O Meio Ambiente a Nosso Favor - Abr/05

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Muitas polêmicas envolvem o turismo em áreas naturais, um dos diversos segmentos em crescente exploração e expansão não só no Brasil como em todo o mundo.
O ecoturismo tem adquirido um grande impulso, especialmente com o mercado visando o incremento da oferta turística com base no patrimônio natural.
Neste século, a questão ambiental vem integrando debates governamentais e mobilizando a sociedade civil.

Dentre diversos temas abordados pelos especialistas e estudiosos das áreas relacionadas ao meio ambiente natural, fala-se, freqüentemente, sobre preservação, aliada a um planejamento minucioso e a sustentabilidade. Amenização dos impactos, envolvimento da comunidade local, conscientização ambiental e turística e conhecimento da legislação são alguns dos assuntos constantemente discutidos. Entretanto, o Brasil ainda está muito atrás de países que também trabalham com este segmento. O que poderia estar errado?

A começar pelo conceito de preservação, é possível afirmar que muitos destinos têm assimilado-o erroneamente. O novo dicionário Aurélio define preservar como: “Livrar de algum mal, manter livre de corrução, perigo ou dano; conservar. Livrar, defender, resguardar”. À moda brasileira, entretanto, aparentemente significa “manter intacto”, “deixar como está”.

Tomemos Fernando de Noronha como um destino modelo de preservação nacional. Além do controle de capacidade de carga, é cobrada uma taxa de preservação, que varia de acordo com o número de dias que o turista permanecerá no arquipélago. Esta (alta) taxa deveria ser usada para estes fins, mas nem sempre é o que observamos. É indiscutível que Fernando de Noronha procura desenvolver um turismo sustentável no local e, dentre diversas medidas tomadas, há a preocupação com a conscientização ecológica, através de palestras diárias ministradas pelo Ibama, ou a proibição em mergulhar e/ou visitar algumas das praias, (radicalismo?), por exemplo. Entretanto, das 10 fortalezas que existiam, resta apenas uma, em estado razoável. As demais viraram ruínas ou foram tomadas pela natureza. E nada foi ou tem sido feito para alterar a situação atual. As trilhas esburacadas tipificam esse conceito errôneo de preservação, subentendido como abandono ou descaso, enquanto deveria ser sinônimo de manutenção da condição já existente, para que perdure ao longo do tempo. Quando não agimos, a natureza se encarrega de reintegrar o que havia sido modificado pelo homem.

O Parque Nacional da Serra Geral, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pode ser citado como outro exemplo típico. Embora constitua um ecossistema de rara beleza, até mesmo moradores da região desconhecem seus atrativos. Além da pouca divulgação, a total ausência de infra-estrutura do local e o acesso (dificílimo em função da precariedade das estradas), agravam sobremaneira a situação. Para visitar os canyons é necessário percorrer, no mínimo, 22 km de estradas de terra e pedra em estado de conservação muito (mas muito...) precário. Não restam dúvidas de que estes fatores tenham colaborado para a preservação do local, mas uma região tão privilegiada parece esquecida. No mínimo, mereceria uma estrada asfaltada que não transportasse tanto pó à natureza em seu entorno.

Se o Brasil busca, de fato, destacar-se como destino ecológico internacional, deve rever alguns “conceitos básicos” mas não menos importantes relacionados ao meio ambiente natural. Encarar o ato de preservar considerando sua denotação primária, e associá-la a processos de conscientização e fiscalização, certamente atuarão como prerrogativa para o desenvolvimento de um turismo sustentável e lucrativo.

“Deixar como está”, na maioria das vezes, não é a melhor maneira de preservar. A natureza nos abençoou com suas paisagens, mas cabe ao homem a tarefa de prover a infra-estrutura e estudar a maneira ideal de admirá-las sem destruí-las, ajudando inclusive a preservá-las. Até o ponto em que chegamos, nem sempre a natureza será capaz de cuidar disto sozinha.

Autor:
Kethleen Holthausen
Universidade Federal do Paraná
Departamento de Turismo do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes - Curso de Turismo.

 

 

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