Crise mundial repercute nas operadoras de turismo - Mai/03

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Atentados, bioterrorismo, oscilação do dólar, falência de uma das maiores operadoras de turismo do Brasil. Este é o cenário atual.

Destinos estrangeiros em baixa, decorrência da crise econômica. Um dos pontos que pode ser observado nesta colocação é o fato de haver a possibilidade de uma valorização do produto nacional, e por outro lado, uma diminuição das vendas de pacotes no geral, pois a maioria dos turistas brasileiros procuravam por destinos internacionais.

Não seria hora de se produzir novidades voltadas para esse público que possivelmente não tem conhecimento do que seu próprio país pode oferecer?

A Braztoa, entidade que congrega as operadoras de turismo, afirma que os resorts brasileiros cobraram para a temporada de fim de ano (2001) 40% a mais do que na temporada anterior. Essa colocação nos permite analisar mais alguns pontos: Mesmo com o aumento dos valores foi garantida a venda, já que os pacotes internacionais estavam prejudicados pela alta do dólar? Ou seria hora de manter os preços para consolidar os destinos turísticos?

O presidente do Sauípe/SA não concorda com essa colocação. Acredita que se esse aumento de 40% fosse verdade, não haveria procura.

Os destinos turísticos brasileiros, com o aumento dos preços, correm o risco de ficar vazios? Esse é um questionamento da ABAV. O presidente da Associação em Novembro de 2001, Goiaci Alves Guimarães, disse que o segredo é fugir daqueles que querem explorar o turista e não o turismo.

A queda da Soletur ainda repercute no cenário turístico brasileiro. Os problemas financeiros da operadora começaram em janeiro de 1999, com a desvalorização do real. Antes da mudança na política cambial, a Soletur havia fechado diversos contratos com empresas aéreas, hotéis e prestadoras de serviços no exterior. Mas com a alta do dólar, muitos brasileiros suspenderam viagens para outros países. Os clientes sumiram e o lucro também, porque 70% do faturamento da empresa era resultado da venda de pacotes para o exterior. Pressionada pela queda nas receitas, a empresa tomou dinheiro emprestado a juros de 45% ao ano, segundo o advogado da operadora, Eduardo Antônio Kalache. A situação se agravou em novembro de 2001 com a nova disparada do dólar frente ao real e os atentados terroristas nos Estados Unidos. Quase todas as viagens ao exterior foram canceladas depois de 11 de setembro. ''Entre 70% e 80% dessas viagens eram para os Estados Unidos, especialmente Nova York'', afirmou Kalache.

Uma medida proposta pela Associação brasileira de Agências de Viagens obriga agências e operadoras a incluir uma taxa extra nos pacotes de viagem. A oferta do seguro seria obrigatória às agências e operadoras de viagem, mas não poderia ser imposta ao cliente. Ele teria sempre a opção de recusá-lo. "Nesse caso, ele teria que assinar um termo de responsabilidade abrindo mão do seguro", diz o diretor de qualidade de produto turístico do Instituto Nacional de Turismo (Embratur), Nelson Lins.

Os valores devem estar discriminados em apólices de seguro que acompanhariam os documentos relativos aos pacotes. Esses seguros seriam coletivos e divididos entre todos os clientes de um determinado pacote.
O seguro pode entrar em vigor mesmo que não vire lei, a partir de um projeto encaminhado ao Congresso Nacional. Para isso, basta um acordo entre as empresas do trade turístico nacional. "É do interesse de todas", diz Lins. "O melhor, no entanto, é uma lei que torne o seguro realmente obrigatório", diz ele, que não dispensa a possibilidade de a Embratur recorra à Presidência da República solicitando a edição de uma medida provisória obrigando o seguro para pacotes de viagem.

Apesar do efeito negativo causado pelo fechamento da Soletur ao mercado do turismo como um todo, aliado à alta do dólar, os atentados terroristas contra os Estados Unidos e o declínio de vendas de pacotes turísticos o setor possui condições de se recuperar em longo prazo. Uma das medidas iniciais para iniciarmos a recuperação é a valorização do produto nacional e da profissão dos bacharéis em turismo que são pessoas aptas a propor soluções inteligentes para conter a crise que afeta o setor turístico.

Referências bibliográficas:

http://www.jbonline.terra.com.br
http://www.estadao.com.br/turismo
http://www.uol.com.br/folha/turismo/noticias
http://www2.uol.com.br/JC/_2001/2611/tu2211_6.htm
http://www.mj.gov.br/dpdc/clipping/clip2610.htm#agencias
http://www.mj.gov.br/dpdc/clipping/clip2610.htm#estraga
http://www.clipseguro.com.br/2001/clipseguro_08112001_001.htm

Autora:
Luiziane Viana Segala
Centro Universitário Franciscano - UNIFRA - Santa Maria -RS
 

 

 

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