadológicas com maior precisão para este importante e emergente segmento do mercado turístico, a terceira idade.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 1 – ARAUJO, Cleida Maria Silva. Turismo para a terceira idade: refletindo o futuro. Turismo: Visão e Ação. Universidade do Vale do Itajaí: UNIVALI. Programa de Pós-Graduação em Turismo e Hotelaria – Mestrado, ano 3, n.7, 2001, p.20.

 2 - BARBETTA, Pedro Alberto. Estatística aplicada às Ciências Sociais. Florianópolis: UFSC, 1994. 283p.

 3 - BARRETO FILHO, Abdon. Marketing turístico. Porto Alegre: SEBRAE/RS, 1999. p. 17

 4 - BENI, Mário Carlos. Análise Estrutural do Turismo. São Paulo: SENAC, 1998. 427p.

 5 - BRASIL EM FOCO. Acesso em 19 de junho de 2001. http://www.aquanet.com.br/brafo10.hm

 6 - DENCKER, Ada de Freitas Maneti. Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo. São Paulo: Futura, 2001. 286 p.

 7 - FADIMAN, J.; FRAGER, R. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 1986. 393 p.

 8 - KOTLER, Philip. Administração de marketing: análise, planejamento e controle. São Paulo: Atlas, 1974.

 9 - MATTAR, Fauze Najib. Pesquisa de Marketing. São Paulo: Atlas, 1992. 336 p.

 10 - MOLETTA, Vânia Florentino. Turismo Para a Terceira Idade. Porto Alegre: SEBRAE/RS, 2000. 58 p.

 11 - VAZ, Gil Nuno. Marqueting Turístico: receptivo e emissivo: um roteiro estratégico para projetos mercadológicos públicos e privados. São Paulo: Pioneira, 1999. 295 p.

12 - WEINSTEIN, Art. Segmentação de Mercado. Tradução de Celso A. Rimoli. São Paulo: Atlas, 1995. 314 p.

Autor:
Darci Waechter Junior
Bacharel em Turismo pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC
Santa Cruz do Sul - RS

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