Relato e Custos de uma Viagem pela Europa  - Ago/03

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Dia 10.06.2003 - Terça-feira - Lisboa

Chegamos ao aeroporto de Lisboa às 11h30min, dois casais realizando um sonho, pisando na Capital de Portugal, uma cidade com mais de 20 séculos de história. O chão da terra de Fernando Pessoa era só o início de uma aventura de 17 dias rodando por Portugal, Espanha, França e Itália. Depois dos contratempos de vistos nos passaportes e desembaraço das bagagens, ficamos no aguardo do serviçal mecânico que havíamos locado e por volta das 15h o nosso companheiro de aventuras que batizamos de "amadeu" apareceu, um Renault Scénic, estava com 12 km, cheirando novo. De imediato fomos ao primeiro posto de combustível e com E$ 48,00 completamos o tanque. Seguimos em direção ao Hotel Almirante cujas reservas já tínhamos feito para o período de dois dias ao custo de E$ 148,00/casal, com café da manhã. Hotel de ótimo padrão e bem localizado, próximo a cidade baixa de Lisboa. Largamos as bagagens nos quartos e com o mapa da cidade na mão, rapidamente saímos para conhecer a cidade. Quebrando estreitas ruas medievais, os casarios com suas fachadas de azulejos, as praças e suas estátuas imensas, o esplêndido Mosteiro dos Jerônimos, obra de arte da arquitetura Manuelina, classificado como patrimônio internacional pela UNESCO, onde estão sepultados Vasco da Gama e Luiz Vaz de Camões. A Torre de Belém, monumento datado do século XVI, onde supostamente Cabral teria iniciado a viagem do descobrimento. Lanchamos provando o famoso pastel de belém que parece mais uma empadinha doce, muito supimpa. Retornamos ao hotel com o objetivo de recuperar as energias da viagem Varig, dos passeios por Lisboa. Descansamos um pouco e fomos jantar no Restaurante Portugália onde saboreamos o gostoso prato de bacalhau da culinária portuguesa acompanhado do bom vinho "Dão Terras Novas", atendidos prazerosamente pela simpática Isabel. Os lisboetas são um povo amável, gentil e cortês, sempre que precisávamos de ajuda ou informações estavam extremamente dispostos a ajudar e até levar ao local se fosse preciso. A noite ainda era criança e tínhamos que dormir, pois afinal, a nossa aventura apenas começava.

Dia 11 - Quarta-feira - Lisboa, Cascais, Sintra, Azenhas do Mar

Levantamos por volta das 8h e após gostoso café no hotel, com o mapa rodoviário na mão partimos em direção a Costa do Estoril e Sintra, delimitada pelo Oceano Atlântico. Neste trajeto, passamos pelas praia de Cascais, luxuosa estância de verão e seus numerosos restaurantes e bares. O famoso Cassino de Estoril, conhecido mundialmente como destino turístico e por sua pista de automobilismo, retiro preferido de reis e aristocratas exilados, vítimas das grandes convulsões políticas que abalaram o século XX. Depois de algumas entradas por lugares desconhecidos e perdendo tempo nas estradas chegamos ao Parque Natural de Sintra, onde estão os majestosos Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena, um fabuloso exemplo de arquitetura romântica que preserva a atmosfera de residência real. Área considerado pela UNESCO como patrimônio da humanidade. Apreciamos a sala árabe, o quarto da rainha, a capela renascentista e os muitos elementos decorativos que a acentuam. Neste local tomamos o chope mais saboroso e caro de Portugal, E$ 12,00 por três pequenas taças. Na volta, por estradas sinuosas e lindas paisagens, passamos por Colares e a pela praia de Azenhas do Mar, incrustada na rocha tem uma piscina natural de água salgada. Cansados chegamos ao entardecer no hotel, com as muitas descobertas ficamos divagando ao sabor de bons vinhos portugueses, degustando queijos e nos programando para novas aventuras no dia seguinte.

Dia 12 - Quinta-feira - Fátima, Alcobaça, Batalha, Peniche

Seguimos rumo ao Santuário de Fátima, visitado por milhões de católicos todos os anos,este é o maior centro de peregrinação religiosa de Portugal. Em seguida pegamos outro destino, passando por lugarejos e vilas que compõe um cenário de beleza por estradas sinuosas entre montes e planícies. Chegamos em Alcobaça onde está edificada a Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, construída no século XII, visitamos os túmulos de Pedro e Inês de Castro Alcobaça. Fomos à Batalha, conhecemos a Abadia de Santa Maria da Vitória construída no século XIV, no mais puro estilo gótico. Depois a Óbidos, a jóia arquitetônica do oeste de Portugal, uma bela vila medieval cercada por muralhas. Decidimos ir em frente para aportando na cidade de Peniche, chegamos por volta das 18h, e nos hospedados num pequeno resort chamado Mirante, pagando E$ 25,00/casal pelo pouso, sem direito a café da manhã. Nesta noite, comemoramos o aniversário do marido de minha cunhada com sardinhas assadas, peixes e bons vinhos portugueses mais uma vez.

Dia 13 - Sexta-feira - Peniche, Mafra, Albufeiras/Algarve

Passeamos por Peniche em suas ruelas e pelo comércio local, fomos à Praia do Baleal e infelizmente deixamos de ir à Ilha de Berlenga, que dizem ser um lugar muito bonito com suas rochas cor de rosa e apreciado pelos amantes da pesca submarina. Ao meio dia tomamos novamente rumo a Lisboa, durante o trajeto decidimos conhecer Mafra, tiramos foto junto à placa indicativa da cidade, cujo nome evoca um sentimento familiar para alguns do grupo que no Brasil viveram em uma cidade com este nome. Neste lugar está o impressionante Palácio Convento de Mafra, construído no século XVIII, é o maior monumento religioso de Portugal, composto por apartamentos reais, uma magnífica biblioteca, basílica e museus. Seguindo viagem, cortamos Lisboa em direção ao Algarve-Albufeiras, depois de buscas e contratempos de costume chegamos em Albufeiras-Algarve, e ficamos hospedados no Hotel Califórnia, diária E$ 50,00/casal com café da manhã. A noite andamos pelos calçadões da cidade com ritmo de festa, apreciamos o movimento de pessoas de nacionalidades diversas e a venda de mercadorias parecendo um mercado persa, fomos jantar no Restaurante O Manjar e para variar comemos bacalhau, macarrão e tomamos vinho, gastamos E$ 38,00.

Dia 14 - Sábado- Albufeiras/Algarve, Sevilha, Moraleda de Zafayona

Levantamos cedo e após tomar o café no hotel nos dirigimos à praia de Albufeira para desfrutar do ambiente que aquele pedaço de areia e mar nos proporcionava. Por volta das 11h30min nos dirigimos ao hotel para arrumar as malas e seguir viagem em direção à Espanha. Fomos pela auto-estrada A22 em direção à Sevilha, não se paga pedágio, é uma estrada que vai em direção a Faro, capital do Algarve, muito bonita com lindas paisagens. Saímos por volta das 13h de Albufeira chegando em Sevilha às 15h45min. Rua Reyes Católicos, tirei uma foto, primeira parada em Sevilha buscando informações sobre a cidade fomos em direção a monumental Catedral de Sevilha, um dos maiores templos do mundo cristão, onde estão os restos mortais de Cristóvão Colombo. Infelizmente ao chegarmos as visitas estavam encerradas, ficamos assim caminhando pela área externa da Catedral, observando os becos e ruelas da cidade. Após tomar um gostoso chope de pressão, decidimos não ficar em Sevilha seguindo rumo para Granada, pela auto-pista A92. Viagem agradável em rodovia segura, sem pedágio, margeada por grandes plantações de girassol e oliveiras, vez outra despontando entre as pistas da rodovia longos trechos ornados com flores vermelhas conhecidas por espirradeiras. Antes de chegarmos em Granada nos hospedamos no Hostal Garballo na Carreteira Allhama Cruce, Moraleda de Zafayona, região de Alicante, pagamos E$ 30,00/casal para a soneca pouso. Neste dia jantamos carnes, lingüiça e batatas fritas, saindo um pouco do peixe que costumeiramente vínhamos comendo em Portugal.

Dia 15 - Domingo - Granada/Allambra, Alicante, Ortiz

Após o café da manhã partimos com destino a Granada, que por 700 anos até 1492, foi o centro do império mouro que dominou o sul da Espanha. Essa maravilhosa cidade guarda os restos mortais dos reis católicos Fernando de Aragon e Isabel de Castela no esplêndido Palácio de Allambra o mais importante conjunto arquitetônico da Europa. O palácio é conhecido como o "paraíso terrestre", com jardins, pátios, fontes e os luxuosos salões que abrigavam califas e sultões Nazaries e altos funcionários, servidores da corte e soldados da elite, nos séculos XIII ao XV. Nos deliciamos com as surpresas de Allambra, sua imponência, passear neste lugar é ficar boquiaberto, de queixo caído por sua história, monumentos e construções. As 12h50min tomamos o rumo a novas paragens, o velocímetro do "amadeu" marcava 1.354 km, passamos por Múrcia, com 1.643 km, quando chegamos em Alicante por volta das 17h15min, tínhamos rodado 377 km desde Allambra, passando por cidades e lugares de paisagens majestosas como a Serra Nevada que margeava boa parte da rodovia. Alicante é movimentada com praia extensa, achamos ser difícil encontrar o hotel na cidade em função do que pretendíamos a pagar desta forma, abastecemos o carro e seguimos em frente em direção a Praia de San Juan onde também não encontramos hotel. Saímos em direção a Valência, são 19h10min continuamos a procurar hotel e o stress da viagem já começa a manifestar-se no humor do grupo. Passamos a pouco por uma localidade chamada Gatón de Gorgos e nada de um local para descansar das aventuras hoje vividas. Pedindo informações aos passantes pelas estradas e pequenas cidades que vamos entrando e saindo, congestionamentos vez outra, seguindo devagar. Alguém do grupo com o humor um pouco em baixa fala: "é melhor pegar a auto-estrada e sair daqui agora, der o que der, em uma hora estaremos em Valência!" Seguimos mais um pouco em frente e logo por fim encontramos o Hostal Corinto, E$ 42,00/casal, em Ortiz. Demos uma voltinha pela redondeza, local pequeno e de veraneio, estava ficando tarde e decidimos ficar por ali mesmo. Jantamos por volta das 22h, minestra sem sal, paelha valenciana e frango com fritas, acompanhado de um bom vinho, é claro. Jantar caro, gastamos E$ 46,00, mas valeu depois de um dia praticamente comendo de tudo pela estrada.

Dia 16 - Segunda-feira - Barcelona

Partimos de Ortiz às 9h, o velocímetro do "amadeu" marcava 1.846 km, manhã fresca ainda mas prometendo um dia de calor deste clima europeu. Noventa kilômetros nos separam de Valência para depois chegar em Barcelona. Passamos por Oliva, uma cidade à margem do Mediterrâneo, de aspecto agradável e interessante. Posteriormente deixamos Valência para trás, são 10h35min, seguimos pela auto-pista A7 com destino Barcelona, vencemos 330 km chegamos por volta das 4h da tarde na esplêndida capital da Catalunha com suas ruas repletas de prédios maravilhosos, as incomparáveis obras de Antonio Gaudi, Com sorte de imediato encontramos hospedagem no Hostal Orleans, bem confortável e de frente a Estación França, E$ 55,00/casal, praticamente no centro de Barcelona. Passeamos pela cidade, vimos seus monumentos, avenidas e ruelas, fontes, a Igreja da Sagrada Família, um dos monumentos mais intrigantes da cidade, obra inacabada de Gaudi, lanchamos em La Rambla a avenida mais badalada de Barcelona. Percorremos de carro Barcelona a noite, é linda, sua gente e os turistas movimentando da vida noturna da cidade, suas fontes, prédios e monumentos iluminados, avenidas, tudo contagia. Ficou a lembrança de que o nosso "amadeu" quase foi guinchado salvando-se por pouco quando o deixamos estacionado em lugar não permitido. Como em todas cidades grandes da Europa é difícil encontrar lugar para estacionar, roda-se de um lado ao outro para se conseguir uma vaga.

Dia 17 - Terça-feira - Barcelona, Arles

Antes de deixarmos Barcelona percorremos mais pouco pelas proximidades do Hostal Orleans, tirando algumas fotos junto ao Museu de Zoologia e no Monumento a Colombo, seguimos viagem rumo a Costa Brava da Espanha com o objetivo de encontrar uma praia tranqüila com um bom camping onde pudéssemos alugar um bangalô. A estrada margeando o Mediterrâneo encanta, praias cheias de belezas e cobiçadas. Passando por Sant Pol de Mar, vimos banhistas nus e completamente à vontade o que deixou-nos surpreendidos nos dando a sensação que ainda muitas surpresas interessantes estavam por vir em nossas andanças. Chegando em Pineda de Mar descobrimos um camping onde fomos conhecer um bangalô em disponibilidade, achei-o muito pequeno e desconfortável para se passar um dia quente, não gostei, a praia até que era razoável, Seguimos com destino a Girona, pela A7, 35 km adiante. Entramos na França, 13h45min, pagamos E$ 5,50 de pedágio, 2.510 km marcava o velocímetro, fizemos 170 km desde Barcelona. Continuando a viagem as 15h30min saímos de Narbonm, lanchamos baguete, temperatura de 32º C, desejávamos encontrar uma praia gostosa para pernoite e descanso. A estrada movimentada de muitos caminhões, seguindo pelas praias de Valraz Perez, Seriguán Beziers, deixamos a auto-estrada indo para a rodovia secundária e nada de encontrar um lugar interessante para ficarmos. O calor é muito, voltamos para a auto-pista passando por uma localidade chamada Sete, novamente pagamos pedágio E 4,60. Após errar por estradas chegamos em Montpellier, 17h, 34º C, cansados e estressados . Continuamos a seguir passando por Lattes Montpellier, Nimes em direção a Marselle, agora na A54 nos defrontamos com Arles. É uma cidade pequena, aconchegante e cercada por muros, fica a quarenta minutos de Avignon. Ocupou, durante o império romano, papel de ponto intermediário entre Roma e a colônia espanhola. Daí o número de ruínas de monumentos romanos, como a Arena e o Teatro, entre outros. É uma cidade animada, com festivais artísticos, muitos deles ocorrendo na própria Arena. Van Gogh quando deixou Paris em 1888 abrigou-se em Arles e a paisagem da região inspirou várias das telas do pintor. Decidimos ficar no Hotel Regente num quarto com quatro camas, E$ 65,00/casal a diária sem café matinal. Preparamos nossos lanches no quarto do hotel depois de passar no mercado local abastecendo-se de queijos, presuntos, vinhos, água mineral e baguetes. Mais tarde fizemos uma pequena caminhada pelos arredores da cidade voltando para dormir como big-brothers curtindo o edredon.

Dia 18 - Quarta-feira - Arles

Acordamos por volta das 8h30min fomos tomar café e desfrutar das coisas interessantes que o lugar oferecia. Lojas com muito artesanato local, pano de cama e mesa pintadas sobre o algodão, porcelanas, estatuetas, perfumes ... Percorremos uma grande feira livre com exposição de produtos interessantes e de várias procedências. A fome começava a dar sinal e mais uma vez fomos ao supermercado. Compramos cervejas, queijos, frios e saladas tudo com o gostoso sabor francês para deliciarmos e bem desfrutar o nosso almoço. Após um descanso merecido nos programamos para a farra do touro na arena do pequeno coliseu construído por Júlio César, no primeiro século da era cristã, ano 46. Tratava de uma brincadeira onde dez rapazes vestidos de branco estrategicamente colocados na arena enfrentavam um touro valente com o objetivo de tirar de sua cabeça uma pequena corrente ali presa procurando defender-se de suas chifradas. Aqui escurece tarde, por volta das 22h já não se encontra ninguém pelas ruas e o comércio fechado. O recurso foi ficar no quarto do hotel aguardando o sono chegar desfrutando de um bom vinho francês Vacqueyras, Cabernet D'Anjou e queijos Goudabrie, Comember e Roqfor.

Dia 19 - Quinta-feira- Arles, Cannes, Nice, Mônaco, Gênova, Chiavari

Saímos de Arles ás 7h15min, o velocímetro do "amadeu" marca 2.804 km, três horas depois pela costa do Mediterrâneo, chegamos em Cannes, a capital dos festivais de cinema e publicidade freqüentada por artistas e celebridades, com suas praias de areia fina e o calçadão à beira-mar ladeado por palácios e palmeiras. Aproveitamos a chance para banhar-se no Mediterrâneo em um dos balneários mais sofisticados da Europa. Seguimos para a badalada Nice o maior balneário do Mediterrâneo, capital da Cote d´Azur na Riviera Francesa. Percorrendo as estradas costeiras, entre colinas, penhascos e baias de azul profundo chegamos ao Principado de Mônaco, governado pela mais antiga monarquia ainda no poder do mundo, os Grimaldi. Fizemos um city-tour por Monte Carlo, passando por seus maravilhosos jardins, região das marinas, do porto e do mais famoso cassino do mundo, além de rodar no tradicional circuito de rua de Mônaco, onde é disputada a mais charmosa prova da Fórmula 1. Após este tour partimos em direção a Gênova pela auto-estrada N98 bem movimentada e fincada entre as montanhas e curvas, muitos túneis alguns deles com 2 km de extensão. Vencemos 170 km, eram 17h20min estávamos na Itália mais precisamente em Gênova, a "Senhora do Mar", cidade portuária que dominava o comércio na Idade Média. Com calor insuportável saímos em busca do Mapa Rodoviário da Itália pois seria a nossa bússola por estradas do país nunca dantes percorrido. A cidade não nos pareceu simpática, sem graça, com muito movimento de veículos e motocicletas de todos os lados requerendo grande atenção de quem dirige nesse trânsito. Agora com o mapa na mão, pagamos E$ 6,50, tínhamos que ir em frente, mas como de costume e para variar fomos parar na entrada do aeroporto, o objetivo era seguir em direção a Livorno que só conseguimos orientando-se pelas placas e vencendo túneis e viadutos incrustados no meio das montanhas. Eram 19h15min quando chegamos em Chiavari em busca de lugar para descansar das aventuras do dia, ficamos no Hotel Carina, E$ 60,00/casal o pernoite.

Dia 20 - Sexta-feira - Chiavari, Pisa, Roma

Antes de prosseguirmos em nossa viagem o proprietário do Hotel Carina gentilmente fez reserva de hotel em Roma fornecendo também um croquis de modo a facilitar a entrada na cidade e a localização do hotel o que certamente nos foi de grande valia. Em nosso trajeto estava Pisa, seguindo pela auto-estrada do sol até Toscana fomos a uma das praças mais famosas da Europa a monumental Piazza Dei Miracoli, onde estão o Duomo, o Batistério e a torre inclinada, o mais celebrado erro de engenharia da história. Terminado o passeio partimos para Roma de encontro ao Hotel Casa Kobo onde tínhamos reserva. Quando começamos a enfrentar o emaranhado de vias que levavam ao coração da Cidade Eterna, concluí que realmente "quem tem boca vai a Roma", perguntando conseguimos chegar ao Circo Massimo referência para encontrarmos o nosso hotel. Desta forma, não tivemos grandes dificuldades e rapidamente estávamos instalados em um quarto amplo, quatro camas de solteiro, custo de E$ 110,00 a diária não incluso o café da manhã. Sem demora fomos explorar a ex-capital do mundo e primeiramente pela proximidade do nosso hotel conhecemos as ruínas do Foro Romano e do Palatinum onde eram tomadas as decisões que mudaram o mundo na época dos Cézares. Percorrendo externamente o legendário Coliseum, conferimos o que restou desse cenáculo da política do pão-e-circo. Mas o Coliseum é magnífico e externamente contrasta com os carrinhos e motonetas que passam alucinados na avenida à sua frente. As ruínas do Circo Massimo onde aconteciam as corridas de bigas e brigas (lembram do Ben-hur?). Hoje é um pacato campo gramado que os romanos modernos usam para pique-niques. Passear por Roma é de ficar boquiaberto, é de cair o queixo passar por tantos monumentos e construções, que dividem espaço com lojas de grifes da alta costura italiana. Encerrando um dia de tantas novas descobertas fomos comer uma gostosa massa italiana regada com birra (cerveja), sem antes de voltar ao hotel admirar o esplendor de Roma a noite.

Dia 21 - Sábado - Roma

Saímos cedo do hotel levando o mapa de Roma na mão com o objetivo de ir ao menor estado do planeta e um dos mais poderosos, o Vaticano, residência papal há mais de 600 anos. Uma multidão assolando por todos os lados dirigindo-se a Basílica de San Pedro e Capela de Sistina, .visitas obrigatórias na Cidade do Vaticano, que infelizmente não pudemos conhecer já que, estávamos vestindo bermudas e camisetas e com estes trajes não se tem acesso aos locais. Aqui tudo é imenso, imponente e impressiona ficamos boa parte da manhã marcando presença e admirando com deleite os momentos indiscritíveis que nos permitiam viajar naquele cotidiano. Na certeza de retornarmos no dia seguinte para completarmos nossa visita partimos em direção a famosa fonte Fontana di Trevi, repleta de turistas, palco de cenas famosas do cinema. Observei que o fundo da fonte é repleto de moedas, sentado na murada da fonte e fiquei observando a alegria dos casais jogando moedas, promessa de amor eterno e claro, um dia voltar à cidade eterna. Descansamos parte da tarde e ao anoitecer caminhamos pela Via Corso, lojas sofisticadas, mercadorias caras bem ao gosto do verão europeu. No retorno, assistimos um concerto no Campidoglio (praça projetada por Michelângelo), com a Orquestra dos Jovens de Roma, acompanhados pelo coral da Academia de Londres com 210 participantes e 4 solistas. Nos brindaram com a Sinfonia de Bethoven entre outras, encerrando magnificamente com o Hino à Alegria, sendo aplaudidos de pé pelo espetáculo proporcionado a todos. Chegando de volta ao hotel, por orientação da recepção, saímos de carro em direção a Via Transtevere comprar pizza por quilo para degustar com um gostoso vinho franciscano da Casa Kobe. A noite não era mais criança fomos dormir embalados pelos sonhos realizados de mais um dia que findava.

Dia 22 - Domingo

Nosso plano é retornar à Cidade do Vaticano mas antes vamos percorrer por boa parte da manhã um mercado ou feira popular perto da Estação Trasteveri, suas barracas de comidas e artigos para todos os gostos nos encantam, muitos negros africanos vendendo artesanato e bugigangas contrastando com os comerciantes italianos. Após este passeio, o sol já a pico, vamos em direção ao Vaticano. O objetivo era visitar a Capela Sistina, uma multidão parece que tinha o mesmo interesse, desistimos da empreitada deixando de gastar E 5,00 por pessoa e uma boa parte de nosso tempo. Nos dirigimos a Basílica de San Pedro, na Piazza San Pedro, para ver a beleza da Pietà de Michelângelo, tivemos a grata chance de participar da Santa Missa, a espiritualidade está presente em cada pedra da igreja, suas colunas é algo que impressiona compondo um conjunto arquitetônico deslumbrante, os altares de mármore com ornamentos dourados é de encher os olhos. No alto as paredes e cúpulas são trabalhadas com mosaicos dourados de cenas bíblicas e pinturas renascentistas. Valeu a pena retornar neste lugar, infelizmente não conseguimos obter a benção dominical do papa ele estava em Cracóvia. Quem sabe da outra vez possamos. Recuperamos as energias fazendo um mini almoço em uma lanchonete pelas calçadas do Vaticano e seguimos a rota do Panteão, com suas imponentes colunas em estilo greco-romano, o monumento mais conservado da Roma antiga e compete com o Coliseu na combinação de elegância e poder. Foi construído pelo imperador Adriano por volta de 120 d.C. É um templo de todos os deuses contém as tumbas de divindades da Renascença como Rafael, além dos reis Vittorio Emanuelle II e Umberto I. Fomos ao supermercado nas proximidades do Panteão, gastamos E$ 17,20 garantindo o lanche. O calor estava insuportável, 39º C, nos obrigando a relaxar num bom banho de imersão no hotel, ainda tínhamos a noite para redescobrir Roma.

Dia 23 - Segunda-feira- Roma, Assis, Firenze

São 9h30min saímos da cidade eterna com destino a Assisi e Firenze. Depois de muito perguntar, quem tem boca também sai de Roma, conseguimos por fim encontrar o caminho almejado sem antes seguir por rotas erradas. Acessamos a auto-pista A1/E35 em direção a Assisi, 180 km a vencer, seguindo a mesma estrada que vai à Perurgia, viajando entre vias movimentadas e estradas secundárias sinuosas chegamos a nossa primeira parada. Assisi ou Assis não é a principal cidade da Úmbria. Aliás, passa longe. Mas tem importância muito grande para a região italiana, é um dos mais importantes centros de peregrinação religiosa do mundo.. É lá, na Basílica de São Francisco, que o santo mais adorado da Igreja Católica está enterrado. Ela começou a ser construída dois anos após a morte de São Francisco, em 1228, e suas igrejas foram decoradas pelos artistas mais importantes da época, como Cimabue, Simone Martini, Pietro Lorenzetti e Giotto. A basílica domina a paisagem, por pouco não veio abaixo em 1997: um terremoto danificou toda a sua estrutura e as obras de reconstrução só foram concluídas no princípio do ano 2000. A passagem pela basílica é quase obrigatória para quem vai fazer turismo na Itália. Entre as principais obras, destaca-se "A Descida da Cruz", feita por Pietro Lorenzetti em 1323. Ela está centrada em uma truncada cruz, chamando a atenção para a figura retorcida de Cristo. Eram 15h30min nosso destino final era Florença, prosseguimos pelo coração verde da Itália, paisagens formadas por colinas, ciprestes, fazendas, castelos, vinhedos, girassóis e capelas. Chegamos às 18h na capital da Toscana, Firenze ou Florença, o grande centro da cultura européia das artes e do pensamento que gerou gênios como Leonardo Da Vinci, Michelângelo, Botticelli, Giotto, Galileu, Maquiavel e Dante. Como hábito saímos em busca de local para pousar, encontramos em local central Hotel Sempione, E$ 70,00/casal com café da manhã. Procuramos aproveitar o máximo de nosso tempo, a noite já estávamos circulando pelo centro da cidade com destino ao magnífico Duomo e seus mármores multicoloridos, que demorou 600 anos para ser terminado. Depois de percorrer e admirar a noite em Florença, suas alamedas, praças e ruelas, jantamos indo descansar para novo dia de descobertas.

Dia 24 - Terça-feira - Firenze, Piacenza

Fomos à Igreja da Santa Groce, com os afrescos de Giotto, o Pallazzo Vecchio, com sua imponente torre e a Ponte Vecchio sobre o rio Arno, com o seu comércio sofisticado deixando-nos extasiados com as jóias de ouro. Caminhando em direção ao hotel para apanhamos nossas bagagens, antes fizemos lanche - pizza - encontramos o "amadeu" no estacionamento para seguir viagem em direção a Montes Apeninos/Bolonha, estrada secundária bem sinuosa com paisagens maravilhosas. Continuamos fomos parar em Parma, não encontramos hotel e decidimos ir em frente até Piacenza, vagando pela cidade os hotéis muitos caros, entre E$ 88,00 - 124,00/casal, e já cansados com o humor arrefecido pelo stress e o desconforto da viagem o que mais queríamos era um lugar para dormir e bom banho. Saindo de Piacenza em direção a Milão encontramos um pequeno hotel de estrada e na incerteza de não aparecer algo melhor mais a frente decidimos ficar. Hotel até razoável, E$ 40,00/casal, sem café da manhã e nem tv, ar condicionado que por sinal faria grande falta pelo calor que passamos durante a noite. As instalações do restaurante do hotel eram boas e aconchegantes. Jantamos servidos gentilmente por Heloísa, uma linda morena ragazza italiana, saboreamos macarrão bolonhesa, um pouco apimentado para o nosso paladar, espetinhos de carne e lingüiça, salada, cerveja, vinho branco que nos custou E$ 41,00, o valor de uma diária. Não dormimos bem, muito calor e o barulho do movimento de veículos pela estrada.

Dia 25 - Quarta-feira - Milão

Depois do café matinal seguimos para a última etapa de nossa cruzada pela Europa, Milão era o nosso destino final e 60 km nos separavam e aproximadamente às 10h iniciamos a viagem para a rica capital da região da Lombardia. Ao nos aproximarmos de Milão e com ansiedade latente do prazer da volta seguimos em direção ao aeroporto no sentido de confirmar e assegurar nossas reservas, qual não foi a surpresa quando fomos informados que nosso embarque não era em Linarte onde estávamos e sim em Malpensa, distante 60 km dali. Chegando ao aeroporto de Malpensa, depois dos contratempos normais já de costume, não foi preciso reservar a passagem mas pelo menos descobrimos onde embarcar no dia seguinte para o retorno ao Brasil. Novas labutas de aventuras começam a aparecer, onde ficar até o dia de embarque, próximo ao aeroporto, no meio do caminho ou propriamente em Milão? Depois de perdermos a manhã e boa parte da tarde procurando hotel em cidades nas imediações do aeroporto e recusando pelos custos de acomodação pelo fatores hotel/preço/utilidade, pedindo ajuda a quem encontrasse, inclusive para um brasileiro chamado Bruno que gentilmente nos ajudou. Zanzando de cidade em cidade decidimos enfrentar o trânsito de Milão que tanto nos metia medo. Mais uma vez o fator surpresa como em tantas outras nos levou facilmente para o Hotel Piemonte, E$ 85,00/casal com café da manhã, bem localizado e confortável em local próximo ao centro da cidade. Deixamos o "amadeu" estacionado em frente ao hotel e de imediato saímos para um primeiro contato com a cidade, embarcamos no bonde que nos levou ao Duomo, a maior e mais bela catedral gótica do mundo e a Galeria Vittorio Emmanuele, uma sofisticada rua coberta, com pisos de mármore, vitrais e as melhores lojas, restaurantes e cafés da cidade. Passeamos por suas vias, apreciamos suas praças e monumentos, o comércio com roupas e sapatos no maior centro de designe e estilistas da Europa. A noite saímos para conhecer mais pouco de Milão com suas luzes, tomamos cervejas, comemos em bares com mesas pelas calçadas ouvindo músicas e despedindo-se de nossa última noite na Europa.

Dia 25 - Quinta-feira - Milão

Acordamos cedo, após o café fizemos mais um pequeno passeio pelo arredores do hotel apreciando as lojas e retornando para dar os últimos retoques nas bagagens antes do embarque. Fomos por volta das 14h com destino ao aeroporto de Malpensa, sonhos realizados e infelizmente, tínhamos que devolver nosso companheiro de aventuras "amadeu" o escravo mecânico, um servo fiel e confiável que nos transportou por 4.900 km de estradas com belas paragens e paisagens em Portugal, França, Espanha e Itália, que ficaram gravadas para sempre em nossas memoráveis lembranças. Um sentimento tomou conta de todos quando no aeroporto ele foi levado seguindo em direção ao desconhecido. Nossa aventura terminava. Embarcamos às 19h30min com destino a Madri e posteriormente, 22h para o Brasil.

Dia 26 - Sexta-feira - Brasil

Exaustos voltamos a Pátria Amada o país da beleza, da alegria e da boa comida. Quando chegamos ao Brasil desembarcamos no Galeão-RJ, por volta das 5h da manhã, já que o aeroporto de Guarulhos-SP estava fechado, nossa primeira atitude foi tomar café preto, feito por brasileiros no Brasil. Mais tarde, já em Guarulhos com muitos contratempos e transtornos passamos o dia tentando lugares em vôos que nos levassem definitivamente para casa. Refeitos estávamos de volta ao nosso país verde-amarelo, mais patriotas, muito mais brasileiros. Quem sabe, com estas vivências e em outra oportunidade, o destino faça acontecer tudo novamente.

Por: Ricardo Marcos Boszczowski

 

 

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