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A Imagem do Brasil no exterior - Jun/06

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O Brasil tem vivido uma situação ambígua no que diz respeito ao turismo.

O número de turistas estrangeiros, crescendo a cada ano, o que é bom para a economia, mas a proliferação do turismo sexual e a exclusão social crescendo juntas com a violência, fazendo parte das manchetes do mundo inteiro, comprometendo assim o resultado dos esforços do governo em promover o crescimento econômico e o desenvolvimento do turismo no Brasil.

A imagem do Brasil, no exterior, está estereotipada, embora medidas quanto à propaganda e publicidade, bem como a prostituição infanto-juvenil nos principais pólos receptivos, estejam sendo tomadas pela Embratur e o Ministério do Turismo, através de campanhas de conscientização.

O desafio de construir uma marca que seja assumida por todo o país, para superar o equívoco que nos últimos vinte anos tem sido a imagem do Brasil, ganha vida com a criação da Marca Brasil que passa a representar além da imagem do turismo, a de seus principais atributos de exportação. Resultado do Plano Aquarela, o primeiro na história do país, a nova marca será aplicada em todo o programa de promoção, divulgação e apoio à comercialização dos produtos, serviços e destinos turísticos brasileiros, no exterior, (todo o processo de elaboração e escolha da marca está no site da EMBRATUR).

A proposta da Marca Brasil é intensificar o marketing turístico do Brasil no exterior e nada representa melhor o país que a curva, a sinuosidade e as cores: verde (florestas), amarelo (calor, luz, clima), azul (céu e águas), branco (religião), vermelho e laranja (festas populares), conforme EMBRATUR.

A alegria é o principal valor do brasileiro e este, o maior patrimônio do Brasil e isto salta aos olhos do turista que motivado a vir pela natureza, vai encantado pela hospitalidade e depois volta para conhecer outros lugares.

A Embratur pretende fazer do Brasil um destino de turismo ecológico, ressaltando o valor do seu patrimônio natural composto de praias, parques, florestas, porém não pode pensar nisso apenas como uma indústria geradora de dólares, e sim, um fenômeno social que atinge a camada mais pobre da sociedade, pois estes serão os primeiros a abandonar suas casas, por um preço irrisório para dar lugar aos hotéis ou resorts que ali serão construídos; estes serão os primeiros a ficarem desempregados, se não estiverem preparados para as mudanças, ou não forem conscientizados dela, o que fatalmente fará surgir mais violência, mais prostituição, até mesmo de crianças, e então voltaremos ao início e nos perguntaremos porque estrangeiros vêm ao Brasil para a prática do turismo sexual; ou porquê a violência cresce a cada dia no nosso país, e o alto índice de desemprego, qual a causa dele?

Quanto ao turismo sexual, alguns periódicos já anunciaram que existe a demanda porque a oferta é grande, outros, inclusive, mostram anúncios de agentes de viagens, nacionais e internacionais, oferecendo, inclusas no pacote de viagens, companhias femininas ou masculinas, cada vez mais jovens.

A mídia valoriza a violência e tudo que acontece de negativo, bem sabemos que o país não é apenas isto, mas como em todo o mundo, os fatos acontecem e somente os piores serão lembrados e noticiados.

O turismo vive do imaginário; vende imagens, por esse motivo é tão importante ter, manter e transmitir uma boa imagem, sobretudo aos desconhecidos. Qual a imagem do Brasil no exterior?

IMAGEM DO BRASIL NO EXTERIOR

Desde a sua descoberta até o século XIX, predominou uma imagem associada à grandeza de território, abundância de vida selvagem e sensualidade como dotes naturais, graças aos relatos que começaram pela carta de Pero Vaz de Caminha e outros tantos viajantes e colonizadores que por aqui passaram. Já como dotes adquiridos destaca-se o desenvolvimento da vida urbana, patifaria, malandragem, jeito brasileiro, indolência, musicalidade e cordialidade, e isto não é apenas pensamento do estrangeiro, mas uma visão projetada pelos brasileiros.

Apesar dos primeiros documentos terem sido escritos por europeus, a literatura, arte, cultura e música são passados aos outros países por brasileiros assim como os grandes problemas sociais: violência, miséria e desigualdade social.

1. Cultura – Literatura e Cinema Brasileiro

Desde o século XIX, a literatura brasileira é marcada pela denúncia à hipocrisia e desigualdade social, retratando a alta sociedade carioca com todas as suas belas fantasias de amor. José de Alencar passa da exaltação ao índio, seus costumes e crenças opostos à imagem do homem branco corrompido pela civilização nas obras: O Guarani e Iracema, às mulheres, ora, belas e sensuais em Lucíola e Senhora, ora, submissas e sem valor em O Gaúcho.

Machado de Assis aborda o adultério, na obra Dom Casmurro, e em Quincas Borba, o casamento visto como forma de favores, as mulheres são sedutoras, fatais e dominadoras, elas estão presentes em cerca de duzentos contos machadianos, enquanto Bernardo Guimarães relata as agruras da escravidão em Escrava Isaura, romance que ficou mundialmente conhecido em forma de novela, embora idealizada de forma distorcida, já que a escrava heroína é branca e descrita com traços europeus.

Álvares de Azevedo se expressa através de amores e fortes lampejos de sensualidade representada pela mulher ideal e distante.

Gonçalves Dias, no entanto, deu um toque brasileiro à poesia romântica, suas musas parecem se fundir às belas imagens e fragrâncias da natureza. Escreveu a Canção do Exílio, obra-prima de nossa literatura.

Pode-se afirmar que uma parte importante do romance da década de 30 centralizou-se em torno do universo rural em declínio ou já desaparecido. A tradução deste processo social deu-se em diversos núcleos temáticos.

A ascensão e queda dos "coronéis": “Bangüê” e “Fogo Morto", de José Lins do Rego; e “O tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, por exemplo. Os dramas dos trabalhadores rurais em “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Ambos correspondem a uma impugnação da realidade fundiária nordestina, opressiva e excludente .

E assim tantos outros que escreveram, sofrimento de ex-escravos ou seus descendentes, do Nordeste e seu povo.

Jorge Amado, conhecido internacionalmente, relata a opressão do negro, do pobre e do trabalhador nas zonas cacaueiras e urbanas e a ganância dos coronéis da Bahia; são obras de forte apelo social: Suor, Capitães de Areia e o País do Carnaval. Pertencem ao “Ciclo do Cacau”: Terras do Sem Fim e São Jorge dos Ilhéus. A última fase de sua literatura compõe-se de: Depoimentos Líricos e Crônicas de Costumes e os temas giram em torno de “rixas e amores” e a sexualidade da mulher brasileira. Mesmo tendo Ilhéus e problemas políticos como fundo, “Gabriela, Cravo e Canela” retrata um tema mais “pitoresco e apimentado”. Ainda, várias obras suas transformaram-se em novela ou filme como “Tieta do Agreste” e “Dona Flor e seus Dois Maridos”.

Ainda, nos anos 30 Gilberto Freyre, escreve Casa-Grande & Senzala:
O ambiente em que começou a vida brasileira foi de grande intoxicação sexual. O europeu saltava em terra escorregando em índia nua. Os próprios padres da Companhia precisavam descer com cuidado, se não atolavam o pé em carne”. Trecho de Casa-Grande & Senzala.
Sua obra polêmica relata, claramente como eram tratados os escravos, sobretudo, as mulheres que tinham que se prestar a todo tipo de serviço.
Na literatura brasileira contemporânea vamos encontrar a partir da década de 50, escritores como João Cabral de Melo Neto com a obra Morte e Vida Severina; mostra a miséria do nordestino; Ferreira Gullar, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, e o principal assunto abordado é a tristeza e a solidão de quem deixa a terra natal, para viver nas grandes cidades, sobretudo os que fogem da seca do Nordeste. Também a vida da classe média urbana é retratada nas crônicas de Luiz Fernando Veríssimo. Revelando as contradições amorosas, sexuais, espirituais que se prestam à tragédia humana. Nelson Rodrigues escreve obras polêmicas, que fazem sucesso também no teatro como: Vestido de Noiva e Toda Nudez será Castigada
Em 1996, Darcy Ribeiro, escreve em O Povo Brasileiro:
"Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre marcados pelo exercício da brutalidade sobre aqueles homens, mulheres e crianças. Esta é a mais terrível de nossas heranças. Mas nossa crescente indignação contra esta herança maldita nos dará forças para, amanhã, conter os possessos e criar aqui, neste país, uma sociedade solidária".
Muitas obras literárias transformaram-se em filme ou telenovela, fazendo com que estas ficassem conhecidas, não só no Brasil, mas, no mundo, assim como seus respectivos escritores.

O cinema brasileiro passa por fases diversas desde o início do século, incluindo documentários e melodramas como “A Cabana do Pai Tomás” e “A Moreninha” e produções regionais com personagens que lembram jangadeiros, cowboys, coronéis e cangaceiros, no entanto, nada com qualidade suficiente para concorrer com as produções estrangeiras.

Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Franklin Roosevelt era presidente dos Estados Unidos entraram em cena alguns personagens que contribuiriam para a política da boa vizinhança: os brasileiros tinham que ser convencidos de que o jeito americano de viver era o ideal da democracia e os americanos deveriam crer que os brasileiros eram inofensivos amantes de samba e das mulatas.

Carmen Miranda foi um ícone do período.

A artista saltou do teatro para o cinema, estreando com “Down Argentine Way”, em português “A Serenata Tropical”, um fracasso em Buenos Aires. Os estereótipos mostrados nos filmes produzidos pelo cinema comercial americano, mostravam os preconceitos em relação à América Latina. Confundir tango com rumba era deselegante e ao mesmo tempo misturar o decantado clima europeu de Buenos Aires com noches calientes de Havana ou do Rio de Janeiro era desconsideração até mesmo com a geografia.

No Brasil, Carmen Miranda era tida como “americanizada”, o povo queria vê-la representando outros personagens, sem tantos balangandãs e o imenso turbante. A revista O Cruzeiro publica uma dura crítica sobre a performance de Carmen Miranda em seu segundo filme, rejeitar “a pequena notável” como era chamada era uma forma de rejeitar também a imagem do Brasil que “dava certo lá fora”.

Outro ícone da cultura brasileira, responsável pela imagem do Brasil, lá fora é Zé Carioca, uma criação da empresa de entretenimento Walt Disney, que mostra o carioca como malandro, que com pouco trabalho, muita música e dança, faz trapaças e leva vantagens sobre as pessoas. Nas histórias do personagem, ele prefere passar horas elaborando algum plano ou se dar bem e passar a perna nos outros sem nenhum esforço. Divulga uma imagem simplista de que todo carioca é malandro e não gosta de trabalhar.

O personagem brasileiro é um papagaio verde, falastrão, simpático e malandro, vestido com fraque, guarda-chuva e chapéu de palha inspirado num tipo popular do Rio de Janeiro na década de 40 – “o Dr. Jacarandá”. A música “Aquarela do Brasil” se consagra nesta época.

Nos anos 60, “O Pagador de Promessas”, é a primeira indicação ao Oscar como filme estrangeiro, e ganha a Palma de Ouro de Cannes, mostra, no entanto, um retrato do Brasil de pobreza e ignorância de seu povo.

Na década de 80, o cinema acumula alguns prêmios em festivais, porém, de 1976 a 1987, a maior bilheteria é a de “Os Trapalhões”. Uma fase difícil que se inicia com a extinção da Embrafilme, empresa criada pelo governo em 1969 para financiar o cinema nacional, só melhora em 1995, quando o Brasil faz co-produções com Portugal e Estados Unidos e o governo cria uma lei de incentivo cultural. Surgem “Carlota Joaquina” “Central do Brasil” e “Cidade de Deus”, filmes que retratam a pobreza do nordeste e a violência nas favelas cariocas.
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Como se vê, nestes exemplos, uma imagem é formada, envolvendo a assimilação de informações verdadeiras ou não, sobretudo por quem não conhece o país.

No entanto, uma produção americana, em 1999 demonstra claramente esta imagem, com título original “Woman on Top” e em português “Sabor da Paixão”, classificado como comédia romântica, este filme conta a história de Isabella (Penélope Cruz) e Toninho (Murilo Benício), um casal apaixonado, dono de um restaurante na Bahia.

Ela é quem possui os dotes culinários, porém, ele, como bom galanteador que é, colhe os méritos. Quando descobre a traição do marido, Isabella, muda-se para São Francisco e decide dar um novo rumo à sua carreira. A cumplicidade entre alimentos e sentimentos é visível, pois, Isabella, apresenta um programa de culinária na televisão americana, com um toque de ingênua sensualidade e não ensina apenas as receitas típicas brasileiras, mas a essência de cada ingrediente com todo sentimento que dele transpira.

Entre os estereótipos reforçados pelo cinema existe aquele que o Brasil é um “local de fuga”. Foge-se para o Rio de Janeiro, capital que tem a imagem de abrigo da contravenção internacional, que é a representação urbana do Brasil com: a mulata, o sambista, a mãe de santo e o malandro, permeados de problemas sociais como drogas, prostituição, violência, a polícia e delinqüência infantil, .

A cidade do Rio de Janeiro, além disto, foi cenário de grande parte das obras citadas, assim como a região Nordeste e o estado da Bahia e é também cenário do maior espetáculo do Brasil, tido como o maior atrativo para muitos estrangeiros: “O Carnaval”.

2. Carnaval, futebol e samba

“O Carnaval: quatro dias loucos, os quais deveriam ser evitados pelo turista. Durante esses quatro dias não existe mais nada no Rio de Janeiro. Os hotéis mesmo que tenham sido reservados com antecedência de um ano, não se preocupam em afirmar, com desprezo que não possuem mais o lugar reservado. As tarifas não valem mais. A coreografia é perfeita. Porém, é muito cansativo e são muitos os riscos. É como ir para a guerra. Acontece de tudo, cada ano tem centena de mortos, milhares de casos de violência, furtos, facadas, intoxicações derivantes do álcool. Os hospitais lotam, a polícia quase sempre presente, desaparece”

O carnaval também é associado à liberação sexual, nestes dias se esquece todos os demais problemas existentes no país, são quatro dias de total loucura, para o estrangeiro: 96 horas de total frenesi.

A cobertura dada pela imprensa falada e escrita a este evento revelam um Brasil exótico e erótico, já que se preocupa em mostrar a sensualidade e a luxúria para obter maior audiência, assim como fazem jornais e revistas com fotos e reportagens à respeito do Carnaval. Assim a sensualidade, a música, a dança e os mais íntimos desejos se realizam durante o carnaval e no Brasil, sobretudo na cidade do Rio de Janeiro, maior cartão postal do país, a imagem de um paraíso onde tudo é permitido é a que se sobressai.

Mas, a despeito disto, o Carnaval é uma festa onde pode se aprender muito, para muitos participantes das escolas de samba é uma indústria onde se trabalha o ano todo para em fevereiro ver sua escola desfilar e mostrar o trabalho de milhares de brasileiros, verdadeiros artistas na confecção de fantasias e carros alegóricos, sem citar o samba-enredo e todas as alas ou grupos que compõem a apresentação. É um verdadeiro espetáculo de cores e brilho passando pela avenida chamada de “Sambódromo”.

No Rio de Janeiro acontece na Avenida Marquês de Sapucaí e em São Paulo, na Avenida Olavo Fontoura, no Anhembi. Em outras cidades menores, existe o carnaval de rua, em todo o Brasil. Na Bahia, na cidade de Salvador, em Recife e Olinda, no Pernambuco existem os trios elétricos, que são caminhões adaptados com som que desfilam pela avenida, levando o povo que nestes dias são chamados de foliões.

Outro espetáculo, mostrado por todas as escolas de samba, no Rio de Janeiro e em São Paulo é a tradicional Ala das Baianas e o carro principal da escola que traz seu nome, o Abre-Alas, entre outros grupos, são expressão da alma brasileira, mostrando criatividade, inventividade e trabalho coletivo, para a realização desta festa tão grande que é o Carnaval.

Quanto ao futebol, ainda é o melhor do mundo, segundo alguns comentaristas esportivos nacionais ou estrangeiros, porém, tem sido uma fonte de enriquecimento injusta, já que supervaloriza o atleta, pagando um preço muito alto por seu passe, sobretudo quando este vai jogar no exterior, o que sugere uma inversão de valores, pois muito deles não tem formação escolar para expressar-se numa entrevista, por exemplo. Além disso, existem inúmeros campeonatos durante o ano, o que tem permitido a corrupção e certos constrangimentos também neste setor, e com certeza, fatos como estes ficam conhecidos, internacionalmente. Apesar de termos “Pelé”, o maior jogador de todos os tempos, a situação do futebol no Brasil, atualmente, não permite que o país mereça ser chamado de Terra do Futebol.

“O futebol no Brasil não é um esporte. É o jogo da bola, da malícia e do drible. É o jogo que reflete a própria nacionalidade de uma terra dominada pela paixão da bola. No espaço do jogo, o futebol brasileiro é capaz de esquecer o próprio objetivo do gol, convicto de que a virtude sem alegria é uma contradição. Ganhemos a copa ou não, somos os campeões da paixão despertada pela bola!”. (trecho extraído do livro “O Brasil, o País do Futebol”de Betty Milan.)

Carnaval e o futebol são motivos de alegria, torcer pela escola de samba favorita ou pelo time preferido são rotinas na vida de um povo que convive com violência, pobreza, desigualdade social e corrupção, temas tratados nas reportagens de turismo em todo o mundo e também no Brasil.

3. Outros Estereótipos, Desigualdade Social, Violência e Corrupção

John Swarbrooke observa que nos guias de turismo encontram-se informações a respeito da violência no Brasil e que isso acaba gerando uma imagem negativa do país O Rio, de Janeiro, hoje é uma cidade violenta, os guias alertam para que os turistas evitem a cidade e para o fato de que o país não preserva seu patrimônio.

Em reportagens a respeito do Carnaval, jornalistas incluem uma espécie de guia para o turista que queira enfrentar os quatro dias de folia, dando conselhos a serem seguidos; explica o que é o sambódromo; melhores dias e horários para ver os desfiles; preços; aconselha que o turista saia às noites, sem documentos, jóias ou valores.

Em um outro exemplo de dicas para o turista que viaja para a Amazônia, é proposto um guia com informações, do qual faz parte um pequeno dicionário onde explicam o que é rede de dormir, pororoca, caboclos, garimpo, borracha e oferece conselhos como: não confiar demais nos serviços turísticos da região; levar consigo uma rede de dormir e uma tela para mosquitos; levar soro antiofídico, calçar sapatos de cano alto e impermeáveis; vacinar-se contra malária e febre amarela, entre outros.

O brasileiro é visto como espertalhão e o comércio é uma organização que visa capturar o turista a qualquer custo, todos estes discursos são pertinentes à realidade brasileira embora inibam o número de turistas. Reportagens na televisão mostram turistas sendo roubados e espancados ou ainda sendo enganados na hora de comprar uma simples cerveja ou um souvenir.

Poucas são as cidades conhecidas no exterior, entre elas: São Paulo, grande metrópole, Rio de Janeiro, sensual e maravilhosa, a Praia de Copacabana é o lugar onde se joga o melhor futebol do mundo, porém onde se encontram inúmeras favelas e um grau de violência elevada, a Bahia, mística e religiosa, especialmente Salvador, conhecida pelos orixás, deuses da água e do fogo e a Amazônia com seus mitos, grandiosidade e descrições bizarras como:

“...árvores que caminham, plantas e animais monstruosos e sobrenaturais.... Pássaros que podem levar à loucura, vampiros que adormentam suas vítimas com o bater das asas.....Olhos vivos plantados na terra úmida geram plantas como o guaraná. Virgens soterradas, das tribos indígenas, concebem sem parir...”


O Brasil é por assim dizer uma terra de contrastes, como declara o jornalista à revista italiana Tutto Turismo no seguinte trecho:

“Terra de contrastes, maravilhosa e desesperada, destruidora, passional. É preciso viver e entender o Brasil antes, para depois amá-lo. Nele se encontra de tudo e o contrário de tudo. É selvagem como sua floresta amazônica e fascinante como suas mulatas, tremendamente pobre, embora imensamente rico, pagão nos ritos do candomblé, embora rigorosamente religioso. É o país das duas almas, de dois mundos que quase se tocam, mas que se encontram somente uma vez, quando começa o carnaval. E então é felicidade”.

Mas são apenas quatro dias de felicidade, e o restante do ano? Desigualdade e exclusão social, provenientes da falta de oportunidades, empregos, uma boa educação gratuita e maior preocupação dos governantes com investimentos no que diz respeito ao social e aos menos favorecidos, mais trabalho, menos corrupção, em todos os setores é necessário para que o povo brasileiro também trabalhe em prol da melhoria do país e conseqüentemente de sua imagem.

“O Brasil não é um país pobre, mas tem um número excessivo de pobres. É que apesar do seu alto grau de desenvolvimento, que o coloca entre as onze maiores economias do mundo, e a renda per capita de sua população, superior a de 75% da humanidade, 53 milhões de brasileiros vivem na pobreza. Pior: desse enorme contingente, 22 milhões encontram-se em condição de miséria”.

O fato é que essa desigualdade social gera, além de violência, outros problemas sociais: prostituição infanto-juvenil e turismo sexual, considerados crimes. Pesquisas realizadas no Nordeste mostram que a cada ano que passa, aumenta a prática de menores, que em 1994 era de 41% de garotas menores de 18 anos, em 2003, 49% começam antes de completarem 15 anos.

Os professores de Turismo Bayard Boiteaux e Maurício Werner da UniverCidade como apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro e da RioTur coordenaram uma pesquisa sobre o Impacto do Turismo Sexual na cidade e obtiveram os seguintes números: Foram entrevistados 140 turistas estrangeiros que buscavam a prática na orla marítima e 20 garotos de programa, além de 20 garotas de programa.

Dos 140 turistas, 85% são do sexo masculino e 15% do sexo feminino; 40% tinham entre 40 e 50 anos e 60%, apenas o ensino médio. Os turistas eram alemães, suíços, portugueses e italianos em sua maioria, 70% deles viajavam por conta própria e 50% hospedaram-se em hotéis. Apenas 30% confirmaram a prática do turismo sexual.

Os garotos que se prostituem são em sua maioria da cidade do Rio de Janeiro, entre 23 e 29 anos, trabalham por conta e têm um ganho médio de R$ 60,00 a R$ 80,00 por programa, enquanto as garotas, em sua maioria têm de 18 a 22 anos, são do interior do Rio de Janeiro, 80% trabalham por conta de agências e recebem em média R$ 50,00 a R$ 80,00 por programa.

Sem dúvida uma situação constrangedora para um país como o Brasil com tanta riqueza natural e cultural para ser explorada.

O fato é que atualmente o país está literalmente atolado em denúncias de corrupção; representantes do povo, que sequer deveriam ter seus nomes sob suspeitas, estão sendo investigados, tendo suas vidas expostas em escândalos nas revistas, periódicos nacionais e por certo, internacionais.

Em entrevista à Revista Veja, Peter Eigen, advogado alemão que preside a principal organização não governamental de combate à corrupção do mundo, responde, quando questionado sobre a máfia que fraudava jogos de futebol:

“Os brasileiros estão habituados com o melhor futebol do mundo. Ele é razão de orgulho nacional. É perfeitamente natural querer preservá-lo. Em contrapartida, a expectativa a respeito da conduta dos políticos é muito baixa e não haveria nada a preservar. Seria prudente, não se iludir, porém. Cada político corrupto significa um gol contra. Se os políticos brasileiros contribuírem para resolver a atual crise de corrupção de forma digna, vão inscrever seus nomes na história. Os efeitos disso serão muito mais benéficos que a conquista de uma Copa do Mundo”.

A imagem do Brasil se resume a estereótipos criados em função da falta de uma política estratégica para o turismo e problemas sociais que existem.

As mudanças, devem partir da nação, não devem ser representadas por algumas campanhas publicitárias, filmes, anúncios em revistas e shows de samba no exterior. A solução é uma política de valorização da cultura, minimização dos problemas sociais e a criação de uma infra-estrutura capilar para receber o turista .

Torna-se evidente que devemos melhorar a imagem do país, esta é uma obrigação de todos brasileiros, pois o Brasil não é formado apenas por seus governantes. Muitas vezes repetimos que o Brasil não é só Carnaval, mas o que tem sido feito para provar isso?

A escritora Lya Luft, em seu artigo “Ponto de Vista”, sob o título Índios em Paris, escreve :
“No exterior, sempre a velha surpresa: como se sabe pouco sobre nós. Como nos exportamos mal... De nós sabem e querem o chamado exótico. Um livro de uma brasileira, que não fale de Carnaval, favela, floresta e bichos, parece um corpo estranho. ‘Escritora brasileira?’, disseram-me certa vez. ‘Mas no Brasil existem editoras?’.... Em Paris, num belo palácio, há uma exposição sobre índios e alguns foram levados para lá; os europeus se deliciam com o estranho, o aventuresco, o que pensam ser ‘o brasileiro’. Nossa literatura urbana quase não se contempla, nossa realidade industrial, cultural, universitária, sociológica, aparentemente pouco interessa,. Devemos nos envergonhar disso. Culpa nossa que exportamos demais caipirinha, mulatas, favela e futebol; tudo ótimo, desde que isso não seja tudo”.

A Embratur tem trabalhado pela melhoria da imagem do país no exterior, a criação da marca Brasil entre outras decisões são motivos de alegria para o turismo brasileiro, explorar o patrimônio natural com sustentabilidade, o rico folclore e o patrimônio cultural são ações de grande importância para atrair mais turistas ao Brasil.

CONCLUSÃO

“Devemos manter nossa casa arrumada, não somente nossa moradia, mas, também nosso bairro, nossa cidade, nosso estado e nosso país... Temos visitantes ávidos por nos conhecer, conhecer nossa cultura, pessoas, cores e belezas: os turistas, que vão aqui deixar um pouco de conhecimento e bastante dinheiro, fazendo nossa economia crescer, gerare empregos e desenvolver o país como um todo”.

Isto é o pouco que cada um de nós podemos fazer para melhorar a imagem do nosso país, há muito que fazer; investir na educação, não apenas ensinando um novo idioma, mas, noções de cidadania, civismo e apreço ao meio ambiente e desde já salientar o valor do turismo, do bom atendimento e o valor de ser um bom profissional, porque o Brasil está carente disto.

Em pesquisa realizada no Aeroporto Internacional de São Paulo – Guarulhos, durante o mês de Outubro de 2005, mais de 50% (cinqüenta por cento) dos turistas entrevistados acham deficiente a Sinalização Turística, seguida de 33% (trinta e três por cento) do item Segurança Pública.

Quando divulgamos um atrativo turístico, é necessário que o ambiente no qual este se encontra esteja preparado em relação aos serviços de apoio. É preciso, que haja uma boa infra-estrutura turística; este item foi elogiado por apenas 4% (quatro por cento) dos turistas estrangeiros entrevistados.

Pudemos concluir, com este trabalho, que apesar do Brasil ser tão rico, o próprio brasileiro não tem acesso ou conhecimento dessa riqueza e diversidade, por falta de interesses, oportunidades ou até mesmo condições financeiras; já que acabar com a desigualdade social, a corrupção e a violência, é motivo citado por muitos brasileiros, quando questionados a respeito do que deve ser feito para melhorar o país e sua imagem.
O produto Brasil é mal explorado, carente de estruturas e características que o tornem competitivo no mercado turístico, mas também, possui uma civilização e uma história, ainda que não se compare à França ou Espanha. Limitar a promoção turística a somente um ou dois aspectos de nossa realidade cultural significa limitar segmentos de mercado que poderiam atrair outros aspectos da oferta turística nacional.

Não há razão para não se promover no país também o folclore, as festas típicas, as danças populares, artesanato típico, etc...

A Embratur tem trabalhado nesse sentido nos últimos anos, porém uma política de melhoria da qualidade de vida da população, diminuição da violência, valorização do patrimônio histórico cultural além de ações de marketing público se fazem necessário para que um dia a imagem do Brasil mude para melhor.

Referências Bibliográficas

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BENI, Mário Carlos. Análise Estrutural do Turismo. São Paulo: Senac, 2002..
BIGNAMI, Rosana. A imagem do Brasil no Turismo: Construção, Desafios e Vantagem Competitiva. São Paulo: Aleph, 2002.
DENCKER, Ada de Freitas Maneti. Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo.São Paulo: Futura, 1998.
KRIPPENDORF, Jost. Sociologia do Turismo: Para uma nova compreensão do lazer e das viagen. São Paulo: Aleph, 2001.
SWARBROOKE, John. Turismo Sustentável. São Paulo: Aleph, 2000.

Revistas e Periódicos
“A Pequena Notável”. Revista Nossa História. São Paulo, Ano 1, 6:56-61; 2004.
RIBEIRO, Antonio, “Obrigação de Saber”. Revista Veja, São Paulo, 42:07-10; 19/10/2005.
LUFT, Lya, “Índios em Paris. Revista Veja, São Paulo, 20:22; 8/0/2005.

Endereços Eletrônicos
www.embratur.com.br/marcabrasil <acesso em 03/08/2005>
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www.netvasco.com.br < acesso em 19/09/2005>
www.desigualdade.inf.br <acesso em 20/09/2005>
www.copodeleite.rits.org.br <acesso em 05/10/2005>
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www.www.revistaturismo.com.br/artigos <acesso em 07/11/2005>

Autora:
Madalena R. Nova

 

 

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