O Ensino do Turismo e a Formação Profissional em Turismo - Jun/05

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O Ensino de Turismo

O contexto internacional em mutação influencia o clima de incerteza e insegurança, apesar de apontar novas possibilidades. A competitividade dos novos países ex-socialistas e dos países em desenvolvimento da América Latina e da Ásia no mercado capitalista não ajuda a economia dos países desenvolvidos a crescer e, concomitantemente, gerar mais empregos. Dentro desse quadro, a cultura e o ensino, ou seja, a informação em geral, torna-se fundamentais para os novos profissionais. Jean-François Lyortard afirma que “sob a forma de mercadoria informacional indispensável ao poderio produtivo, o saber já é e será um desafio maior, talvez o mais importante, na competição pelo poder” (Lyortard 1986, p. 5).

É nesse contexto que se insere a formação dos novos profissionais, também do setor turístico.

1.1 - O ENSINO DE TURISMO NO MUNDO

A formação superior em turismo passou a ser importante em vários países europeus, especialmente após a década de 1960. Na Espanha, a partir de 1964, foram realizadas discussões em diversos níveis sobre os problemas técnicos, econômicos e sociais do turismo.

A Organização Mundial do Trabalho estima a necessidade do mercado turístico internacional em cerca de 11 milhões de profissionais, o que implica exigências para atender à quantidade e à qualidade dessa mão-de-obra especializada.

Na Alemanha, a escolaridade obrigatória dura de nove a dez anos e o sistema educacional privilegia a formação profissional. O ensino médio em hotelaria, restaurantes e turismo é feito por escolas e empresas, tem uma duração média de três anos e passa por atividades práticas no local de trabalho como forma de aprendizagem.

Na Espanha, o ensino foi regulamentado em 1980 e, em 1989, totalmente revisado. Para cursar qualquer escola superior na área, exige-se educação secundária completa. Os cursos têm duração de três anos e o aluno sai com o título de técnico de empresas e atividades turísticas, com valor acadêmico universitário.

O desemprego é raro na atividade turística, o que significa uma boa absorção desses profissionais, apesar da alta taxa de desemprego da Espanha (21%). Porém, há várias questões pendentes sobre a formação profissional turística na Espanha:

1 – formação teórica e prática, em termos de duração, conteúdo e condições da prática;
2 – tempo de duração dos estudos pra funções técnicas de nível médio, de nível superior e carreiras profissionais de maior responsabilidade técnica e diretiva;



3 – necessidade de maior diversificação dos estudos, pois não requerem a mesma formação os guias turísticos, os técnicos de transporte, de serviços comerciais, de formação e assistência direta dos viajantes.

Portugal tem vários cursos de nível médio e superior de turismo, vários ainda sem reconhecimento oficial. Portugal tem ainda o Instituto Nacional de Formação Turística (INFT), responsável pela publicação de vários textos sobre o turismo português e europeu e pela análise dos variados currículos de turismo dos países da Comunidade Européia, para emitir certificados de equivalência para profissionais diplomados de outros países de CE que desejem trabalhar em Portugal.

O Reino Unido também oferece cursos superiores de lazer, turismo, hotelaria e entretenimento, estando a maioria deles intimamente ligada a empresas privilegiando atividades e pesquisas práticas e direcionadas à realidade do mercado.

1.2 - O CONTEXTO NACIONAL / REGIONAL E A FORMAÇÃO EM TURISMO

No passado, a vertente jurídico-legal do turismo foi se estruturando lentamente, e, simultaneamente, algumas entidades empresariais também foram se organizando. Como setor organizado da economia, o turismo no Brasil tinha estruturação recente e precária. Tanto o setor privado quanto o setor público pouco investiam nessa área. Há poucas iniciativas relevantes. Em 1928, a Sociedade Brasileira de Turismo, hoje Touring Clube do Brasil, promoveu a primeira Convenção Interestadual de Turismo para seus sócios e, em 1932, foi organizada uma segunda convenção. A entidade era dirigida aos poucos proprietários de automóveis dos anos 1920 e foi a primeira a se preocupar com o turismo nacional.

Em 10/01/1946, foi cria do o Decreto-Lei n.º 8.621 o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) que, no futuro, teria grande importância na formação – dos níveis básico, médio e superior – de profissionais nas áreas de hotelaria e turismo no Senac/Ceatel. O Decreto-Lei n.º 853 de 13/09/1946 criou o Serviço Social do Comércio (Sesc). Essa entidade juntamente com o Senac, muito contribuiu para a teoria e a prática do lazer social. Lazer e cultura são atividades muito importantes no Sesc, e reúnem colônias de férias, balneários, centros campestres e centros culturais para usos de seus associados, em uma prática exemplar de lazer e turismo social.

Em 1953, foi criada a Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav) no Rio de Janeiro, posteriormente estruturada em outros estados da Federação. O primeiro congresso nacional da Abav aconteceu em São Paulo, em abril de 1959. Em 1955, foi criado o Skal Club de São Paulo, o primeiro do Brasil. O Skal é um clube de dirigentes do turismo, destinado primordialmente a atividades sociais. Os primeiros dados estatísticos sobre turismo receptivo no Brasil começaram a ser realizados sistematicamente a partir de 1968 pela Embratur que, nesse ano, apontou 290.079 chegadas internacionais ao país. Analisado os dados da Embratur, observa-se que o turismo receptivo cresceu até 1980, decresceu até 1982 e recomeçou a crescer em 1983, mantendo-se em ascensão até 1986. A partir desse ano, vem caindo de forma acentuada e os motivos são a deterioração da infra-estrutura nacional em geral, o descrédito político, a dívida externa, os problemas ambientais, as crises econômicas e o aumento da criminalidade, com conseqüente repercussão na imprensa internacional.

1.3 - O SURGIMENTO DOS CURSOS DE TURISMO

A Habilitação Única em Turismo é relativamente recente no Brasil, assim como outros cursos superiores como, por exemplo, os da área de comunicações e informática. O curso superior de turismo começou a existir na burocracia governamental pelo Parecer n.º 35/71 do Ministério de Educação, feito pelo relator conselheiro Roberto Siqueira Santos e aprovado em 28/01/1971, do Conselho Federal de Educação, que fixou o conteúdo mínimo e a duração do curso superior de turismo.

O primeiro curso de turismo do Brasil foi criado em 1971 (a atual Faculdade Anhembi-Morumbi), em pleno regime militar. Segundo Berger, o golpe de 1964 transformou o sistema educacional – além da política e das Forças Armadas – instrumentos para o controle do processo de desenvolvimento da sociedade. Esse desenvolvimento era eminentemente tecnicista, menosprezando os aspectos sociopolíticos e culturais da superestrutura social.

1.4 - ESCOLAS SUPERIORES DE TURISMO

Apenas em 1971 é que surgem as primeiras preocupações com a formação profissional e a mão-de-obra especializada em turismo, com a criação da Faculdade de Turismo no Morumbi em São Paulo, que, conforme foi analisado anteriormente, surge em pleno “milagre” brasileiro. Indiscutivelmente, fazia-se necessária a organização de escolas de turismo no Brasil. Na Europa e na América do Norte, essas escolas, de nível técnico e superior, já estavam implantadas há vários anos, formando pessoas para planejar e operacionalizar viagens e turismo.

CRONOLOGIA DA ABERTURA DE ALGUNS DOS CURSOS DE TURISMO NO BRASIL
1971
Faculdade de Turismo no Morumbi, São Paulo, atualmente Faculdade Anhembi-Morumbi.
1973
Faculdade de Turismo da Guanabara, Rio de Janeiro; Faculdade Ibero-Americana, São Paulo; Faculdade de Ciências Exatas, Administrativas e Sociais, União Pioneira de Integração Social, Brasília; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
1974
Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas.
1975
Universidade Católica de Pernambuco, Recife.
1976
Faculdade Associação Educacional do Litoral Santista, Santos; Faculdade Capital de Administração e Estatística, São Paulo.
1977
Reconhecido o curso de turismo da Faculdade Hélio Alonso, Rio de Janeiro.
1978
Criado o Centro de Estudos de Administração Hoteleira e Turismo (Ceatel, ligado ao Senac, São Paulo).
1979
Curso de Hotelaria da Faculdade de Administração Hoteleira, Caxias do Sul, RS.
1980
Associação Educacional Veiga de Almeida, Faculdade de Turismo Embaixador Paschoal Carlos Magno, Rio de Janeiro. Reconhecido o curso de turismo da PUC-Campinas pela Portaria Ministerial (MEC) n.º 335.
1981
Instituto Cultural Newton Paiva Ferreira, belo Horizonte.
1984
Faculdade de Turismo da Bahia, Salvador; Curso de Hotelaria da Faculdade Hebraico-Renascença, São Paulo.
1985
Faculdade de Ciências de Foz do Iguaçu, PR; Universidade de Fortaleza, CE.
1989
O Senac/Ceatel cria o curso técnico de Turismo (nível secundário) com um ano de duração. Nesse mesmo ano, instalou seu primeiro curso regular, o de Tecnologia em Hotelaria.

2 - A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL EM TURISMO NO BRASIL

2.1 - CONJUNTURA ATUAL E O PROFISSIONAL EM TURISMO

O bacharel em turismo precisa de algumas habilidades fundamentais para se tornar um profissional qualificado e realizado individualmente e socialmente. Há desde o impacto vocacional até outros pontos como iniciativa, determinação, criatividade, persistência, autoconfiança, conhecimentos técnicos e o sentido de profissionalismo, que é mais do que encarar a profissão como uma simples ocupação destinada a garantir sua sobrevivência. Os futuros profissionais, durante a graduação, devem ter acesso a uma visão abrangente e completa do que a profissão e o mercado turístico representam. Para isso, o curso todo, orientado por um projeto pedagógico consistente, deve apontar para objetivos claros e desafiadores.

O mercado de trabalho é bastante variado. O bacharel em turismo pode se inserir em um conjunto bastante diversificado de atividades:

1 – setor privado em hotelaria e similares, agências de viagens e de turismo, companhias aéreas e demais setores de transporte, setor de congressos e eventos, exposições e feiras comerciais e industriais de caráter regional, nacional ou internacional;
2 – setores de recreação e lazer programados;
3 – marketing e venda turística;
4 – centros de informações, documentação e pesquisas turísticas, em nível municipal, estadual ou federal;
5 – órgãos oficiais de turismo, instituições de caráter misto para formento, planejamento, pesquisa e controle de atividades turísticas;
6 – guia receptivo, local, nacional ou internacional, desde que tenha feito curso específico reconhecido pela Embratur.

Não importa onde o profissional vai trabalhar, ele sempre encontrará novas realidades em um mercado que se transforma rapidamente. As mudanças se referem especialmente às novas tecnologias e à importância crescente do setor terciário na economia. Todas as grandes redes de transportes terrestres, marítimos, ou aéreos, hotéis, operadoras turísticas e agências de viagens estão informatizadas. Conhecimentos de informática, aliados à necessidade de familiarização com línguas estrangeiras (especialmente o inglês, no caso do Brasil), são requisitos básicos para quem vai se aventurar no mercado e deseja ter sucesso.

Os principais “concorrentes” do bacharel em turismo no mercado de trabalho são:

1 – profissionais com curso superior de administração de empresas, economia, direito, sociologia, relações públicas, etc.;
2 – profissionais de formação média que, pela atuação em empresas e órgãos públicos de turismo, familiarizam-se com tarefas geralmente rotineiras e, com o tempo, atingem pontos de mais responsabilidade;
3 – graduados nas áreas de educação física, lazer e recreação;
4 – profissionais estrangeiros, especialmente nas grandes cadeias hoteleiras, operadoras e agências de viagens internacionais em franquias de maior porte, onde o controle administrativo pode ser ainda realizado no exterior.

Os diversos relacionamentos com os quais os estudantes terão contato também ajudarão no processo educacional. Desde os relacionamentos “intramuros” universitários, até os relacionamentos com o mercado de trabalho, os órgãos oficiais de turismo, a empresa e editoras especializadas em outras instituições de ensino. Tudo o que puder veicular informação e cultura deve ser viabilizado para o curso.

CONCLUSÃO

O turismo no Brasil ainda caminha a passos curtos e projeção longínqua; precisa ser avaliado e planejado de forma que possa competir por igual com outros países que não possuem a dimensão da matéria prima que possuímos, mas por questão de gestão e profissionalismo estão no patamar dos países mais requisitados turisticamente. Em um mundo tão mutável e flexível, como orientar os futuros profissionais pelas trilhas do conhecimento? É necessário investir em outros segmentos do turismo de tal forma que o turista possa se interessar em explorar outras atividades desvinculadas do turismo de massa (sol e mar), como por exemplo o ecoturismo. Não basta investimentos em equipamentos hoteleiro, se não houver profissionais qualificados ao atendimento do turista, que está cada vez mais exigente. É necessário inovar na apresentação do Brasil ao exterior, visto que é um país extremamente rico em potencial natural e cultural, precisa ser explorado de maneira inteligente, rentável e significativo. Esse foi o objetivo deste trabalho, mostrar que o Turismo está crescendo cada vez mais no nosso país e que precisamos desenvolver projetos de educação ambiental nas escolas de ensino fundamental, Ampliar a capacidade de vôos particulares (vôos chartes), tendo a oportunidade de ampliar a área a ser estudada.

Autor: Marcio R

 

 

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