A Cidade de Igarassu e o Desafio do Turismo

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Na linguagem da indústria do turismo, os locais de visitação, quer dizer, daqueles que são organizados do ponto de vista históricos, os quais nos referimos a lugares que ainda conservam patrimônios grandiosos como o coliseu romano, a Igreja da Natividade, as pirâmides do Egito, a cidade de Veneza, etc.; como curiosidades modernas tais como a torre Elffel, os estúdios de cinemas, as pontes, os arranha-céus entre outras novidades e ainda os lugares sagrados a cidade de Fátima, Jerusalém, Vaticano, entre outras; e os pontos Ecológicos como o pantanal, as trilhas naturais, os rios, as cachoeiras, as praias selvagens e assim por diante; ou mesmo os pontos de lazer e entretenimentos como os parques temáticos e aquáticos, os litorais famosos, etc.; e ainda o turismo exótico que trás sempre o fato novo, tendo os escombros das torres gêmeas do Word Trade Center como exemplo, ou mesmo a pobreza dos países africanos, se despontam como um instigante desafio dos agentes de planejamento do turismo do século XXI. Na verdade, tal setor deve ser compreendido como uma atividade em permanente construção que se desenvolve sob responsabilidade de milhões de dólares, em muitos casos, chegando a assumir o papel principal na balança comercial de alguns países

No caso da região do Nordeste, podemos observar que há certas inquietações, embora os aspectos do setor hoteleiro, agências de viagens e transportes, ainda que as críticas sejam a respeito do abuso dos altos preços cobrados em temporadas de férias, festas locais e feriados, o setor turístico tem crescido constantemente. Nesse aspecto, apesar das dificuldades, o futuro empresarial do setor turístico tem uma boa chance de vencer na região.

Contudo, o setor de turismo, particularmente em Pernambuco, tem se mostrado pouco eficaz no que diz respeito ao planejamento do patrimônio histórico. Embora um passado histórico que pode ser explorado é o que não falta. Temos cidades que ao longo de sua existência preservou sua memória, quer seja por meio de iniciativas individuais, quer seja por meios de atitudes estatais. E na maioria dos casos, há sempre aqueles indivíduos, ou grupos, que percebem o valor histórico e cultural dos acervos que remontam a memória de suas cidades. Um exemplo desse efeito de preservação é o caso da cidade de Igarassu que se caracteriza pelo cuidado que o seu patrimônio histórico vem passando. O seu rico acervo vem despertando olhares inusitados daqueles que os visitam.

Os acervos constituídos de peças valiosas, assim como o patrimônio arquitetônico, com suas fachadas coloniais do centro da velha Igarassu, constitui um exemplo típico de um local que poderia render acalorados debates, projetos, propostas e planejamentos de visitações/excussões mais sérias e rentáveis na área de turismo da região. È importante frisar, as escolas do município de Igarassu vem proporcionando, aos seus alunos, um excelente trabalho de conscientização a respeito de sua importância histórica na região. Com isso, uma boa parte da comunidade começa a reconhecer que o olhar do turista também passa por uma forma de educação que visa cuidar identidade local. Contudo, de um modo geral, pouco se tem feito a respeito da lei de municipalização do turismo, aliás, muitas cidades brasileiras ainda não se deram contam dos benefícios que pode trazer a implantação de um projeto de municipalização que se preocupe pelas atividades do turismo, tendo em vista a preservação do meio ambiente, a implantação de novos empregos, a distribuição de rendas, divisas fiscais, intercâmbios culturais entre outras oportunidades de desenvolvimento da cidade e da região. Assim tanto o setor público quanto o setor privado precisa despertar para a seriedade e o benefício desse o projeto.

Existem igualmente indicadores que de fato que comprovam o bom desempenho das atividades do turismo na pequena cidade de Igarassu. As pesquisas locais indicam que às iniciativas de visitações/excursões tem se mostrado rentável para economia local, embora o perfil dos visitantes seja composto de jovens estudantes levados pelas escolas e cursos universitários de Bacharéis em Turismo e licenciaturas em História e Geografia. Com efeito, são iniciativas espontâneas que apontam um positivo panorama para a implantação de uma estrutura profissional (lanchonetes, pousadas, estandes, placas indicativas, etc.)

De um modo geral, o quadro de esforço de viabilizar a melhoria da estrutura turística de Igarassu pode ser comparado com os milhares de exemplos de pequenas cidades espalhadas pelo Brasil. Se de um lado o interesse do setor público pelo turismo continua tacanho em relação a um planejamento profissional que possa envolver todos os setores, por outro lado, fica a disposição no papel o programa Nacional de Municipalização do Turismo com fortes tendências a incentivar as gestões privadas a se organizarem e se articularem com a comunidade para implantação de projetos turísticos sustentável.

Na seqüência do Plano Diretor o Programa que visa regulamentar a Lei de Municipalização do Turismo, editada em 2001, segundo suas diretrizes, tem como propósito preparar os municípios brasileiros no interesse de movimentar os atrativos e potenciais turísticos dentro de um contexto regional/nacional no qual a comunidade participe do planejamento, do gerenciamento e das decisões aprovadas no processo das discussões. Nesse caso, a rigor, a implantação das futuras infra-estruturas necessária, aos chamados pólos de atrações turísticas, passariam por uma discursão democrática. Dessa forma, os projetos desses portes configurariam a adoção de medidas que teriam que passar pela escolaridade local e a conscientização da comunidade de um modo geral. Afinal a estrutura de um Resort ou algo do gênero não pode ser um ilha isolada, tais infra-estruturas também precisam criar vínculos com a comunidade local.

Nesse sentido, o processo de planejamento do programa de turismo terá que mobilizar os órgãos públicos e os setores privados interessados. Regimes de parcerias no interesse que todos participem dos aspectos que envolvem as fases de implantação técnica, pedagógica, econômica, e, sobretudo, orientações que ofereça um modelo no qual se considere a melhoria de qualidade de vida do cidadão e do meio ambiente. Tudo isso é, sem dúvida, um grande desafio tanto para o gestor público como para o empresário moderno enfrentar.

No caso da cidade de Igarassu, é importante destacar que não temos propósito de atacar as atividades e os planejamentos turísticos de qualquer gestão pública ou coisa semelhante, mas argumentar considerações que possibilite um empenho mais eficaz tanto dos órgãos públicos quanto dos setores privados na melhoria de infra-estruturas de banheiros, bares, lanchonetes, restaurantes, pousadas, hotéis, transportes de preços acessíveis, uma vez que a questão do turismo não pode ser um lazer só dos ricos, pois Igarassu já dispõe de uma comunidade consciente da importância dos seus acervos e patrimônios históricos. Um bom exemplo dessa iniciativa de divulgação foi à edição de um gibi produzido pela Secretaria de Turismo que conta à história da cidade. São empreendimentos como esses que ajudam no desenvolvimento turístico da região. Na verdade, o conjunto de Acervo e patrimônio histórico de Igarassu não pertence apenas aos seus moradores, ele é patrimônio histórico da Humanidade e como tal, merece cuidado e selo de todos.

Para aqueles que ainda não visitaram Igarassu é importante que se conheça um pouco de sua história e parte do seu acervo patrimonial.

Fundada aproximadamente em 1535 pelo fidalgo Duarte Coelho com o nome Vila de Santa Cruz e elevada à categoria de vila em 1564. O nome Igarassu significa "canoa grande", abriga hoje um conjunto de acervos de antiguidades que contemplam peças e relíquias (espadas, moedas, artefatos domésticos, objetos pessoais, armas, etc.), igrejas, prédios e fachadas do período colonial que impressiona qualquer visitante desavisado pela sua originalidade e zelo. O mais impressionante é que esses acervos estão próximos em um circulo de quinhentos metros. A fascinante igreja de São Cosme Damião, a mais antiga igreja em funcionamento (1535) fica próxima do Museu Histórico, que por sua vez, fica de frente para a Câmara dos Vereadores (no passado o prédio foi usada com prisão), conhecido pela eleição de um Santo-Vereador, logo abaixo se encontra o terceiro Convento Franciscano instalado no Brasil, o qual guarda um fascinante conjunto de painéis pintados a óleo do século XVIII. Pinturas que conta um pouco da história da cidade. E parta aqueles que gostam de curtir litoral, basta pegar a balsa e ir para praia de Mangue-Seco, em Nova Cruz, ou fazer outras escolhas de lazer como andar nas trilhas, etc. E Para aqueles que são internautas, visite o site: Patrimoniope.arq.Br/igarassu.
Enfim, a cidade de Igarassu resistiu à epidemia virulenta, ataques de piratas, exploração colonial dos portugueses, dos ingleses, dos holandeses, os descasos, as depredações, os vento fortes, o tempo e ao esquecimento, mas, apesar de tudo, o povo de Igarassu soube guardar seus tesouros do passado que hoje entusiasma turistas, curiosos, historiadores e visitantes de todos os continentes.

E hoje, a cidade de Igarassu conta com uma população de mais de cem mil habitantes, alguns deles, de forma criativa, ganha seus sustentos e ajudam seus familiares no orçamento doméstico tais como: comidas típicas, artesanatos, flâmulas, postais, camisas e outros souvenires. O belíssimo litoral, particularmente a Ilha da coroa do Avião, e outros aspectos históricos e de lazer ainda têm muito que oferecer aos turistas e visitantes. É ir... ver para crer a beleza que encantou piratas, corsários e aventureiros do início da colonização e continua encantando todos os visitantes que por ventura se dispõe a visitá-la.

Autor:
Roberval S. Santiago 
Doutor em História

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