Livre discurso sobre o turismo - Abr/05

Voltar

Tudo bem. Passada a onda em que o turismo se encontrava na década de 90 com o titulo de atividade salvadora da economia de paises exuberantes tais como o Brasil ou ainda a chamada industria branca ou ainda industria sem chaminés, faremos aqui um breve discurso sobre o fenômeno multirepercutivo após a onda de jargões na qual o mesmo esteve imerso.

Pois bem o turismo não salvou o Brasil e nem esta perto de salvar, e digo isso como residente e estudante de Turismo Brasileiro e residente e não autóctone do estado do Espírito Santo.

O postulado do poder público, mídia em geral, organizações, iniciativa foi grande, mas não bastou porque esqueceram de inserir o turismo no contexto social, cultural geográfico, histórico, urbanístico, infra-estrutural e logístico do local destinado a ser instalado os equipamentos super heróis do estado (aqui tomando o ES como exemplo).

De certo os cifrões sempre estiveram a ofuscar a visão dos agora na mais recente moda de jargões empreendedores do turismo. Suas perspectivas de sucesso não foram alcançadas, e os que tiveram êxito, são cientes do prazo de vida útil de seus produtos turísticos que se não se adaptarem a realidade na qual estão inseridos não iram muito longe.

O Espírito Santo, guarda locais de extrema beleza cênica e cultural ocasionados pela enorme diversidade encontrada no estado, mas não é só esse o requisito para tornar o ES uma potência turística.

O estado através de sua secretaria de desenvolvimento econômico e turismo implantou e divulgou não sei para quem e para que diversas rotas turísticas (que ninguém utiliza me corrija com números se eu estiver errado), preocupado em tornar o ES, mas um destino do circuito turístico nacional, até ai tudo bem esse deve ser o objetivo da secretaria, objetivo esse que não deve desencadear ações que beiram a desconfiança. A preocupação com o turismo pelo poder público estadual é no mínimo duvidosa, pois não temos sequer uma secretaria única e exclusivamente para assuntos voltados ao turismo.

Gostaria também de colocar o seguinte: Temos que desenvolver a sensibilidade de que derrepente não possuímos tantos atrativos naturais litorâneos como o Rio de Janeiro e a Bahia, que fazem divisas com nosso estado e conseqüentemente brigam pela mesma fatia de mercado, no entanto possuímos outras características interioranas dignas de maior destaque. Assim ao invés de fazermos propagandas de rotas sem estruturas, porque não promover o turismo como fator de desenvolvimento social?

O turismo não é a atividade que vai ser responsável pela maior porcentagem do PIB interno capixaba, no entanto podemos utiliza-la para promover o desenvolvimento dos municípios e ajudar o Brasil a melhorar sua posição no índice de desenvolvimento humano (IDH), porque por mais que tenhamos constatado os prejuízos do turismo mal planejado temos que admitir que ele pode servir como mola propulsora para a melhoria de vida de pequenas e médias comunidades capixabas tais como Regência, Pedra Azul, Itaúnas e outras.

Porem temos que cobrar da secretaria uma maior visão administrativa, no trato do turismo capixaba, pois sabemos que o estado pode utilizar o turismo para melhorar a vida dos municípios e não melhorar a vida dos mesmos até hoje os incansáveis agora com nomes novos os atuais empreendedores do setor.

É claro que quando falo em turismo e desenvolvimento social, não estou falando de incentivar a vinda de hotéis 05 estrelas e restaurantes de padrões internacionais, mais sim aliar a beleza dos locais do espírito santo, com possibilidades dos próprios residentes incrementarem ou mesmo criarem seus equipamentos de infra estrutura, hospedagem e lazer ao visitante, através de linhas de credito ou parcerias com a iniciativa privada na qual os residentes teriam condições de melhorar sua estrutura local.

Esse meio de crescimento vai de encontro com o objetivo das autoridades sejam elas públicas ou privadas que enxergam no turismo a chance de única e exclusivamente obter lucro, porem o lucro desejado não acompanha a melhoria de vida dos residentes, basta olhar e ver onde estão os autóctones das mais badaladas praias e montanhas brasileiras.

Não estudei e não estudo para, fazer parte desse mercado turístico atual, estudo sim, mas para transpor a barreira da ganância pelo reinado da equidade sócio econômica, realidade essa que não seria utópica se conseguíssemos apoio de espécies em extinção de políticos, exemplares inteligentes e interessados em promover desenvolvimento de longo prazo no turismo capixaba e conseqüentemente brasileiro.

Autor:
Daniel da Rocha Ramos
Aluno de Turismo da Faculdade Estácio de Sá de Vitória - ES.

 

 

Mande o seu artigo também, clicando na cartinha 
ao lado, e promova seu trabalho expondo-o aqui!

Voltar