A Gastronomia como Produto Turístico - Dez/04

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A gastronomia como um produto, ou mesmo um atrativo de uma determinada localidade, é bastante interessante e importante do ponto de vista turístico, pois apresenta novas possibilidades, na verdade, não tão novas, mas nem sempre bem exploradas, que são as diversas formas de turismo voltadas para as características gastronômicas de cada região.

Para analisarmos essas possibilidades, é preciso entender o porque dessas características diferentes, o porque cada comunidade, localidade ou mesmo grupos populacionais próximos, têm características gastronômicas diferentes, retornando até a satisfação alimentar do ser humano, apenas como necessidade de sobrevivência e sua, posterior, evolução para chegar às diferenças atuais, aos rituais de integração e prazer que a gastronomia nos proporciona, sendo até uma “válvula” de escape para o stress da vida urbana.

O que se pode verificar é que essa (r)evolução é recente, sendo uma característica das sociedades urbanas, que foram modificando o espaço natural e se reconstruindo, ignorando com isso a evolução natural e passando a ter uma alimentação conveniente a seu espaço, sua cultura e principalmente à sua rotina. É possível notar, que o ser humano tinha um tipo de alimentação em seus primórdios e essa foi evoluindo, ou modificando-se, de acordo com a própria evolução humana e do espaço em que está inserido, passando a ser um elemento simbólico e não apenas de subsistência.

Essas características podem ser notadas em muitos exemplos, como é o caso da Índia, que por fatores culturais e religiosos, tem um respeito à vida animal maior que em outros lugares, com isso, populações pastoris, com leite e rebanho disponíveis, consomem os mesmos de maneira extremamente frugais, deixando esses rebanhos para outras necessidades, como o casamento, por exemplo, onde os rebanhos passam a ser os dotes para as mulheres e como uma forma de riqueza para os homens, é a garantia para o casamento.

Existem também casos, de populações próximas, inseridas em um mesmo ambiente natural, expostas ao mesmo tipo de clima e que estariam propícias a terem as mesmas culturas alimentares, cultivando os mesmos grãos, mas que passam a ter costumes diferentes. O que prova que o homem alimenta-se de acordo com a sociedade a que pertence.

Esse tipo de característica humana, na maioria das vezes, não leva em conta as qualidades nutricionais dos alimentos e sim as características culturais, religiosas e tradições. As exceções são em relação à alimentação infantil, onde, normalmente, a questão nutricional é levada em conta e só posteriormente a essa fase a pessoa é inserida na cultura local, sendo isso repetido através das gerações.

A quebra dessa rotina se dá quando se consomem alimentos característicos de outras culturas, e porque isso acontece? Pode ser por curiosidade, monotonia, entre outras razões. A familiaridade com determinada alimentação é confortadora, e essa quebra de rotina, normalmente, acontece através de algum evento social, que pode ser uma festa, um encontro, uma viagem.

Chegando a esse ponto e possível analisar as razões que levam o homem a experimentar alimentos culturais. A começar por ser dado como certo, que a gastronomia estar ligada ao prazer, dessa forma, o homem sente curiosidade de conhecer novas culturas, sendo uma das formas para isso a alimentação típica dessas culturas, com isso saciando seu prazer.

Além disso, ao conhecer novas culturas, alimentos e sabores, o homem tem a necessidade que esse momento seja um evento especial, como se fosse um ritual de prazer, ou seja, o mesmo alimento, saboreado sozinho (sem outras pessoas), não teria o mesmo sabor, ou não proporcionaria o mesmo prazer. Isso mostra a importância dos rituais gastronômicos para o ser humano, são novas descobertas.

Com a globalização, essas trocas de experiências ficaram mais fáceis, já é possível conhecer quaisquer alimentos, de todas as culturas, sem precisar conhecer às suas respectivas localidades, está quase tudo a alcance da mão. Mas só conhecer os alimentos, sem conhecer o local e sua cultura, para muitos, não é o bastante, é a partir daí que o turismo gastronômico passa a ser um diferencial e abre um grande leque de possibilidades.

As pessoas buscam novos conhecimentos, querem experimentar novos sabores, vivenciar outras culturas e a gastronomia pode ser o motivo principal, ou o inicial, para se conhecer determinado local. Por exemplo, ia a uma festa típica, como a Oktoberfest, e experimentar comidas típicas alemãs, a festa e a localidade têm as suas atrações, mas a comida pode ser o diferencial para a escolha desse local, a partir daí temos diversos exemplos, o Chile com suas vinícolas e seus pescados únicos, a França e sua culinária requintada e tradicional, a Itália com suas diversas variações, o exotismo da culinária oriental, como no Japão, China, Tailândia entre outros. O que não falta são variações e novidades e o turismo possibilita essas descobertas, por isso a gastronomia tem tudo a ver com o turismo.

Pode-se concluir que a gastronomia é muito importante e relevante para o turismo e possibilita inúmeras oportunidades para todos aqueles que souberem explorar esse nicho de mercado, direta ou indiretamente. Os exemplos citados mostram que a gastronomia como produto turístico é um importante motivador e mesmo quando não é o motivo e/ou elemento principal, sempre estará inserida no contexto e terá o seu papel de destaque num evento turístico, como uma viagem, passeio, feira, ou reuniões.

BIBLIOGRAFIA
AZAMBUJA, Marcelo. A gastronomia como produto turístico. In: CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos (org.). Turismo Urbano. São Paulo; Contexto, 2001.

Autor:
Fábio Luiz Furtado - Diretor Comercial e Marketing da A&T Marketing e Eventos / Divertir Lazer.
Graduado em Ciência da Computação (PUC-PR) e Planejamento e Marketing Turístico (Universidade Anhembi-Morumbi).
Pós-graduado em Gestão Empresarial – Qualidade e Produtividade (IPEP-SP).

 

 

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