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Educação em Turismo: Conhecimento Crítico Vs Técnica - Mai/06

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Desde que a sociedade se reconhece como tal, são crescentes as transformações sociais, políticas e econômicas; contudo, desde a década de 60 o Brasil, em particular, vem vivenciando transformações mais profundas e aceleradas. Com o advento da abertura econômica iniciada no governo ditatorial militar da década de 60 e incrementada, principalmente, pelos governos Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, todos os setores da economia tornaram-se mais competitivos e passaram a exigir trabalhadores com habilidades e competências melhor desenvolvidas e cientes da necessidade de educação continuada. Assim, a necessidade de ingresso e de permanência no mercado de trabalho gerado pela economia formal, incentivou jovens, a permanecerem nos bancos escolares por mais tempo e a adultos a retornarem a estes mesmos bancos. Contudo, a estrutura educacional pública e gratuita não foi capaz de absorver a crescente demanda.

Desde início da década de 80, a academia e a mídia destacavam que por força do processo de globalização econômica, a realidade mundial, tanto nos países subdesenvolvidos, em desenvolvimento e nos desenvolvidos sofreriam transformações em virtude da rápida evolução tecnológica e dos meios de informação e comunicação. Este processo de globalização econômica que passou a ser visto como uma nova ordem mundial destacou a necessidade de reestruturação dos meios produtivos, em virtude da ampliação da abertura econômica, o que gerou elevação das desigualdades entre países e regiões As regiões com elevado sistema produtivo e níveis de competitividade global se destacaram, entretanto vários locais não conseguiram acompanhar esta ´nova ordem´; pois a competição do mercado globalizado exigiu e exige detenção de tecnologias de ponta e profissionais dotados de competências e habilidades para utilizá-las. Isto acabou por gerar um crescimento significativo na procura por profissionais com níveis cada vez mais elevados de escolarização e de qualificação profissional.

A educação pública e gratuita no Brasil acabou por se tornar um desafio a governantes, independente da região geográfica ou do poder aquisitivo da população. Não que o problema seja novo; afinal, uma breve revisão na história da Educação Superior brasileira apontará que o caos no setor sempre se fez presente. Como forma de amenizar os problemas, tanto o governo militar da década de 60, com o seu projeto “Brasil, Grande Potência” , como na política neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, fora incentivada a expansão da Educação Superior privada, como forma de atender a demanda.

Não é possível afirmar que o Brasil não possua recursos financeiros para a Educação Superior, o que ocorre é que a legislação vigente, elaborada a partir de políticas públicas delineadas pelos tentáculos do Banco Mundial (Fundo Monetário Internacional – FMI, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento – BIRD, Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID etc) que financiam as ações de implementação destas mesmas políticas públicas, exige que os investimentos mais significativos sejam destinados à Educação Básica, prioritariamente o Ensino Fundamental, para o qual existe inclusive um fundo próprio, o FUNDEF – Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental.

A legislação vigente atribui como prioridade para o Brasil a Educação Básica, responsabilizando os governos municipais para com o ônus da Educação Infantil e do Ensino Fundamental e os governos estaduais para com o ônus do Ensino Médio. Não há responsabilização de governo algum para com a Educação Superior no tocante aos investimentos. Este ponto é crucial na compreensão dos movimentos sociais que clamam por Educação Superior pública e gratuita; também, é fundamental na compreensão dos motivos de críticas veementes aos radicais que responsabilizam o governo federal pelo não investimento no setor. Faz-se necessário compreender a legislação educacional brasileira, à luz das políticas públicas setoriais para que seja possível emitir opinião sobre a situação.

Sem adotar postura cordata ou de concordância com o atual quadro; mas, adotando postura crítica e fundamentada, considera-se que o ‘sonho’ de uma Educação Pública gratuita e com elevados padrões de qualidade só tornar-se-á possível mediante três reformas: Reforma das Políticas Públicas para a Educação, Reforma da Legislação Educacional e Reforma da Educação Superior (equivocadamente chamada de Reforma Universitária). Entende-se que sem políticas públicas claras, sem incorporação da Educação Superior pública como direito de todo cidadão e dever do Estado e sem a reforma na estrutura administrativa e pedagógica da Educação Superior, pouco poderá ser feito. Entende-se que as atuais políticas de cotas, de bolsas ou de formas alternativas de financiamento estudantil são um verdadeiro engodo governamental, não contribuindo significativamente para o acesso à Educação Superior nas instituições públicas e gratuitas.

As estatísticas educacionais, sobretudo as emanadas dos órgãos públicos, apontam um crescimento vertiginoso da Educação Superior privada no Brasil, como uma resposta às demandas da sociedade e ao não compromisso governamental para com a realidade. Não se defende que a Educação Superior deva ser atividade de oferta única e exclusiva governamental; mas, que este deva ser, para além de legislador, o seu regulador, como forma de evitar os descalabros pedagógicos e profissionais que são vistos desde a década de 60 e que se acentuam na última década.

Se por um lado existe uma pressão crescente da economia formal por trabalhadores com elevada escolarização e com pleno desenvolvimento de competências e habilidades para o exercício profissional; a preocupação governamental com a elevação dos índices educacionais brasileiros, que refletem no IDH – Índice de Desenvolvimento Humano e interferem na obtenção de recursos financeiros junto à organismos internacionais; e, os baixos investimentos públicos em Educação Superior; por outro, existe uma demanda crescente na relação candidato/vaga nas instituições públicas e gratuitas de Educação Superior e uma expansão descontrolada na oferta de cursos/vagas nas instituições privadas.

Se o poder público, seja na esfera Federal, seja na Estadual ou Municipal em virtude de problemas financeiros e de infra-estrutura, não consegue absorver todos os estudantes que buscam a Educação Superior gratuita; a iniciativa privada o faz. Nesta relação procura/oferta surgiram empresários dispostos a investir em Educação Superior. Esses investimentos vêm de acordo com o pensamento de que “a Educação Superior é um dos negócios mais lucrativos do país” (CATANI & OLIVEIRA, 2000, p. 65).

Novamente reafirma-se que, aqui, não se está defendendo a Educação Superior como atividade exclusiva do poder público; mas, que este deve ser seu regulador. Essa transferência de responsabilidades, se assim pode-se denominar, público-privado na Educação Superior levou à abertura de um grande número de instituições, cursos e vagas sem planejamento. Assim, tem se assistido a verdadeiros ‘horrores pedagógicos’ na Educação Superior. Conforme Sguissardi (2000, p. 23) “no âmbito das IES privadas, as mesmas enfrentam entre si uma competição empresarial que se aprofunda no setor” e vence aquela que oferece melhores condições pedagógicas, apesar de que várias estão conseguindo sobreviver apesar dos altos índices de inadimplência e vagas ociosas. Como nos outros setores da economia, sem usar-se da ‘futurologia’, as tendências são de profissionalização das IES ou de criação de processos de fusão/incorporação.

Teoricamente as IES privadas (particulares, confessionais, filantrópicas e comunitárias) deveriam oferecer estrutura humana, física, administrativa e pedagógica com padrões superiores às IES públicas (federais, estaduais e municipais); contudo, como em qualquer negócio, proliferam instituições de qualidade duvidosa e estrutura para lá de crítica. Diante da ‘lei da oferta e da procura’, a disputa entre as IES privadas por alunos tem gerado a criação de todos os tipos de ‘invenções’ pedagógicas possíveis, que passam de Processo Seletivo simplificado à oferta de cursos presenciais em tempo reduzidíssimo e com atividades letivas esporádicas.

Claro que o sistema educacional brasileiro como um todo padece; mas, a Educação Superior se aproxima do estado vegetativo. A título de exemplificação, hoje é possível um brasileiro semi-alfabetizado sair de sua condição de baixa escolarização e tornar-se docente na Educação Superior em tempo inferior a três anos. É um cálculo perverso; mas, real. Uma pessoa sem escolarização poderá encontrar com relativa facilidade nos classificados de jornais ou em panfletos distribuídos nos semáforos e esquinas, anúncio de escolas de Educação Básica, credenciadas pelo poder público, que oferecem Ensino Fundamental (1ª a 8ª séries) e Ensino Médio (1ª a 3ª séries) em 90 (noventa) dias, sem a necessidade de participar de atividades presenciais (o que é uma contravenção na EAD). Assim, se ele iniciar seus estudos no mês de abril/05 em junho/05 estará apto a participar de um processo seletivo para ingresso na Educação Superior. Diante do elevado número de instituições/cursos/vagas o mesmo poderá fazer a opção por uma que adote o sistema de seleção por ‘Análise do Histórico Escolar’ ou por ‘Provas Simplificadas’, tendo a certeza de sua aprovação. Poderá o futuro ‘acadêmico’ optar por um curso que tenha duração de dois anos e não ofereça atividades regulares (no Sul e no Sudeste do Brasil é possível encontrar, por exemplo, o Curso Superior de Graduação Tecnológica em Turismo e Hospitalidade, com Habilitação em Gastronomia, onde a carga horária é integralizada em dois anos com aulas dois turnos por semana e atividades domiciliares nos demais períodos, não sendo considerado curso via EAD – Educação a Distância); desta forma, em Julho/07 o mesmo terá colado grau e poderá continuar seus estudos em nível avançado.

Esta não é uma situação fictícia e é facilmente encontrada nas diversas áreas profissionais, inclusive no Turismo. Como outros cursos da área de Ciências Sociais Aplicadas, a Educação Superior em Turismo também assiste ao seu crescimento desordenado. Segundo um levantamento realizado pelo site www.turismologia.com.br, existem 723 cursos de Turismo em funcionamento no Brasil; sem contar, os que estão aguardando autorização de funcionamento, os que foram criados recentemente por instituições credenciadas como universidades e centros universitários (que não dependem de autorização de funcionamento emitida pelo poder público, dada a sua autonomia) e os que estão sendo lançados via EAD, com a oferta de milhares de vagas simultâneas.

Essa explosão dos cursos de graduação (Tecnologia ou Bacharelado) em Turismo é preocupante, sobretudo pelo fato do Brasil ser carente em docentes com titulação acadêmica compatível. Conforme dados disponibilizados pela CAPES (www.capes.gov.br) no Brasil existem apenas 4 programas de pós-graduação stricto sensu em nível de Mestrado devidamente reconhecidos, e nenhum Doutorado; assim, o corpo docente dos cursos de Turismo acaba sendo constituído por docentes com diferentes formações e, às vezes, com pouca experiência e vivência na área. Isto faz com que exista significativa dificuldade em realizar interação entre a teoria e prática, onde novos saberes gerados nas empresas demoram a ser incorporado nos processos de ensino-aprendizagem da academia.

A proliferação dos cursos de Turismo deu-se com grande apelo de marketing, destacando a sua importância na área de prestação de serviços, que é o segmento econômico em franco crescimento, como uma atividade do setor terciário geradora de emprego e renda. Sabe-se que o setor está em franco crescimento, conforme aponta a própria OMT - Organização Mundial do Turismo ao divulgar que em 2004 houve um crescimento de 10% em relação a 2003, e que o setor está empregando 10% da força de trabalho mundial. Também, sabe-se que o Brasil tem tudo para ser um grande pólo de turismo; pois, o Plano Nacional de Turismo do governo federal prevê aumentar o número atual de visitantes estrangeiros de 4 milhões para 9 milhões, gerando US$ 8 bilhões até 2007; isto significa criar um adicional de 1,2 milhão de postos de trabalho no setor.

Para atender a esta demanda são necessários muitos cursos superiores de Turismo; mas, se existem 723 cursos no Brasil, onde reside o problema de não assimilação desse profissional pelo mercado de trabalho? O empresariado brasileiro não reconhece as aptidões do profissional? Para atuar na área não se faz necessária uma graduação específica? Inexiste uma identidade para o profissional de turismo? As IES que oferecem o curso de Turismo possuem baixa qualidade? Ou, a Educação Superior em Turismo não é capaz de atender as demandas científicas e técnicas que a economia, o mercado e a sociedade como um todo exigem?

É comum no setor de Turismo deparar-se com empresários que não são estudiosos da área; mas, empreendedores, não possuindo o conhecimento teórico e a leitura crítica da realidade exigida; assim, fazem do Turismo apenas uma atividade prestadora de serviços ao mercado capitalista, sem qualquer dimensão e responsabilidade social ampla. Para MOESCH (2000, p.21) “o turismo é um fenômeno com conseqüências culturais, sociais, políticas, comunicacionais, que deve ser estudado... ou seja, não somente do ponto de vista mercadológico, mas também nas preocupações sociológicas, antropológicas, geográficas etc”.

Nas propostas pedagógicas e composições curriculares dos cursos de Turismo no Brasil, é possível encontrar um ‘leque’ de disciplinas das áreas de Ciências Humanas e de Ciências Sociais Aplicadas que proporcionam conhecimentos gerais; mas, poucos são os cursos que oferecem programas teóricos e práticos envolvendo a relação intrínseca destas disciplinas e conhecimentos gerais com as necessidades do mercado; e, mesmo como instrumentalização para a reflexão crítica sobre a estrutura e o funcionamento deste mesmo mercado.

Os acadêmicos dos cursos superiores de Turismo esperam uma formação técnica que lhes garanta empregabilidade; no entanto é durante o curso que os mesmos descobrem que a realidade é outra, sendo que por um lado a área de atuação profissional é mais ampla do que o inicialmente vislumbrado e que a formação oferecida pela academia resulta no profissional ‘especialista em generalidades’, nem bem a ciência e nem bem a técnica. Por sua vez, o mercado de trabalho informa que as composições curriculares dos cursos de Turismo não condizem com a realidade, e que os profissionais oriundos dessa formação não estão capacitados para ocupar as vagas abertas pelo trade turístico.

Este quadro gera uma profunda insatisfação que acaba por levar a uma grande evasão nos cursos superiores de Turismo. Diante do fato, as IES buscam alternativas para incluir a técnica/prática dentro de seus currículos, seja através de cursos de extensão ou aperfeiçoamento, seja levando para seu interior aqueles que ‘estão no mercado’ ou que ‘fazem o mercado’ do Turismo.

Contudo, crê-se que a academia não é o lugar meramente da técnica. A técnica deveria ser reservada aos cursos técnicos profissionalizantes. Segundo TINEU (2002, p.1) ”as IES que oferecem o curso de Turismo, deveriam visar o pensamento crítico e analítico da atividade turística proporcionando ao aluno uma visão sistêmica e holística, a qual formaria profissionais para atuar de forma multidisciplinar e interdisciplinar”. Existe claramente uma diferença entre a atividade técnica do Turismo e a pesquisa cientifica a respeito do fenômeno turístico; pois, trabalhar ou ser profissional de turismo é desempenhar alguma função dentro dos vários componentes da oferta turística, prestando serviços para equipamentos turísticos, ou fazendo parte da superestrutura jurídica administrativa responsável pelo planejamento, execução e controle da dita oferta, pela criação de atrativos ou pela utilização dos existentes, sejam eles naturais ou culturais. Já estudar turismo é lançar um olhar, a partir de alguma disciplina específica, sobre o fenômeno turístico e suas implicações, as relações entre o turista e a população visitada, os impactos da chegada de contingentes de não residentes no meio ambiente no seu sentido amplo, que abrange natureza e cultura (BARRETO, M. & TOMIO, D. & SGROTT, S. & PIMENTA, J. 2002).

O professor Mário Carlos Beni em entrevista a Revista Você S/A, de 03 Janeiro de 2005, destaca que “quem se forma em um dos cursos de Turismo de terceiro grau, não quer se sujeitar a trabalhar como recepcionista ou mensageiro” ou seja, o que o mercado procura é inversamente proporcional à resposta da educação superior em Turismo. Para se ter uma idéia desta questão, SAADI (2003, p.20) aponta que:

o curso da UFMG tem uma orientação diferente dos demais. Estamos voltados para uma formação mais reflexiva, mais na linha de pesquisa. Temos preocupação em preparar os alunos para pensar a organização espacial da sociedade, para serem capazes de fazer um planejamento turístico mediante a pesquisa local e regional. Temos que permitir ao aluno pensar o turismo de forma diferente, ampla e profunda. Tal como o turismo deve ser pensado, pois abrange todas as áreas do conhecimento; envolve tudo o que uma pessoa precisa para viver, tudo o que necessário para a organização de uma cidade. Sem exagero, o turismo envolve tudo o que é preciso para fazer um país funcionar enquanto nação. Não temos o aspecto técnico focado em números de crescimento, mas sim, estamos no caminho de pensar o espaço público, de fazer uma análise espacial e de pesquisa em turismo científico. Não nos preocupamos com hotelaria, com comes e bebes, pois isso j existe nas escolas profissionalizantes. Ao contrário, se os alunos se interessarem em fazer fora, cursos nessa área, administramos os créditos para que ele se sinta motivado a eles, já que o nosso tempo, ocupa com a pesquisa e a reflexão.

Entretanto, existem educadores e profissionais do setor, que defendem que a educação em Turismo deve estar aliada ao mercado de trabalho, associado com a pesquisa científica. Para LOPES (2003, p. 1),

a educação turística deve basear-se em uma visão empresarial, pois a atividade baseia-se na prestação de serviços. Cabe aos educadores conciliar teoria e prática junto aos alunos e aproximar ao máximo a realidade do mercado, como: aplicação de estudos de caso, laboratórios, convênios com agências de turismo, hotéis, companhias aéreas, cursos de intercâmbio, além de incentivar as pesquisas científicas.

Deste ponto de vista, não existe nada de errado em buscar uma formação para o mercado de trabalho; mas, a questão e preocupação são como isso será feito. Um estudo recentemente elaborado e apresentado no ENTBL – Encontro Nacional de Turismo de Base Local pelo pesquisador Marcelo Augusto Mascarenhas, destaca em seu artigo MERCADO x CIÊNCIA: Quem Será o Vencedor no Turismo, a preocupação pelo fato das IES privadas deixarem de lado a preocupação com a pesquisa científica e estarem menosprezando em suas grades curriculares as disciplinas ricas em conteúdos científicos. Ainda destaca que, incentivar o desenvolvimento da pesquisa em turismo, é ponto fundamental para que este possa realmente ser mais bem aceito como ciência. Ainda, frisa que formar pesquisadores, infelizmente, não será a proposta da maior parte dos cursos de Turismo, mas então, quem deve continuar a desenvolver a produção do saber turístico?

Cabe, aqui, apontar que a pesquisa científica, na estrutura da educação superior brasileira, é de obrigatoriedade das instituições credenciadas como ‘universidades’, sendo as demais desobrigadas à produção do conhecimento; ou seja, as instituições classificadas como: escolas superiores, institutos de educação, faculdades isoladas, faculdades integradas, centros de educação tecnológica e centros universitários, devem se ater à transmissão do conhecimento.

Na opinião de alguns educadores e profissionais da área, o ensino da técnica deve ser realizada nos cursos técnicos e adaptando-se a realidade regional e local, fazendo com que os projetos pedagógicos e curriculares sejam dimensionados a uma formação específica, encontrando sua diferenciação no mercado. Segundo TRIGO (2003, p.1), o Brasil precisa, nessa nova fase da articulação do turismo, de cursos técnicos e superiores de tecnologia adaptados às diversas realidades regionais e necessidades do país. Segmentos como turismo rural, cultural, étnico, esportivo, entretenimento, gastronomia etc. Precisam de profissionais de nível médio ou tecnológico para operacionalizar e implantar projetos.

A exemplo, o Governo do Estado do Paraná, está incentivando o retorno dos cursos técnicos pela Rede Estadual de Ensino, onde os estabelecimentos elaboram projetos pedagógicos com as seguintes configurações: Técnico em Turismo com formação em Guia Regional (ensino médio subseqüente) ou Técnico em Turismo (ensino integrado). A malservação da coisa pública aqui se revela principalmente pela composição curricular destes cursos, que fora apreciado e criticado por profissionais da área. As mesmas apresentam disciplinas com conteúdos programáticos que são cópias fiéis de cursos de graduação. Ao que parece, os cursos técnicos também terão formação de profissionais generalistas, onde o ideal é proporcionar atividades operacionais da área, a qual ainda existem carências de profissionais qualificados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando os fatos citados, conclui-se que existe uma necessidade de discutir a questão da educação em turismo, seja ela profissional ou acadêmica, até pelo fato de que da maneira em que está se inserindo no mercado, pode acabar desvalorizando ainda mais esse profissional. Cabe destacar ainda que o profissional da área de turismo tem seus direitos defendidos apenas pelos fracos sindicatos da categoria. A profissão ainda não é regulamentada, entretanto existem projetos em discussão, na cidade de Brasília, mas é necessário arrumar primeiramente a educação em turismo.

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Autores:
IZAC DE OLIVEIRA BELINO BONFIM
Bel. em Turismo – Faculdades Curitiba
Especialista em Magistério Superior – IBPEX
Prof. Substituto Depto Turismo - UFPR

Ped. Marcos José Clivatti Freitag, M.Ed.
Mestre em Educação (FURB)
Diretor ISG – Instituto Sui Generis Pós-Graduação
 

 

 

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