Dekasseguis têm oportunidade de capacitação empreendedora

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A partir de novembro, os dekasseguis (descendentes de japoneses que emigram ao Japão para trabalhar) terão uma alternativa que lhes permitirá o retorno e a permanência no Brasil: o Projeto Valorização do Dekassegui / Dekassegui Empreendedor. 

Hoje, mais de 250 mil dekasseguis trabalham no Japão e estima-se que sejam responsáveis por cerca de três bilhões de dólares em remessas que ingressam anualmente no Brasil. No entanto, os recursos poupados que permanecem no Japão podem ultrapassar a espantosa cifra de vinte bilhões de dólares. 

A grande maioria desses trabalhadores sonha em regressar ao Brasil, mas a volta e sua fixação aqui têm se tornado inviável do ponto de vista financeiro e profissional. 

Dificuldades e fracassos - Ao ficarem afastados do Brasil por períodos que variam de três a dez anos e por exercerem atividades não qualificadas no Japão, ao retornar os dekasseguis dificilmente conseguem encontrar emprego. 

A disparidade salarial também é outro obstáculo quase intransponível. Enquanto no Japão, apesar do custo de vida elevadíssimo, conseguem ganhar entre dois e cinco mil dólares ao mês, no Brasil, exercendo as mesmas atividades, a remuneração varia de 150 a 250 dólares ao mês. E a isso se deve ainda acrescentar o absoluto desconhecimento das transformações econômicas vividas pelo país nos últimos anos. 

Para enfrentar as dificuldades do desemprego e salários baixos, muito dekasseguis se aventuram em abrir pequenas empresas, mas, salvo raríssimas exceções, acabam perdendo toda a economia conquistada em anos de muito trabalho e grandes sacrifícios. 

Dados oficiais confirmam que boa parte das pequenas empresas não sobrevive ao primeiro ano de funcionamento, e não apenas negócios montados por dekasseguis, mas de milhares de trabalhadores que investem suas indenizações para ser seus próprios patrões, acabam quebrando e contraindo dívidas que, muitas vezes, não podem ser pagas. 

Quando começamos a levantar elementos para a elaboração do projeto, soubemos de muitos dekasseguis que, por desconhecimento do cotidiano de um empreendimento, sofreram grandes prejuízos e precisaram voltar ao Japão para uma outra temporada de horas-extras extenuantes, observa Renato Shigueru Botuem, diretor de planejamento da Reduplan Alianças Estratégicas, empresa de marketing responsável desenvolvimento e operacionalização do programa. 

Para o trabalhador que, ao retornar ao Brasil, decidir se estabelecer por conta própria e possa vislumbrar a perspectiva de renda e a minimização de risco, o Projeto Valorização do Dekassegui / Dekassegui Empreendedor tem como foco principal o suporte profissional e a defesa de seus interesses. 

Mas não é só. 

O aspecto social - Para Renato Botuem, não é só o potencial de negócios decorrentes do retorno e do sucesso que deve ser destacado, é importante também ressaltar o aspecto social previsto no projeto. Reintegrar famílias, gerar empregos, promover a viabilização de novos empregos, criar e distribuir riquezas, mobilizar pessoas para que se tornem investidoras em trabalho e em idéias, pondera, ao detalhar o projeto. 

Projeto este que prevê, além da capacitação empreendedora e alternativas profissionais e de negócios, também um forte esforço em apoio motivacional e em treinamento prático. Depois de alguns anos de até doze ou quinze horas diárias de trabalho pesado, ao voltar para casa o dekassegui procura realizar seus sonhos individuais, mas muitas vezes sente-se desmotivado até mesmo em suas relações familiares. Nosso programa também é dirigido para este tipo de assistência motivacional, detectando e estimulando o perfil empreendedor de cada um, esclarece Botuem. 

Operação - Em parceria com o Sebrae, os dekasseguis conhecerão na teoria o funcionamento de uma empresa. Na parte prática, simularão com atores especializados em treinamento corporativo os diversos papéis de uma empresa: clientes, fornecedores, funcionários, gerentes de banco, etc. 

Para este treinamento empresarial prático estão sendo montadas cinco escolas itinerantes dentro de carretas, que simularão em seu interior alguns empreendimentos, como cafeteria (comércio e serviço), perfumaria (comércio), vestuário (comércio), hidroponia (agribusiness) fabricação e manipulação de cosméticos (indústria). 

O objetivo é atender dez mil dekasseguis/ano, em regiões do país onde exista concentração da colônia japonesa e os cursos devem acontecer a partir de novembro. 

PDV - O Projeto Dekassegui Empreendedor não se ao universo dos emigrantes que vão trabalhar no Japão. Com a economia cada vez mais globalizada, estão surgindo muitos Planos de Demissão Voluntária (PDV) no Brasil, tanto no setor público como no privado neste ano já houve na Ford e no Banespa, e a Caixa Econômica Federal está preparando o seu. 

O que esses demitidos voluntários vão fazer com suas indenizações? Investir em empreendimentos próprios ou em empresas de participação?, questiona Renato Botuem. "Nosso projeto não pretende dar soluções, mas apresentar alternativas de capacitação empreendedora, de modo que os ganhos de uma vida profissional inteira não venha a se perder por desconhecimento e informação", conclui. 

Lançamento - O lançamento oficial do Projeto Valorização do Dekassegui / Dekassegui Empreendedor será no próximo dia 30 de setembro, durante a 23 Festa do Verde (Estrada do Tronco, Itaquaquecetuba, km 206 da Rodovia Presidente Dutra, sentido Rio, a partir das 10 horas), evento realizado anualmente pela Casa da Esperança Kibô-No-Iê, entidade assistencial japonesa (também escola agrícola) que atende deficientes físicos e mentais há trinta anos. 

Autor: Diorindo Lopes Jr.

 

 

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