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Espaço Urbano: As Contradições de um Meio social e Natural - Mai/06

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O espaço urbano, muitas vezes, não suporta a carga de implementos tecnológicos que o capital emprega na estruturação do território citadino. As mudanças, por vezes necessárias, ocorridas no meio urbano implicam em certo grau, impactos negativos. Tais impactos provocam um ciclo de efeitos nocivos ao ambiente natural e social. Entende-se por ambiente natural aquele que abrange a fauna, a vegetação, os minerais, o ciclo hidrológico e a atmosfera. O ambiente social é o meio construído e idealizado pelo ser histórico e social, ou seja, o ser humano. O quadro 1 mostra em síntese os impactos sociais e ambientais no meio urbano.

As leis que regulam o destino das cidades e o comportamento das pessoas podem devem ser revisadas, tal quais os implementos tecnológicos que as engenharias aplicam no meio urbano. Os fluxos entendidos como materiais ou não materiais (leis) organizam as estruturas físicas das cidades, ocasionando, de certa forma, alterações na representação e mobilidade das pessoas.

Segundo Villaça (2001), a avaliação de impacto ambiental (AIA) deve ser concebida antes de tudo como um instrumento preventivo de política pública e só se torna eficiente quando possa se constituir num elemento de auxílio à decisão, uma ferramenta de planejamento e concepção de projetos para que se efetive um desenvolvimento sustentável como forma de se sobrepor ao viés economicista do processo de desenvolvimento, que aparecendo como sinônimo de crescimento econômico ignora os aspectos ambientais, culturais, políticos e sociais.

Assim sendo, os grandes empreendimentos, sejam eles econômicos, turísticos, industriais ou imobiliários, que em maior ou menor escala foram ou irão ser implantados na área de análise desse estudo, podem ser avaliados, ainda que qualitativamente, através dos danos causados ou dos benefícios auferidos pela implantação dos mesmos. Além dos impactos ao ambiente natural, não há como implantar empreendimentos sem promover a desorganização da vida social e cultural da localidade, traduzida especialmente por novos hábitos de consumo e necessidades monetárias e o abandono das atividades produtivas tradicionais. Isto posto, apresenta-se a seguir as condições sócio-ambientais da área em estudo, procurando-se fazer uma análise quanto aos impactos ambientais antes e depois da expansão urbana ali ocorrida.

A história da modernidade é marcada pelo domínio do homem sobre a natureza. O homem é composto de idéias e instrumentos, a partir deste conjunto de materiais e ações ele transforma o ambiente através da técnica. A tecnologia dos homens visa o seu domínio sobre a natureza, que é vista atualmente como uma mercadoria. A forma mais visível da natureza transformada é a cidade, local de convívio dos homens. A cidade é um ambiente sintético, desta maneira, a vida se torna artificial.

BIBLIOGRAFIA

BRASIL. Estatuto da Cidade. Brasília, DF: Congresso Federal, 10 de julho de 2001.
CARLOS. A F.A A (re)produção do espaço urbano. São Paulo: Edusp, 1994.
CASTELLS, M. A questão urbana. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
GOTTDIENER, M. A produção social do espaço urbano. Sao Paulo. EDUSP, 1993.
SANTOS, M. Metrópole corporativa fragmentada: o caso de São Paulo. São Paulo: Nobel, 1990.
VILLAÇA, F. Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo: Editora Studio Nobel, 2001.

Autor:
Marcos Timóteo Rodrigues de Sousa

 

 

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