Desenvolvimento Sustentável - Ago/03

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Por desenvolvimento sustentável podemos considerar a capacidade de determinada atividade, comunidade, ou de determinado sistema de empreender ações e atingir objetivos, que possam, sobretudo, lhe permitir a continuidade do processo em questão, procurando estabelecer padrões de produtividade, assim como de qualidade.

O conceito de desenvolvimento sustentável tem recebido enorme atenção de especialistas, cientistas e acadêmicos de várias ciências e ramos de atividade produtiva, principalmente após a publicação de trabalhos como o Our Common Future, e mais recentemente da publicação da Agenda 21.

A atividade de turismo como todas as outras também observou estes conceitos e aplicou-os em experiências, assim como adequou teorias, técnicas e procedimentos de disciplinas como a Geografia, Geologia, Ecologia, Biologia, Arqueologia, Sociologia, Filosofia e tantas outras para estabelecer o que seja o Turismo Sustentável, quais as atividades, comportamentos e procedimentos que permitam seu desenvolvimento.

Para que possamos empreender desenvolvimento sustentável devemos acima de tudo estabelecer um planejamento abrangente, global, sistêmico, o que significa que devemos o quanto nos for possível aprofundar nossos estudos, experimentos e constatações em torno de quantos forem os aspectos relacionados ao processo em questão.

Faz-se essencialmente necessário portanto, o desenvolvimento de uma reformulação estrutural do currículo dos cursos de Turismo que se prestam a formação de planejadores e gestores capacitados a observar o Turismo a partir de uma visão holística, que procura de maneira sistemática englobar todos os aspectos envolvidos com a prática do turismo e o estabelecimento de empreendimentos e produtos turísticos.

Isto porque apesar de constar na grade curricular de muitas faculdades de Turismo, disciplinas que enfocam o Desenvolvimento Sustentável, o Ecoturismo e o Planejamento, outras disciplinas como as de Hospedagem, Alimentos e Bebidas, Agenciamento, Comunicação e Marketing desvinculam-se desta concepção de sustentabilidade para estarem somente relacionadas ao mercado e ao marketing.
Nos deparamos, então com paradoxo de difícil resolução, na medida em que todos ou grande parte dos conceitos explicitados em torno da teoria do desenvolvimento sustentável perdem-se em meio a busca pelo aumento dos lucros e dos fluxos turísticos.

Torna-se imperativo perceber que independente de qual sejam as atividades, fenômenos, produtos ou serviços turísticos em questão, a abordagem sistêmica e a preocupação com a sustentabilidade devem estar categórica e cientificamente evidenciadas, com pena de desvirtuar e mesmo corromper todo o esforço feito por outras disciplinas em despertar nos futuros profissionais de Turismo, quais sejam seus papéis dentro deste fenômeno tão grande quanto mal compreendido ou praticado.

Esta perspectiva não somente se acaba dentro da sala de aula, mas também nas visitas técnicas, ou mesmo nas viagens propriamente turísticas que estes graduandos experimentam. Desta forma o problema mostra-se como institucional, e apresenta distorções em muitos outros aspectos como na escolha das destinações em que serão realizadas as visitas técnicas, assim como das atividades a serem realizadas ou dos equipamentos e serviços utilizados.

Também em seu trabalho ligado a atividade de turismo o graduando desvirtua-se dos conceitos de sustentabilidade e detêm-se tão somente com números e dígitos duplos.

Este problema ainda reverbera na escolha de temas para trabalhos curriculares e de conclusão de curso, que majoritariamente incluem temas e atividades identificadas quase que exclusivamente com perspectivas de alcance de mercado, expansão e criação de segmentos e nichos de mercado, expectativas de crescimento da atividade e dos lucros.

Podemos questionar também a escolha de professores, muitas vezes formando corpo docente mercadológico, mecanicista e positivista, ao invés de outro formado em sua essência por transdisciplinaridade, multidisciplinaridade e interdisciplinaridade, em muito humanista, mas sobretudo revolucionário.

Autor:
Thiago Dias
Graduando em Turismo

 

 

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