Londres - Inglaterra - Jun/01

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Outubro é um mês muito bom pra viajar à Europa. Lá é início do outono e ainda não é tão frio, por isso dá pra curtir muito  mais a viajem, e foi assim que começou essa aventura em 1.999 quando embarquei em Guarulhos com destino ao aeroporto de Heatrow, em Londres. De lá seguiria para Paris, Bruxelas e  finalmente Amsterdam. O nome de um dos comissários de vôo era Caio. Vocês. contratariam um comissário de vôo chamado "Caio" ?!

Para se chegar à Londres, há que se fazer uma conexão em Lisboa, onde no guichê da Trans Air Portugal disseram que só fariam a "confirmação do vôo de retorno" (de Amsterdam) se eu apresentasse-lhes algum 'voucher' ou fax do hotel em que eu estaria hospedado em Amsterdam. E não adiantou eu dizer que eu escolheria algum albergue quando chegasse por lá. "Amsterdanem-se".

A chegada em Londres foi um pesadelo. Negros, asiáticos e latinos como eu eram revistados no corpo e na bagagem, pode isso!? Então me perguntaram o que estava fazendo lá e tive que mostrar meus dólares e travelchecks. Só me liberaram quando mostrei a passagem de volta de Amsterdam. Bela recepção...

Não bastasse isso, o albergue mais "em conta" que tinha vagas custava o equivalente a 60 dólares. Reservei pra 3 dias pois era bem confortável esse B & B, Bed & Breakfast. No próprio guichê de reservas me deram mapa da cidade. Eram 20:00hs, troquei os travelchecks por libras e tomei o metrô para o centro da cidade.

Entrei no vagonete do metrô muito ansioso, nervoso mesmo, puto com os caras da alfândega e sentei ao lado de uma alemã que estava em Londres participando de um evento, como modelo. Como eu não estava entendendo bulhufas naquele mapa, ela com muita calma, falando em inglês bem devagar, conseguiu me orientar, então fiquei mais calminho. Depois que eu disse que moro numa cidade colonizada por alemães no sul do Brasil, Elisabeth, admirada disse que gostaria de visitar-nos e aprender a dançar nosso samba.  Demora...

Após me instalar no B&B, fui dar uma volta pela city. Picadilly Circus estava movimentada, muita gente, havia aquela típica neblina londrina que deixa tudo e todos molhados. Depois de umas voltas na área, 'sentindo' a cidade, encontrei a Chinatown de lá, que é apenas uma rua com restaurantes chineses. Havia nessa rua uns chinas que faziam leitura de mão. Essa prática milenar, a quirologia, difere da quiromancia, praticada pelos ciganos, que é muito mais intuição e adivinhação.

Bateu a fominha e depois de uma sopa de peixes no restaurante chinês trouxeram-me salada de "álagas", coisa estranha, e quanto mais eu perguntava o que era aquilo, mais o china repetia:_Álaga! Álaga! Ainda bem que um espanhol ao lado disse-me que aquilo era "alga". Aquele 'algo' na boca não me deu água na boca. Intragável...

Antes de voltar ao B&B, liguei pro Brasil de uma autêntica Red Cab e descobri que essas folclóricas cabines não tem nada de mais, prefiro as cabines modernas. 

O metrô: Sempre gostei de andar de metrô, mais pelo desfile de personagens que se vê, que pela rapidez de chegar ao destino e foi no metrô que notei como essa cidade está cheia de hindús. Parece-me que em função das colônias na India esse pessoal tem facilidade em obter dupla cidadania e estão agora 'colonizando' Londres, essa antiga Londinium, que pertenceu ao império romano.

Ainda no metrô, percebi muita gente ruiva contrastando com os hindus. Esses são os londrinos com pedigree, nativos locais. Me chamou ainda a atenção a beleza das mulheres, diziam que as inglesas são desajeitadas e sem graça. Acho que são 100 graças.

Dia seguinte, hora de explorar essa cidade que só tem placas em inglês. Depois de uma visita ao The Globe, réplica do teatro de Shakespeare, fui ver o Big Ben. Bem big mesmo. Todo o complexo arquitetônico de Westminster é encantador, em estilo
neo-gótico, dá pra ficar maravilhado com suas torres muradas. E o Big Ben, bem, é o símbolo da pontualidade britânica.

Depois de umas fotos na Abadia de Westminster, tomei um Red Bus, os ônibus vermelhos de dois andares, que também não tem nada de mais, e fui assistir próximo dali a troca da guarda real montada. Essa coreografia solene mostra um pouco da diciplina inglesa, pois até os cavalos movem-se em movimentos milimetricamente coor-denados pelos toques de corneta. Muita pompa na circunstância. No lado de fora, turistas divertiam-se com os guardas imóveis nas guaritas. Coisa pra inglês ferver. 

Uma breve visita a Royal Academy os Arts e depois na Tate Gallery completaram o passeio. Na Tate pode-se ver um pouco da arte contemporânea produzida no país. De arrepiar. Pra matar a fome, dá-lhe Mc Donald's. Tem em todo lugar.

Next day: Hora de conhecer a praça Trafalgar Square, com seus imensos leões negros esculpidos, que parecem vigiar quem quer esteja lá. Havia ainda um bando de pombas e outro um pouco menor de japoneses. Ao fundo as colunas da monumental National Gallery. É pra lá que eu vou.

A National Gallery é um museu magnífico, com intermináveis salas que se cruzam qual labirinto de Borges. Na sala de mostras itinerantes estava expondo a brasileira Maria Pacheco. Há uma sala especial com obras de Monet e vi também "a Virgem dos Rochedos" de Leonardo Da Vinci.

Day after: Um passeio por Nothing Hill e Portobello Belle é o ideal  pra começar bem o dia, depois uma visita ao Palácio de Buckingham onde s guardas marchavam com pose marcial indiferentes aos turistas que se apinhavam pra ver a troca dos guardas. Vi poucas coisas mais ridículas que aqueles enormes capacetes peludos.
Parecem mesmo soldadinhos de chumbo. 

Não vi nem rainha, nem príncipe, nenhuma realeza mesmo, então finalizei o dia conhecendo o Museu de Cera Madame Thussaud, dizem que o de Londres é o melhor do mundo.

De fato é impressionante a perfeição dessas esculturas, esculpindo os mínimos detalhes das grandes personalidades que fizeram a diferença na marcha da história. Há esculturas de dois brasileiros: Pelé e Senna. Além do esporte, os brasileiros não se notabilizaram  em nada mais?

Na saída, que é na Baker Street, encontrei Sherlock Holmes em pessoa, que me cumprimentou com seu boné duplo e cachimbo. Era um ator que deixava se fotagrafar e distribuia cartões de visita de uma agência de detetives. Elementar...

No início da noite fui ver uma peça de teatro. A Reducted Shakespeare's Company apresentou uma montagem onde apareciam fragmentos das 37 peças escritas pelo bardo. 

Last day: conheci umas das mais fascinantes obras arquitetônicas da Europa; A Tower Bridge. Atravessei-a a pé para conhecer a magnífica Saint Paul Chappel. Monumental templo da fé cristã na capital inglesa. Na volta comprei o bilhete "The Tower Bridge  Experience", que dá direito à subir por dentro das torres, que na realidade é o próprio museu da torre. Lá de cima, no passadiço que liga uma torre à outra é possível ver os barcos no Tamisa e em modernos computadores é possível acessar informações sobre os prédios que podem ser vistos dali. Explêndido...

Os ingleses me pareceram muito sofisticados, as mulheres elegantes, gente classuda e muito educada. Se alguém esbarra neles, eles é que pedem desculpas. Claro que contrastavam um pouco com os punks que dão um colorido diferente à cidade.

Londres é majestosa, e ao mesmo tempo 'underground', nobreza e vanguarda andam juntas pelas ruas. É lady Di e Spice Girls. Coisa pra brasileiro ver...

Por: Tchello d'Barros
Blumenau SC

 

 

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