Relato de visita à Hungria - Jan/01 - Parte 2

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Antes de começar nosso passeio por Budapeste, vou abrir um parêntesis para falar sobre a língua húngara. O húngaro é uma língua que não se parece com nada, exceto talvez, com o marciano, o venusiano ou a língua dos habitantes de Vulcano!!!!!!!!! Na verdade, um primo distante pode ser considerado o filandês e o estoniano (não ajuda muito não é?) Não há preposições, nem declinações, nem gênero gramatical, nem ordem definida das palavras na frase. É uma língua que tem sufixos e prefixos servindo para indicar quase tudo que diz respeito ao substantivo e ao verbo. É uma língua aglutinativa. Como me explicou um intercambista húngaro que tivemos em Curitiba há algum tempo atrás, se eu quiser falar "para os mais incorruptíveis" vai ficar assim:
"legmegvessztegethetetlenebbeknek". Nao é erro de digitação não, é a palavra mesmo!!!!!!!! Só não me pergunte como e que se fala isso!!!!!!

De qualquer maneira, algumas palavras da pra gente até tentar, como por exemplo as mágicas "jónapot" (lê-se iô nó pôt: bom dia) ou "köszönöm szepen" (lê-se quê-cênem sé pén: obrigado). Só com essas 2 palavras você pode conseguir tudo de um húngaro pois eles tem consciência de que sua língua é impronunciável e já ficam mais que satisfeitos com o menor esforço pra se falar um bom dia  ou  um  obrigado. Nos  lugares  onde  há presença de turistas é normal encontrar sempre alguém que fale inglês, principalmente entre os jovens.

Muitas pessoas falam o alemão e quase todas o russo. Fora das áreas turísticas raramente, entretanto encontramos alguém que fale inglês mas não é difícil se comunicar com os húngaros que são sempre simpatissíssimos. Descemos no ponto errado do metro ao voltar para o hotel e sem conseguir nos fazer entender, tudo o que a velha senhora entendeu foi "Duna" (Danubio, em hungaro). Ela nos levou por mais de 4 quadras ate que avistamos o rio e a partir dali pudemos encontrar nosso hotel!!!

Aqui vão algumas dicas para não se perder quando for a Budapeste: 

  • pu. é a abreviatura de pályaudvar: estacao de trem

  • tere ou tér: praça

  • utca ou simplesmente út: rua

  • híd: ponte

  • körút: avenida

  • étterem: restaurante

  • kave: café

  • fürdö: termas

Arrasando no húngaro, vamos nos aventurar pela cidade!!!!!Coragem!

Budapeste é dividida ao meio pelo Rio Danubio. Na margem esquerda esta Buda e na margem direita Peste. A cidade tem cerca de 2 milhões de habitantes e é uma das maiores jóias arquitetônicas jamais vistas no mundo. Por causa de sua localização geográfica entre o leste e o oeste da Europa, a Hungria sempre esteve no caminho das invasões européias. A cidade foi primeiro colônia dos romanos (que descobriram suas termas!!!) por quase 400 anos. Depois vieram os mongóis, os turcos e os Habsburgos austríacos e por fim os soviéticos. Depois de mais de 700 anos, a Hungria finalmente é
dona de seu próprio nariz!!!!!

Cada um dos povos dominadores deixaram marcas na cultura local e temperaram esse pais de maneira muito interessante. O grupo se reuniu para um tour de contato que duraria cerca de 3 horas e durante o qual, a cidade seria apresentada superficialmente a todos nos. O ônibus rodou por avenidas movimentadas, boulevards
charmosos, cruzou pontes belíssimas e nos localizou geograficamente na cidade. Livres do grupo, meu marido e eu pudemos finalmente explorar a cidade do nosso
jeito. Acho validos esses city tours. As vezes as pessoas reclamam que o city tour de pacotes turísticos é muito rápido, não da pra descer, pra ver quase nada direito etc, etc. Na verdade, esse é o objetivo de um city tour: apresentar a cidade pra os visitantes, coloca-los em contato com as atrações e então deixar que cada um explore os pontos que acham mais interessantes.

Nossa primeira opção foi conhecer o Castelo de Buda.É interessante notar a diferença arquitetônica e geográfica os dois lados do Rio Danubio. Pest é plana, com traçado urbanístico geométrico e a maioria dos prédios construídos no século 19. Buda esta sobre uma colina, com tortuosas ruelas medievais e grande quantidade de prédios barrocos. É o centro histórico da cidade. Declarado desde 1988 como Patrimônio  da Humanidade pela UNESCO, o Morro do Castelo merece horas a fio de exploração.

O ônibus havia nos deixado em Deák Tér, uma praça bem no centro de Pest onde as 3 linhas do metro se encontram. Aqui, pegamos a linha 2 (vermelha) sentido Déli pu e descemos ma estação Moszkva Ter, do outro lado do rio Danubio. Esta praça fica aos pés da colina do Catelo. Numa rua paralela a praça pegamos o Varbuzz MM, um micro-ônibus especial que nos levaria ate o alto da colina. Foi fácil identificar o Varbuzz MM que traz uma fotografia enorme do castelo na lateral. A passagem custou alguns floris (nem me lembro quanto), mas ficava em torno de meio dólar. O bairro da Colina
do Castelo tem1,5 km de comprimento e existe desde o século 13, embora tenha uma aparência barroco renascentista. Dominando toda a cena esta o Castelo propriamente dito, o maior prédio da Hungria, obra do Imperador Carlos VI e da Imperatriz Tereza (aquela mesma dos 16 filhos!!!!). Descemos na praça Disz Ter e começamos nossa caminhada subindo pela rua Uri Utca. É uma rua medieval com casario fascinante. 

Logo no inicio esta a entrada para as catacumbas, um labirinto com 10 km de extensão. As covas foram unidas umas as outras pelos turcos com propósitos militares. Cerca de 1,5 km podem ser visitados. Ha tours guiados em 4 línguas que saem a cada 15 minutos. Os visitantes não podem visitar o labirinto por conta própria por causa
do risco de se perderem. Enquanto aguardamos nosso grupo se formar, fomos ate uma cavernosa lanchonete tomar um café O atendente era um simpático e divertido italiano que, por sinal falava muito mal o húngaro. No local, uma mostra de bonecos nos leva ao passado da Hungria. A exposição começa mostrando a suposta origem mitológica dos húngaros e termina com a riqueza renascentista da corte do Rei Matyás. A historia recente da Hungria não é mostrada. A principio pensou-se em fazer bonecos de cera, mas com a temperatura média de 14ºC e a umidade de 90% isso
se tornou inviável. Os bonecos foram então confeccionados com uma mistura especial de plástico. As replicas são perfeitas e as roupas são lindas. Há detalhes como jóias, penteados, acessórios etc. 

Durante o cerco nazista na Segunda Guerra Mundial, milhares de húngaros viveram escondidos nesses labirintos. O lugar é assustador e úmido!

Ficamos um bom tempo la e depois seguimos pela Szentháromság utca (lembrem-se de que utca significa rua). Aqui esta a antiga prefeitura de Buda. Em frente a casa, bem na esquina, ha uma estatua da deusa grega Pallas Atena, guardiã das cidades, e está aqui desde o século 18. No pátio interno ficava a prisão cujo teto é tão baixo que não da pra ficar em pé! Em 187, ano em que Buda e Peste se fundiram, o edifício perdeu suas funções. Hoje funciona aqui o Collegium Budapest. Esta rua desemboca numa praça que tem o mesmo nome e esta no ponto mais alto da colina. No meio da praça o
monumento de 14 m de altura é a Coluna da Santa Trindade, erguida entre 1710 e 1713 em suplica por proteção depois da peste negra assolar a Europa. Aqui está o café Ruszwurm Cukrásda que é muito famoso na cidade por suas tortas e bolos. Resolvemos conferir e entramos no prédio do século 17 e pedimos "mákos pite", tortinhas de sementes de papoulas. Um manjar dos deuses.

A igreja que se ergue na praça é conhecida popularmente como Igreja de Matias (Mátyás Templom) porque o lendário rei Matias teve celebrados aqui seus 2 casamentos. A igreja é imponente. A parte central foi construída no século 13. Durante o domínio turco, toda a mobília interior foi retirada, suas paredes decoradas foram
pintadas de branco e funcionou como mesquita. Restaurada em 1896, foram adicionadas as capelas do lado norte. Fiquei boquiaberta com seus arcos góticos
e esplendidas colunas. Ha 3 naves e sua acústica é fantástica, por isso é usada constantemente para concertos. O telhado é feito de cerâmica em mosaico colorido, uma obra de arte que emociona.

Ao lado da igreja ha um terraço que foi construído no final do século 19 sem qualquer pretensão de defesa da colina e é de la que se tem uma das vistas mais espetaculares de Peste, do outro lado Danubio. É chamado de Bastião dos Pescadores (Halászbástya). Ha 5 torres redondas e a torre principal tem diversos andares. As torres representam as tribos magiares que formaram a Hungria. Subimos ate as plataformas e pudemos ver o Parlamento do outro lado do rio. Pelos terraços há mesinhas, nos pátios, músicos de rua. O nome Bastião dos Pescadores tem origem no antigo mercado de peixes que existia nas proximidades durante a Idade Media.

Bem perto fica o hotel Hilton. O prédio, que foi construído na década de 70, me chamou atenção porque é um exemplo perfeito de integração ao conjunto arquitetônico já existente. Foram preservadas partes das antigas construções góticas e barrocas encrustrando-as no novo edifício de maneira harmônica. As amplas janelas de vidro da ala moderna refletem o casario medieval da praça. Uma visão instigante. Em frente ao Hilton (o hotel mais elegante da cidade) há uma excelente livraria com café anexo, a Litea, que vende mapas e livros em inglês. Ha uma grande variedade de publicações sobre historia, literatura e turismo. Os preços são convenientes, embora não tão
baratinhos.

Na esquina na Kapisztràn tér com a Országház utca está uma igreja franciscana do século 13.É a Maria Magdolna Torony. Durante a ocupação muçulmana dos turcos, esta foi a única igreja que permaneceu cristã. Todas as outras foram convertidas em mesquitas. A capela foi destruída durante a Segunda Guerra e não foi reconstruída, exceto uma janela de pedra, como memorial.

Descemos a colina pela Tárnok utca, a mais importante e mais larga rua do bairro do Castelo. Ha uma grande quantidade de lanchonetes, lojas de souvenirs e artesanato. Aqui esta um restaurante bastante popular, informal e econômico, freqüentado principalmente por estudantes e jovens. É o Tárnok. Por uns poucos florins pode-se comer a tradicional sopa húngara goulash. O "gulyás" ou goulash está para a Hungria
como a feijoada está para o Brasil. É o prato típico deste país e trata-se de uma espécie de picadinho de carne com batatas. O segredo do sabor está na páprica doce e forte que é adicionada à receita. Aliás, a páprica é o condimento nacional e a Hungria produz a melhor do mundo. Para os húngaros, é inconcebível comer "gulyás" sem comer depois uma massa com molho de ricota quente e pedacinhos de bacon chamada "turóscsusza tepertövel". 

Chegamos então de volta a Deák Tér, a praça onde descemos do ônibus no inicio do passeio. Ao chegar a esta praça, seguimos em direção ao Palácio pela rua Szinház utca. Aqui permanece sem restauração, o prédio do Ministério da Defesa. As marcas da Segunda Guerra podem vistas na fachada do prédio. A visão é comovente.

  

 

 

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