Turismo Esportivo: Renda, Educação e Lazer - Abr/04

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Analisar o homem e seus movimentos seja pelo lado de deslocamento como pela realização de atividades físicas, em qualquer circunstância pode ser um instigante e expressivo exercício na busca pela compreensão de um fenômeno social de proporção cada vez mais evolutiva no mundo contemporâneo, com presença e significado sempre maior e mais próximo da vida das pessoas, ou seja, o esporte manifestado como educação, lazer, rendimento ou espetáculo nos torna agentes de um processo que leva cada vez mais à evolução do ser humano. Desta forma, o estudo do turismo, não pode ser desvinculado do estudo do lazer.

As decisões em fazer turismo dão-se, às vezes, em conjunto com algumas atividades de lazer das pessoas, de forma que, quando a viagem possibilita o envolvimento, prática ou informação acerca de alguma atividade esportiva, o turista mesmo que não seja um entusiasta, demonstra certa curiosidade ou interesse a respeito do que lhe está sendo proposto. Isto já vem por confirmar que o mercado turístico está em evolução rápida e permanente, fato que pode ser evidenciado pelo desenvolvimento de segmentos específicos da atividade, entre os quais destacamos o turismo esportivo.

O turismo esportivo é em determinadas situações confundido com o turismo de eventos esportivos. Nos dois casos, existe o deslocamento de turistas para uma determinada região propícia à prática de um esporte específico, o que resulta numa utilização de toda a estrutura turística. Porém, o que motivou o processo turístico é diferenciado. É importante ressaltar que no turismo esportivo, o turista vem com a intenção de praticar o esporte por lazer ou treinamento, sem o intuito de competir, num local onde a disponibilidade física se caracteriza como permanente, (GOIDANICH e MOLLETTA, 1998). Ao contrário do que acontece com o turismo de eventos esportivos aonde o turista vem com o motivo de competir em alguma prova, campeonato ou jogos. São eventos que tem por característica o espaço de tempo determinado, ou seja, temporários. Cabe-nos citar como exemplo, os jogos olímpicos que durante a sua realização envolve interesses de pessoas de todas as partes do mundo, desde atletas, o público, a mídia, equipes técnicas e de organização que trabalham para que tudo ocorra da melhor maneira possível.

Estas duas formas de turismo que envolve uma motivação esportiva constituem-se como uma oportunidade importante para os empresários do turismo, pelo fato de que acabam por influenciar diretamente no desenvolvimento dos núcleos receptores, de maneira sincronizada. Tem-se um enorme potencial a ser explorado, pois a cada dia é maior o número de turistas que buscam lugares propícios à prática dos mais diversos esportes.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 O esporte como fator de equilíbrio emocional

A prática de atividades físicas é algo que coloca o ser humano em interação com os mais diversos meios, de forma a oferecer-lhe condições ideais ao desenvolvimento de relações interpessoais, no momento em que o faz extrair-se da realidade do mundo atual, sustentada pelas relações de trabalho que muitas vezes excluem de suas vidas hábitos que oferecem uma melhoria para o equilíbrio psíco-emocional. O caráter associativo das atividades esportivas estimula o reencontro entre as pessoas e faz com que se crie e fortaleça as relações de amizade.

Em função disto é que vem sendo cada vez mais recomendada por especialistas que demonstram que os hábitos saudáveis provenientes da atividade física, bem como a relação da prática do esporte e lazer com a busca do bem estar e de uma vida com mais qualidade, auxiliam de forma determinante para a saúde do ser humano. De forma abrangente salienta-se que o esporte influencia significativamente no comportamento das pessoas no momento que se torna um meio de descarregar as tensões do dia a dia por meio de práticas altamente saudáveis que promovem de forma positiva um equilíbrio fundamental a boa saúde mental, o que vem auxiliar para uma boa realização de todas as suas atividades.

Geralmente as atividades que requerem maior participação, com mais movimentos, concentram maior número de motivos dos participantes, despertando maior interesse e desafio, o que por si só é estimulante e motivador.

O interesse na atividade esportiva não deve acabar com término do período escolar, como acontece, ainda hoje, com muitos adolescentes (COSTA, 1989). Ao contrário, o esporte deve constituir um campo de ação e de vivência interessante e atraente para o homem. A isto se pode acrescentar que o esporte não deve ser uma prática por mera obrigação, mas sim que tenha características prazerosas.

A prática esportiva bem programada e administrada aliada às atividades de rotina, trabalha o nível motivacional, a aquisição de uma maior confiança, o equilíbrio emocional, de forma que o indivíduo munido dessas qualidades possui características fundamentais a uma boa integração com grupos, o que o faz transpor problemas de personalidade e preparo físico.

O esporte deve constituir um campo de ação e de vivência interessante e atraente para o homem. A isto se pode acrescentar que o esporte não deve ser uma prática por mera obrigação, mas sim que tenha características prazerosas.

Cabe observar que a motivação nos esportes é determinada, por um lado, pelas possibilidades específicas do esporte como campo de ação e de vivência, e por outro lado, pela influência dos aspectos motivacionais específicos da personalidade. Esses últimos ultrapassam de longe os limites do esporte. (DE MARCO e JUNQUEIRA, 1993).

2.2 O turismo promovendo a sustentabilidade da atividade

Para prevenir os impactos ambientais do turismo, principalmente o turismo esportivo, pois se utiliza na grande maioria de recursos naturais, é preciso concentrar esforços no desenvolvimento do turismo sustentável, não apenas do patrimônio cultural, mas também dos atrativos (RUSCHMANN, 1997).

A valorização do relacionamento homem/natureza, que se acentua cada vez mais com o esporte e em virtude da necessidade do ser humano estar em contato com espaços verdes, decorre de um estresse causado pelo crescimento dos grandes centros e urbanização de ambientes. É preciso que o turismo, esporte e meio ambiente direcionem esforços em busca de um ponto de equilíbrio, afim de que os recursos da atratividade não sejam degradados. De acordo com Wearing e Neil (2001, p.xv)

 

agora, os temas ligados à conservação ambiental estão na vanguarda da opinião pública. A deterioração das florestas tropicais, a perda de espécies em extinção, o aquecimento global e a degradação do solo reanimam o apoio do público à conservação.

Como grande exemplo disso é oportuno mencionarmos as Olimpíadas de Sydney, onde várias ações de objetivo preservacionista e sustentável foram definitivas à escolha da cidade como sede. O uso da energia renovável na Vila Olímpica, a utilização de materiais alugados, e a comunicação que traçou uma estratégia eficiente para educar os espectadores dos jogos à destinação correta dos seus lixos. Para tudo isso foi fundamental o apoio de funcionários e voluntários treinados e comprometidos com o objetivo de preservar o meio ambiente.

A sustentabilidade no setor é de suma importância, a fiscalização e a estimulação da manutenção dos espaços utilizados no que tange as questões ambientais, bem como orientar profissionais vinculados ao esporte e lazer sobre a grande importância de promoções e eventos que valorizem as características ambientais de cada região.

A questão de conservação dependem de interesses por parte dos órgãos em fomentar projetos e iniciativas responsáveis e de planejamento da atividade com a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos propostos. Então, Harry e Spink (1990 apud RUSCHMANN, 1997, p.83), afirmam que o “desenvolvimento de estratégias que permitam a uma organização comercial visualizar oportunidades de lucro em determinados segmentos do mercado”. O turismo esportivo, trata-se de um segmento do mercado turístico e a idealização do plano de desenvolvimento constitui o instrumento fundamental na determinação e seleção das prioridades para a evolução harmoniosa desta nova atividade, determinando suas dimensões ideais, como:

• Coordenar e controlar o desenvolvimento espontâneo;
• Promover incentivos;
• Garantir espaços necessários ao desenvolvimento;
• Minimizar a degradação dos locais e recursos;
• Garantir a imagem relacionada com a proteção ambiental e
• Atrair financiamentos e empresários interessados.

O desafio é, portanto, encontrar meios de tornar o turismo esportivo sustentável em si mesmo, e capaz de contribuir para o desenvolvimento do turismo sustentável em geral (SWARBROOKE, 2000).
Aliado ao seu atrativo é possível implementar o turismo esportivo como mecanismo de consciência e educação ambiental, pois o contato harmonioso entre homem/natureza o incentiva à uma contemplação e atitude de preocupação e responsabilidade em preservar e garantir um senso mútuo de educação.

2.3 Divulgação e venda do turismo esportivo

O turismo esportivo, como fenômeno social e econômico, demonstra uma crescente segmentação do mercado turístico, com a implantação de produtos específicos para públicos determinados, pois são muitas as motivações para que o homem saia de sua habitualidade e procure um destino turístico aliado a uma prática esportiva.

De acordo com De La Torre (1992, p.19) “o turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde”.

O turismo esportivo, consolida-se geralmente como uma atividade realizada em locais onde predomina o contato com a natureza; flora, fauna e ecossistemas da localidade realçam o atrativo, o que estimula as pessoas à prática do esporte aliada à contemplação do local.

No caso de esportes praticados no meio rural, ele surge como alternativa para o homem do campo, pois, além de satisfazer as motivações do turista, torna-se um empreendimento capaz de captar recursos financeiros para propriedade. Esta alternativa consiste em aproveitar o local como atrativo turístico e esportivo para satisfazer as necessidades e desejos de estar em contato com o ambiente natural e até como alternativa contra o êxodo rural resgatando e preservando raízes culturais de antigamente.

Um dos objetivos da promoção turística esportiva de uma região é consolidar a idéia de que o atrativo é passível de visitação durante o ano inteiro e não apenas durante uma estação do ano, sendo uma opção turística contra a sazonalidade, tão discutida atualmente. Para isso, tem-se algumas recomendações:

• convidar intelectuais, professores e alunos para conhecer a região;
• publicar matérias, em revistas e jornais especializados, sobre os atrativos da região, as facilidades de acesso e a qualidade na estrutura e nos serviços turísticos envolvidos;
• criar parcerias com universidades, escolas e empresas com intuito de divulgar o local e o atrativo e
• convite para agentes de turismo interessados no ramo.

A divulgação e comercialização do produto turístico devem ser de acordo com a realidade, todas as empresas envolvidas, seja ela agência de viagens, hotelaria, transportadora, locadora de veículos ou outras tantas, devem refletir a imagem da região. Pessoas com estratégias e apurado espírito crítico para efetuar com eficiência o empreendimento turístico, são fundamentais no processo de divulgação e venda, e devem levar em consideração alguns pontos indispensáveis:

• programa de promoção turística: uma vez verificado os atrativos, o órgão oficial da região, em parceria com a iniciativa privada, poderá fomentar planos de ações turísticas, sendo feito um trabalho de distribuição de material promocional do atrativo e uma avaliação, junto aos profissionais de turismo, para verificar a inclusão da região em roteiros turísticos.
• participação em feiras e eventos da indústria de viagens: inúmeros são os eventos que acontecem o ano inteiro, com o objetivo de divulgar os atrativos nacionais junto às agências e operadoras de turismo no mundo e no Brasil.
• estabelecimento de parcerias com jornalistas de turismo: é fundamental manter escritores e jornalistas especializados em turismo informados das novidades sobre o destino. Pode-se convidá-los para conhecer o local, provar a sensação da prática esportiva, totalmente segura e prazerosa.

Os meios de obter-se êxito na divulgação e venda da atividade são variados, a criação de material publicitário, como folhetos, camisetas, bonés e adesivos é fundamental para a divulgação do produto.
É importante lembrar que quanto maior for a parceria entre os estabelecimentos envolvidos na região, para mostrar e vender seu empreendimento, melhores serão as chances de obter sucesso para todos.

3. CONCLUSÕES

Neste trabalho procurou-se salientar que o turismo esportivo é potencial incentivador à ações de conscientização à conservação, tanto na comunidade local quanto aos visitantes, seja pela prática de atividades esportivas bem como através de informações provenientes de quem prestam serviços turísticos e também das comunidades da região ou localidade.

Acredita-se que a implantação de programas de divulgação do segmento, a busca de estatísticas e dados referentes ao setor, proporcionaria uma maior responsabilidade na gestão turística e ecológica, isso, frente a uma tendência promissora do ramo turístico.

Ressalta-se que alguns dos empresários que trabalham e possam vir a trabalhar com o turismo esportivo, por serem praticantes e adeptos de atividades físicas possuiriam mais facilmente o domínio desta atividade empresarial, por conhecerem a fundo as necessidades e anseios do turista e esportista.

Não se deve desconsiderar a questão de grandes eventos esportivos, pois são importantes fomentadores e ajudam a diminuir as conseqüências da sazonalidade em locais onde se mostra como problema para o setor. Estes eventos abrangem aspectos fundamentais para o desenvolvimento da localidade como novo pólo turístico esportivo receptor, pois demonstra à comunidade esportiva em geral que ali se encontra todos aspectos favoráveis ao desenvolvimento do esporte.

Para um bom encaminhamento das ações relativas ao desenvolvimento deste segmento, é indispensável que esteja presente naqueles que tem por função implantar políticas de desenvolvimento à atividade turística esportiva, o cuidado para com as formas e objetivos da divulgação dos roteiros favoráveis, para que acima de tudo respeitem e conheçam os aspectos limitadores a um desenvolvimento desenfreado. Isto resultaria em conseqüências tanto para o meio como para as pessoas.

Há que ressaltar que o turismo aliado ao esporte pode proporcionar uma mudança radical no estilo de vida das pessoas que até então, não faziam da prática esportiva, uma atividade de resgate de fatores motivacionais, emocionais e de conservação ambiental. Da mesma forma que faz com que obrigatoriamente os turistas se adaptem as condições impostas pelo meio, e não o inverso, que por sua vez poderia vir a promover mudanças de ordem ambientais com conseqüências sociais muitas vezes irreparáveis. Sendo assim, é nosso dever sustentar a promoção do turismo esportivo como nova fonte de renda, saúde e educação a toda uma população que vê no lazer uma forma inspiradora para enfrentar os desafios que aparecem no dia a dia.

4. REFERÊNCIAS

BALDERRAMAS, Helerson de A. Aspectos determinantes da oferta para o desenvolvimento do turismo rural. Turismo: visão e ação. v.1, n.2. Itajaí: Univali, 1999.
COSTA, L. P. Questões da educação física permanente. Rio de Janeiro: EDUSRJ, 1989.
DE MARCO, A; JUNQUEIRA, F. C. Diferentes tipos de influências sobre a motivação de crianças numa iniciação esportiva. In: PICCOLO, V. L. N. (Org.), Educação física escolar: ser ou não ter? Campinas: UNICAMP, 1993.
GOIDANICH, K.L; MOLLETTA, V.F. Turismo esportivo. Porto Alegre: Sebrae/RS, 1998.
MACHADO, A. A. Importância da motivação para o movimento humano. Perspectivas interdisciplinares em educação física. S.B.D.E.F, 1995.
RUSCHMANN, D. V. de M. Turismo no Brasil: análises e tendências. São Paulo: Manole, 1997.
SAAD, C. S; CARVALHO. C. D; COSTA. T. M.
Responsabilidade social das empresas. São Paulo: Petrópolis, 2002.
SWARBROOKE, J. Turismo sustentável: turismo cultural, ecoturismo e ética. São Paulo: Aleph, 2000.

TORRE, De La. El turismo: fenômeno social. México, Fondo de Cultura Econômica, 1992.

WEARING, Stephen; NEIL, John.
Ecoturismo: impactos, potencialidades e possibilidades. São Paulo: Manole, 2001.

Autores:
Elias Junior Lanzarini
Acadêmico em Turismo e Hotelaria
Universidade do Vale do Itajaí-UNIVALI

Maurício Teixeira Ferro
Mestrando em Administração
Universidade Federal de Santa Catarina

 

 

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