O Curso Universitário de Turismo Sobre as Consequencias da Política Neoliberal - Dez/04

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Luta em favor da regulamentação profissional e a da dignidade e respeito a professores e alunos

A lógica com que o sistema capitalista movimenta-se em sua face neoliberal acaba impondo às Universidades e Faculdades públicas e privadas no Brasil uma paralisia no campo do ensino, pesquisa e extensão estas atitudes são nefastas e trágicas para o todo da educação brasileira.

Os alunos em casos diversos e cíclicos são objetos de uma prática pedagógica separada da reflexão e do pensamento crítico, padecendo da presença de professores melhor qualificados e dignamente remunerados, bem como, de uma infra-estrutura básica de apoio para que tenhamos a formação de profissionais com competência reconhecida e que garantam a segurança da própria sociedade.

O ensino oferecido apresenta o vício secular da tradicionalidade kantiana em que o discente desde o processo de alfabetização até a universidade vai sendo empurrado por etapas, perdendo o sentido da totalidade. A necessidade social de qualificar-se da forma que for possível rumo ao primeiro e segundo grau alcança o terceiro muitas vezes na posição de não saber ler e interpretar textos, portanto, não sabe ouvir e nem se expressar.

O nosso aluno em sua grande maioria trabalha, ganha mal, não tem tempo e disposição para estudar, entende o centro educacional como mais um dos muitos sacrifícios descolados de sua vida pessoal, vive num país em que a desigualdade foi naturalizada, a cultura é algo da elite e o direito de deslocamento para de fato desenvolver o turismo é possível para quem tem dinheiro.

A insensibilidade de governos para com a educação em adotar políticas públicas de inclusão é uma constante, em muitos casos tornam-se catastróficas, falta material de laboratórios, professores, infra-estrutura, papel higiênico, giz e dinheiro para pagar luz e água. Luta-se em favor da pesquisa por insistência de professores e pesquisadores que muitas vezes se vêem na obrigação de improvisar meios para conseguir os resultados de seus árduos experimentos.

Existe um plano dado pela expansão e lógica do Capital para desmoralizar o ensino público, pois o mesmo para se alastrar necessita extrair a mais-valia de setores antes governados pelos Estados do “bem estar social” e um destes é a educação, como coloca Mészáros:
A persistente e crescente intensidade da crise da educação nos principais países capitalistas, sem uma única exceção, sugere, porém, uma conclusão muito diferente. Resumindo-a numa frase: a crise de hoje não é simplesmente a de uma instituição educacional, mas a crise estrutural de todo o sistema da “interiorização” capitalista (...) .

A ânsia desenfreada apresentada pelos Estados Nacionais na busca de privatizar áreas estatais, demonstra o desenvolver de um processo de alienação que facilita o domínio do Estado pelas classes dominantes e marca a expansão capitalista da globalização. Nada passa despercebido, tudo converge para um processo de cristalização e reificação nas relações capitalistas de poder.

Divulga-se a idéia da eficiência e qualidade total, em que a educação deve ser vista como mercadoria destinada a dar lucro e não como investimentos sociais, por isso, estão sucateando a instituição pública de ensino no que se refere a classificá-la como burocrática, ineficiente, custosa e mal administrada, portanto, as mesmas pedem a “competência” da iniciativa privada.

Assim, o estado capitalista desfila seus ataques à educação pública como deficiente, onerosa, tradicional e limitada para as necessidades de mercado, colocando a decadência ao processo educacional. Esta observação reduz o entendimento das causas primeiras, pois julga que as questões da crise da educação se explicam por ela mesma, negando qualquer visão de totalidade e descartando que a crise esta localizada no Capital.

No campo das instituições de ensino público e privado as mesmas questões mencionadas surgem também, porém, a diferença entre elas se localiza na luta democrática que se dá no interior destas unidades educacionais. Nas públicas a representatividade discente e docente existe e possui uma história especifica, com isso, queremos dizer que em seu movimento existem infinitas maneiras de configurar a luta política que só não funcionam quando as representações sindicais estão desarticuladas ou comandadas por lideranças estranhas à categoria.

Na grande parte das escolas privadas o controle ideológico é extremamente devastador, principalmente quando o formalismo burocrático suplanta os interesses pedagógicos. A liberdade de pensamento ou a universalidade de idéias estão quase sempre presas a um estilo tacanho e weberiano de encarar a realidade, em que o pensar e o agir devem seguir os princípios do podre economicismo, clone dos acordos MEC-USAID.

Para os alunos sobra a opção de pedir transferência para outra instituição de ensino, enfrentando o desprezo dos diretores para com sua pessoa, humilhados pela direção que fazem de suas reivindicações motivos de piada.

Para os professores a imposição fiscalizadora de caminhar os seus conteúdos programáticos dentro da ideologia do empreendedorismo, iludindo-os quanto ao mercado afirmando que hoje tem que ser empreendedor. Não é por mera coincidência que surgem no interior das instituições educacionais funcionários da rede bancaria oferecendo linhas de empréstimos e a possibilidade do aluno obter cartões de crédito.

Paralelo a este processo, as inteligências donas dos meios de produção educacionais constatam por meio do censo comum e do pragmatismo vulgar, que falta ao curso estimulo pavloviano ao aluno. Sendo que a solução adotada seria tornar os cursos mais técnicos e para isso, processa-se uma limpeza em sua grade curricular retirando disciplinas ou professores mais críticos que levam o aluno a pensar o fenômeno turístico. Esse processo vai se configurando durante um longo tempo no conjunto das medidas administrativas feitas pelas entidades educacionais:

1. Demissão dos professores doutores e contratação de mestres e especialistas, com o objetivo de diminuir os custos da instituição;
2. Contratação de pessoas ligadas ao trade que desempenham cargos políticos para exercerem o papel de professores;
3. Informação ao corpo docente que por questões de custos os salários sofrerão um corte substancial em seu valor;
4. Eliminação dos professores mais engajados e críticos, por meio do rebaixamento salarial de mais de 80%;
5. Palestras de auto-ajuda no inicio e meio do ano letivo, como forma de desviar as causas da crise dos cursos;
6. Reuniões pedagógicas para comunicar ao corpo docente que os cursos de turismo deverão ser coordenados por profissionais de outras áreas;
7. Alteração da grade curricular incorporando a disciplina de empreendedorismo e batizando os professores e alunos de empreendedores;
8. Maquiamento de semanas de turismo com conteúdos estranhos ao enfoque principal de nossas necessidades de luta organizacional e sindical;
9. Demissão de professores por capricho de coordenadores, diretores e pró - reitores que se sentiram ameaçados por professores críticos que não se curvaram ao fascismo político pedagógico daqueles que só sabem administrar por meio da destruição do outro.

Entendemos que este processo de decadência dos cursos de turismo se deva aos interesses econômicos que rondam as instituições privadas de educação, bem como, a idéia atrasada e ultrapassada advinda da política neoliberal de tratar a crise do sistema capitalista por meio do empreendedorismo. Forçando professores e alunos a comungarem dessa proposta como solução para manter acumulação de capital das instituições de educacionais, que vem apresentando sinais profundos de inadimplência e crise de demanda.

Cabem a nós estudantes e professores lutar contra este processo nefasto de desqualificação educacional que atinge a totalidade da educação nacional como cidadão brasileiro. E como turismólogo lutar em favor da regulamentação profissional para que possamos criar nosso “Conselho Regional” que tem por finalidade observar legalmente o desenvolvimento pedagógico dos cursos de turismo e coibir os abusos contra professores e alunos.

Autor:
João dos Santos Filho

 

 

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