Educação, Cultura e Hospitalidade - Jun/03

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O turismo aponta nesse início de terceiro milênio como uma dos mais promissores caminhos para aqueles países que acreditam e investem em tal atividade, o que se explica pelo rótulo que lhe foi criado enquanto "máquina" de geração de emprego, renda e divisas.

As cifras que o turismo é capaz de movimentar, em todo o mundo, impressionam e atuam como agente motivador das localidades, ocasionando um crescimento, em alguns casos desenfreado, de equipamentos e serviços que possam ser utilizados pela demanda, cada vez mais crescente. O crescimento contínuo da demanda provoca um aumento das cifras movimentadas pela atividade, gerando então um ciclo vicioso que se resume no crescimento e investimento no turismo em função exclusiva dos benefícios econômicos trazidos por tal atividade.

No entanto, esta situação reflete uma situação míope que se engana ao não distinguir os conceitos de crescimento e desenvolvimento da atividade turística em certas localidades. Apesar de não poder ser considerada como regra geral, esta ainda é uma realidade encontrada em diversas destinações turísticas brasileiras.

Ao considerar apenas dados estatísticos, especialmente os de âmbito econômico, deixa-se de abordar uma dimensão muito maior do turismo que envolve ainda aspectos culturais, sociais, ambientais, entre outros. Só a partir do momento em que o turismo passe a ser encarado como uma atividade complexa, plural, integrada, interdependente, sistêmica e consciente de que não pode ser realizada com impacto zero, torna-se possível, então, o desenvolvimento da atividade e a sua sustentabilidade.

Neste sentido, a atuação dos profissionais do turismo é decisiva. Serão eles os responsáveis pelo planejamento da atividade e pelo acompanhamento de sua evolução. Além de considerar todos os aspectos que devem ser abordados para que haja um desenvolvimento harmonioso, os profissionais da área ainda encontram-se permanentemente desafiados a conseguir encantar a sua clientela pela excelência dos serviços. O perfil do consumidor, no cenário globalizado, é marcado pela consciência e postura de fazer valer seus direitos. Nesse contexto, a acirrada competitividade que se faz presente na conjuntura mundial contribui para o atendimento das exigências dos consumidores, no que se refere à qualidade do produto/serviço e à prática de preços compatíveis. Alem disso, a intensidade e velocidade das mudanças que ocorrem no mercado desafiam as destinações a tomar posicionamentos adequados aos novos momentos, de forma a continuar atendendo às expectativas de suas demandas.

Diante dessas considerações, percebe-se a importância de se investir em uma educação voltada para a cultura da hospitalidade, questão esta que interfere, de forma decisiva, no futuro da atividade turística.

Os profissionais que trabalham na área precisam estar devidamente capacitados de forma a atender, satisfatoriamente, aos desejos dos turistas. O nível de exigência e competitividade que marca o ambiente passa a não mais tornar suficiente o atendimento às expectativas, mas sim, a sua superação, chocando pela excelência dos serviços. Daí a importância do componente humano, enquanto elemento estratégico das organizações. Para tanto, a competência deve-se fazer presente, combinando conhecimentos, habilidades e comportamentos.

O momento vigente pede profissionais em sintonia com a era do conhecimento e da informação, devendo possuir algumas características, tais como: serem flexíveis às mudanças, criativos, intuitivos, polivalentes, capazes de trabalhar em equipe e com as novas tecnologias, dotados de pensamento crítico, postura ética e espírito empreendedor, entre outras. Deve-se, pois, acrescentar que à tais atributos devem ser agregados um treinamento e reciclagem permanentes, e um ambiente de trabalho motivador.

Apesar de necessário, este ainda é, em muitos casos, um perfil ainda desejado dos profissionais atuantes do turismo no Brasil, situação esta que reflete em um fraco desempenho da atividade.

A participação da comunidade no processo turístico vai além. Além de poder atuar diretamente em diferentes serviços, fica sob responsabilidade da população local a divulgação de suas riquezas culturais, permitindo fornecer à destinação uma personalidade, identidade local. Um turista quando viaja busca diferenças, diferenças de sua localidade, de seus hábitos e costumes. Cada destinação possui uma marca própria, uma peculiaridade que a torna diferente das demais e que, por isso, torna-se um atrativo diferencial. Cabe, então, à própria comunidade repassar os valores e patrimônios de sua terra para quem os visita, imprimindo assim o seu diferencial.

O turismo é uma atividade que vive do imaginário, devendo permitir a realização dos "sonhos dos turistas". A arte do bem servir e receber torna-se, portanto, uma condição essencial. Deve-se, pois, acrescentar que ao espírito hospitaleiro deve ser agregado um atendimento profissional, compondo um capital humano capacitado para atender a demanda.

Talvez a única certeza do turismo seja a de mudanças permanentes. No entanto, a partir do momento em que os esforços sejam direcionados no sentido de se alcançar uma educação voltada para a cultura da hospitalidade, investindo na capacitação contínua dos profissionais que atuam na área, o cenário do turismo no Brasil possa ficar menos vulnerável às incertezas, à medida em que ele estará preparado, ou melhor, devidamente qualificado, para encara-las de frente e tomar os posicionamentos adequados para diversas situações. Dessa forma, irá deixar de registrar apenas crescimentos em dados estatísticos, particularmente no aspecto econômico, passando a registrar um desenvolvimento sustentável da atividade.

Autora:
Andressa Andrade de Medeiros
Estudante do Curso de Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

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